Jogos de luta sempre estiveram entre os favoritos dos gamers, mas, depois de 1992, tudo mudou para sempre
Ao longo de décadas, o gênero de jogos de luta passou por diferentes fases, mas um título sempre esteve presente como referência: Mortal Kombat (site oficial). Assim como outros gêneros têm suas obras “pilares” — franquias que definem padrões e servem como comparação para todas as demais —, os jogos de luta também contam com essas referências. E, surpreendentemente, o primeiro Mortal Kombat se manteve firme em todas as eras, superando Fatal Fury e até Street Fighter em consistência de presença.
Mas, essa ideia de “pilar” não se limita à qualidade ou hype em um ou outro momento, mas também à relevância contínua. Muitas séries importantes acabam caindo no esquecimento quando deixam de lançar novos games ou perdem espaço para novos sucessos. No caso de Mortal Kombat, mesmo enfrentando altos e baixos, a franquia sempre conseguiu se reinventar pelas mãos na Netherrealm Studios e Warner Bros. Games (site oficial) e permanecer relevante.
Desde o início dos anos 90, a indústria viveu diferentes momentos: a Era dos Arcades, a pós-Arcade nos anos 2000, o ressurgimento na década de 2010 e o cenário moderno e em todas essas fases, Mortal Kombat esteve ali, ao lado de jogos como Street Fighter, Tekken, Dead or Alive e Soulcalibur. Então, vamos falar sobre como Mortak Kombat se manteve ao longo dos anos e, se ficar com dúvidas, deixe um comentário.
Jogos de Luta
O Começo da Lenda
O primeiro jogo, lançado em 1992 pela Midway, foi criado por Ed Boon e John Tobias para competir diretamente com Street Fighter II. A jogabilidade se destacava por controles mais simples, um sistema de bloqueio por botão e movimentos especiais de fácil execução. O visual também chamou atenção: personagens digitalizados a partir de atores reais, algo inédito na época com tamanha qualidade. Essa escolha deu ao jogo um aspecto “realista” que o diferenciava de todos os concorrentes.
Mas o que realmente imortalizou Mortal Kombat foi a violência explícita. Os Fatalities — golpes finais brutais e criativos — se tornaram marca registrada, gerando polêmicas e sendo um dos motivos para a criação da ESRB, o sistema de classificação indicativa de jogos nos EUA. A repercussão só aumentou a fama do jogo.
As sequências mantiveram o sucesso. Mortal Kombat II (1993) ampliou o elenco, incluiu mais cenários e adicionou elementos como Friendships e Babalities, misturando humor e brutalidade. O jogo também ficou conhecido por seus segredos e personagens ocultos, incentivando rumores e teorias numa época pré-internet. Mortal Kombat 3 e Ultimate Mortal Kombat 3 trouxeram novos personagens, um sistema de combos mais dinâmico e mudanças de cenário, ainda que o estilo mais urbano tenha dividido opiniões.
No fim dos anos 90, com a queda dos arcades e a ascensão dos jogos 3D, a série experimentou mudanças com Mortal Kombat 4, seu primeiro título tridimensional. Embora tenha mantido a essência, a franquia sofreu com produtos derivados de qualidade duvidosa e começou a perder força.
Ainda assim, a trajetória de Mortal Kombat mostra um feito raro no mercado: atravessar gerações e mudanças de plataforma sem deixar de ser reconhecido como um dos pilares do gênero. Sua capacidade de adaptação — seja no gameplay, no visual ou na forma de contar histórias — garantiu que, mesmo em épocas de crise, continuasse a ser sinônimo de jogo de luta para milhões de fãs.
A Era Pós-Arcade
Muitos chamam os anos 2000 de “Era Pós-Arcade” dos jogos de luta. Outros preferem o termo “Idade das Trevas”. E não é difícil entender o motivo.
Nos anos 90, os jogos de luta viviam nos fliperamas. O sucesso vinha das disputas presenciais, com grupos se formando ao redor das máquinas e torneios locais fortalecendo comunidades. Mas, no Ocidente, os arcades morreram, e o gênero precisou migrar para os consoles domésticos — algo com que nem todas as empresas souberam lidar.
Namco se adaptou bem com Tekken e Soulcalibur. A SNK faliu e retornou como Playmore. Já a Capcom, após o fracasso de Street Fighter III e vendas fracas de outros títulos, abandonou praticamente todo o gênero por quase a década inteira.

No meio disso, a franquia Mortal Kombat passou por um renascimento. Após perdas criativas e comerciais no fim dos anos 90, Ed Boon e sua equipe decidiram mudar tudo com Mortal Kombat: Deadly Alliance (2002). A série abraçou o 3D de vez, reduziu golpes especiais, deu múltiplos estilos de luta a cada personagem e recuperou o tom sombrio — a ponto de matar Liu Kang na cena de abertura. Foi arriscado, mas rendeu: mais de 1 milhão de cópias no primeiro mês.
O jogo também se destacou pelo conteúdo. Além do modo arcade, tinha minigames, desbloqueáveis via “Krypt” e o modo “Konquest”, que misturava tutorial e campanha. Apesar de críticas ao gameplay um pouco travado, marcou o retorno da franquia.
Dois anos depois, Mortal Kombat: Deception refinou a fórmula: mais golpes, mecânicas novas como o “breaker”, estágios interativos e um elenco melhor equilibrado. Introduziu ainda o modo online (exceto no GameCube) e expandiu o “Konquest” para uma aventura completa. Vendeu quase 2 milhões de cópias e virou o ápice da fase 3D.
Seguiu-se o derivado Shaolin Monks (2005), elogiado como um dos melhores spin-offs da série. Em 2006, Mortal Kombat: Armageddon reuniu todos os personagens já criados, mas sacrificou variedade de golpes e Fatalities únicos, adotando o polêmico sistema “Create-a-Fatality”. Ainda assim, trouxe modos extras como corrida de karts e criação de lutador.
Apesar de vendas boas, o fôlego começou a diminuir. Em 2008, Mortal Kombat vs. DC Universe foi a estreia da série em HD, mas decepcionou com censura, jogabilidade engessada e excesso de minigames. Vendeu 1,8 milhão de cópias, mas não salvou a Midway, que faliu pouco depois.
Com isso, Mortal Kombat ficou sem desenvolvedora, e o gênero de luta no geral enfrentava estagnação. Tekken e Soulcalibur perderam força, e Dead or Alive vivia mais de seus “atributos visuais” do que do combate. O cenário parecia sombrio.
Mas, no ano seguinte, a cena dos jogos de luta ressurgiria das cinzas — e Mortal Kombat estaria entre os protagonistas dessa nova era.
A Era Revival
O chamado Revival Era dos jogos de luta começou em 2009, com o lançamento de Street Fighter IV, que reacendeu o interesse global no gênero. A partir daí, mais títulos surgiram, clássicos receberam relançamentos digitais e a comunidade (FGC) cresceu com conteúdo no YouTube. O sucesso mostrou que ainda havia grande mercado para jogos de luta 2D, invertendo a predominância dos 3D na era anterior.
Nesse cenário, a Mortal Kombat passou por mudanças: após a falência da Midway, a franquia foi adquirida pela Warner Bros., ficando sob o comando da recém-formada NetherRealm Studios, liderada por Ed Boon. Inspirada pelo retorno às origens de Street Fighter IV, a equipe fez um reboot total em Mortal Kombat (2011), apelidado de MK9.

O jogo retomou o estilo 2D, trouxe personagens e cenários clássicos, violência intensificada e novos sistemas como golpes “X-Ray”. Destacou-se pelo vasto conteúdo single-player, algo que muitos títulos contemporâneos negligenciavam, e iniciou o uso de DLCs e personagens convidados (como Kratos e Freddy Krueger). O sucesso foi estrondoso, com mais de 3 milhões de cópias vendidas.
O próximo passo foi Mortal Kombat X (2015), mais rápido e fluido que MK9, introduzindo o sistema de Variações, permitindo três estilos de luta por personagem, além de elementos interativos nos cenários herdados de Injustice. Trouxe também convidados como Jason, Leatherface, Alien e Predador. Mesmo com críticas pontuais a alguns personagens, tornou-se o jogo mais vendido da série até então, ultrapassando 12 milhões de unidades.
Em Mortal Kombat 11 (2019), a NetherRealm mudou o ritmo e o sistema de barras, separando-as em ofensiva e defensiva, retirando “breakers” e introduzindo os “crushing blows”. O sistema de Variações tornou-se customizável, mas perdeu a coesão de MKX. A progressão exigia desbloqueios extensos e havia microtransações, gerando críticas. Apesar de polêmicas como a exclusão inicial de Mileena — que levou a reações extremas de parte dos fãs —, MK11 manteve a fórmula de história cinematográfica, torres e Krypt expandida, vendendo mais de 15 milhões de cópias.
Esses três títulos consolidaram a franquia tanto comercial quanto competitivamente. Criaram uma cena forte em torneios como a Evo, ampliaram a presença na cultura pop com animações e um novo filme em 2021, e provaram que Mortal Kombat é um pilar do gênero.
O Começo de uma Nova Era
Ao final dessa era, o cenário de jogos de luta estava aquecido: Dragon Ball FighterZ, o retorno de SNK com KOF XIV e Samurai Shodown, e a chegada de Street Fighter VI e Tekken 8 indicavam continuidade na alta. Com Mortal Kombat 1 prestes a ser lançado, as expectativas eram positivas.

A trajetória recente mostra que, mesmo após quase morrer duas vezes e perder seu estúdio original, Mortal Kombat segue relevante e resiliente, mantendo importância histórica e cultural no gênero — inclusive por ter sido a razão da criação do sistema de classificação etária de videogames.
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