Review: Code Vein II é uma Sequência Ambiciosa

Mapa em mundo aberto, novos sistema, combate refinado e uma história que envolve viagem no tempo? Code Vein II entrega tudo!

Quando Code Vein foi lançado em 2019, ele rapidamente ganhou um público fiel por oferecer uma leitura mais acessível do estilo soulslike, de jogos como o Elden Ring, misturando ação cadenciada, estética anime e uma narrativa que apostava em personagens bonitos, sexys e tentava construir fortes laços emocionais.

Agora, com Code Vein II (site oficial), a Bandai Namco (site oficial) tenta algo maior. Não se trata apenas de repetir a fórmula, mas de expandir o escopo da série de forma clara e ambiciosa, transformando um RPG de ação relativamente linear em uma experiência de mundo aberto, com sistemas mais profundos e uma estrutura narrativa mais complexa.

Revelado oficialmente durante o Summer Game Fest em junho de 2025, Code Vein II chega em 30 de janeiro de 2026 para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S, deixando para trás a geração anterior de consoles. Quem comprou as edições Deluxe ou Ultimate teve acesso antecipado a partir do dia 27 de janeiro, prática já comum no catálogo da Bandai Namco.

Desde o anúncio, a proposta ficou clara: manter a identidade da série, mas corrigir limitações do primeiro jogo e aproximar a franquia de outros grandes nomes do gênero, sem perder sua personalidade. Mas, será que eles conseguiram? Vamos falar sobre Code Vein II e, se você ficar na dúvida, deixe um comentário.

Uma história (antiga) nova

A história parte de uma premissa simples e direta. Vivemos num mundo pós apocalíptico onde humanos e Revenants, criaturas que dependem de sangue, dividem o mesmo espaço. No passado houve um evento catastrófico chamado Resurgence, que foi contido por cinco heróis. No presente, a volta da Luna Rapacis faz esses selos ruírem e transforma Revenants em monstros chamados Horrors.

code vein ii
Lou MagMell

Você joga com um Caçador de Revenants que morre em missão e é trazido de volta por Lou MagMell, uma jovem com poder de viajar no tempo. Lou dá metade de seu coração ao protagonista, criando um vínculo entre os dois. A partir daí os dois voltam cem anos ao passado para encontrar os heróis originais, conquistar sua confiança e coletar itens ressonantes para, no presente, libertá los e confrontar a corrupção. A narrativa vai e volta entre as épocas e usa essa alternância como motor para a exploração e para a progressão das missões.

O enredo é independente o suficiente para que quem não jogou o primeiro Code Vein não fique perdido. Há temas recorrentes como drenagem de sangue e Blood Codes, mas a história tem autonomia informacional, o que facilita a entrada de novos jogadores.

Como o mundo funciona

A mudança mais visível é a passagem para um mundo aberto. Em vez de áreas pequenas e linearmente conectadas, aqui existem grandes regiões interligadas que o jogador pode abordar em ordens diferentes. Dentro dessas regiões há dungeons verticais e zonas temáticas, como cidades submersas e florestas devastadas. A viagem no tempo não é só enredo: visitar um mesmo local em épocas diferentes altera o cenário e abre rotas ou segredos, o que coloca a exploração no centro da progressão.

Para se deslocar, o jogo oferece a Motocicleta Forma, um veículo que pode ser invocado fora das dungeons e que não precisa de combustível. Também há muitos pontos de viagem rápida espalhados pelo mapa, o que reduz a sensação de perda de tempo entre locais distantes. Mesmo assim, as dungeons internas às vezes revezam entre bem feitas e repetitivas; há trechos que chamam atenção pela verticalidade e outros que parecem variações do mesmo corredor.

Um Soulslike Agressivo

O combate mantém a base soulslike: leitura de movimentos, esquivas, parries e gestão de recursos. A grande mudança está na ênfase da ofensiva. O sistema central passa a ser a drenagem de sangue para gerar Ichor, recurso usado para ativar Formas. Formas são habilidades que substituem os Gifts do jogo anterior e vêm em tipos diferentes: há Formas vinculadas a armas, Formas que invocam armas únicas e Formas defensivas. Executar ataques de drenagem é parte da rotina, porque é assim que se repõe Ichor e se mantém a cadeia de ações.

code vein ii
Code Vein II

Isso incentiva um estilo de jogo que recompensa quem joga de forma mais agressiva e calculada. Em vez de ficar apenas se defendendo e esperando o momento certo, é preciso ir para cima, garantir Drain Attacks e capitalizar o Ichor gerado. O resultado é uma experiência com mais ritmo em combates bem montados, embora em lutas maiores a câmera e o espaço possam atrapalhar a clareza dos movimentos.

Equipamento, classes e liberdade para montar builds

O sistema de equipamento sofreu mudanças claras. Os Blood Veils deram lugar aos Jails, que são armaduras montadas nas costas e que carregam o coração do revenant. Os Jails alteram estatísticas e habilitam ataques de drenagem. Os Blood Codes continuam como classes, mas agora funcionam de forma mais fluida: dá para trocar de Blood Code durante o combate e usar praticamente qualquer arma sem ficar preso por restrições rígidas. Isso torna a experimentação imediata e mais agradável.

Além disso, habilidades dominadas em um Blood Code podem ser convertidas em Boosters passivos, o que permite combinar efeitos de várias classes. O sistema de progressão foi desenhado para favorecer ajustes rápidos na build, permitindo testes sem penalidade severa. No conjunto, a liberdade para mexer nas builds é um dos pontos mais fortes do jogo.

Companheiros agora com estratégia

Os companheiros continuam importantes e passaram por alterações de função. Eles podem ser invocados para lutar ao lado do jogador ou assimilados temporariamente ao Jail, o que aumenta atributos. A mecânica de reviver o jogador foi mantida por meio do Restorative Offering, mas há agora uma gestão mais visível: a barra de Link Points. Link Points funcionam como resistência do parceiro.

code vein ii
Code Vein II

Quando a barra se esgota, o companheiro fica incapacitado por um tempo, o que força uma atenção maior ao seu posicionamento e sobrevivência. Essa dinâmica adiciona estratégia, porque a escolha entre ter apoio direto ou um boost passivo tem custos claros durante encontros longos.

Editor de personagem

O editor de personagem é detalhista ao ponto de ser um destaque isolado. É possível ajustar praticamente tudo: corpo, rosto, cabelo, maquiagem, máscaras, acessórios e até unhas. Há controle sobre tons e iluminação e um modo de foto para exibir o personagem sob diferentes condições. Isso reforça a identidade visual do jogo e permite que cada jogador crie um protagonista com cara própria. Visualmente o jogo aposta numa estética gótica e trabalhada, com cenários que variam entre o bonito e o sombrio.

Mas, parece que essa sequência veio com algum tipo de ‘censura’ no Fanservice, tornando as personagens feminina menos sexualizadas e cobrindo mais a pele. Eu, particularmente, não consegui ver essa

Onde o jogo tropeça

Apesar de tudo isso, existem problemas que pesam. O desempenho técnico é irregular, principalmente em áreas abertas mais densas. Quedas de frame rate e travamentos pontuais atrapalham a fluidez do combate e a sensação de imersão. A repetição de inimigos e de chefes em algumas áreas reduz o impacto de encontros que deveriam ser memoráveis. Em certos trechos, as dungeons internas se tornam variações de um mesmo design (algo que aconteceu também em Dragon Age 2, por exemplo), com corredores longos e pouca diversidade de padrões. Isso gera um contraste entre a ambição do mundo aberto e a execução de alguns conteúdos internos.

A acumulação de sistemas também pesa. HP, stamina, Ichor, Link Points, Formas, Jails, Blood Codes, Boosters e vários efeitos de status ficam ativos ao mesmo tempo, e a interface nem sempre explica como tudo se relaciona. A consequência é uma curva de aprendizado mais custosa do que deveria, principalmente para quem não tem familiaridade com a série. Além disso, a ausência do cooperativo online presente no primeiro jogo muda a dinâmica do apoio entre jogadores e altera expectativas de quem vinha para esse recurso.

Veredito sobre Code Vein II

Code Vein II entrega uma versão maior e mais flexível da franquia. A combinação de mundo aberto com a mecânica de viagem no tempo cria possibilidades legítimas de exploração e narrativa. O combate ganhou ritmo por insistir na drenagem e em Formas que pedem Ichor, e a liberdade de montar builds é apreciável, porque incentiva testes constantes sem punir o jogador por experimentar. O editor de personagem mantém a série num bom nível estético e de personalização.

Ao mesmo tempo, o jogo mostra falhas que não são apenas menores. Problemas de desempenho, dungeons repetitivas e excesso de sistemas ativos dificultam a consistência da experiência. A interface poderia ser mais clara ao explicar como recursos e barras interagem, e a falta de cooperação online reduz opções para quem prefere jogar acompanhado. Esses pontos quebram a sensação de que tudo foi bem resolvido e deixam espaço para ajustes em atualizações futuras.

No fim das contas, é um título que vale ser jogado por quem gosta de soulslikes com uma pegada mais narrativista e por quem procura um grande leque de opções de customização. Não é um jogo perfeito, e não resolve todas as questões do gênero, mas amplia o que a franquia vinha fazendo, trazendo ferramentas que dão ao jogador mais controle sobre como quer enfrentar os desafios. Para quem aceita lidar com falhas técnicas e alguma repetição de conteúdo, Code Vein II oferece horas de exploração, experimentação e combate com personalidade própria.

Code Vein II

Paulo Fabris

O game é feito especialmente para quem valoriza narrativa, personalização e um desafio mais moderado. Code Vein II não é perfeito, mas deixa claro que a franquia sabe exatamente onde quer chegar.
Gráficos
Música
Jogabilidade
Diversão
Preço

Prós e Contras

Prós:
+ Refino do combate;
+ Sistemas novos e aprimorados;
+ Narrativa envolvente

Contras:
– Queda de frame rates
– Menos fanservice(?)

4.1

Fale conosco nos comentários e diga se curtiu essa novidade e aproveite para ler mais notícias no nosso site.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *