Para comemorar as três décadas da franquia, vamos nos lembrar das principais polêmicas envolvendo os jogos e anime nesta matéria sobre os Pokémon 30 Anos
Pokémon (site oficial) é um sucesso global. Com mais de 30 anos de produção de jogos, uma imensa Pokédex e com a décima geração batendo a nossa porta, o que não faltou para a franquia foram polêmicas. Casos que foram desde crianças tendo ataques epiléticos a mudanças de design para deixar os personagens mais “adequados” ao público infantil.
Para quem acompanha a franquia desde o início, é provável que você tenha vivido esses momentos e se lembre de alguns. Por exemplo: eu me lembro claramente de ter visto o episódio de Pokémon do Tentacool e Tentacruel e, no final dele, aparece uma personagem velha conversando com outra personagem velha e dizendo algo sobre já ter visto uma cena parecida com a que acabara de acontecer (Equipe Rocket caindo ou algo assim). E eu fiquei olhando e pensando “ué… uma das velhas eu tinha visto em um episódio anterior a outra saiu da onde?”

Embora eu já imaginasse, só anos mais tarde é que eu fui saber que houve cerca de 3 ou 4 episódios cortados da exibição (na época) da TV Record e do mundo por causa de coisas como armas ou sexualização. Algo que era normal os episódios já chegarem aqui no Brasil picotados, censurados ou alterados vindo de países como os EUA e Espanha. Atualmente, com a internet, conseguimos ver os episódios como foram exibidos no Japão e entender de onde o Ash capturou 30 Taurus que ele não tinha no episódio anterior.
Para quem não sabe ou para quem quer relembrar, vamos falar um pouco das principais polêmicas e censuras que rolaram com Pokémon nesses anos e, se você ficar com dúvidas, é só deixar um comentário.
30 Anos de Pokémon
Episódios Alterados e Cortados
Animes e mangás vem do Japão um país com uma cultura muito, mas muito diferente da cultura dos países ocidentais com base em religiões cristãs. Lá, a ideia deles de “coisas de criança” é um pouco diferente da nossa (se bem que, durante os anos 80 e 90, coisas como Rambo e Banheira do Gugu passavam livremente nas tardes do domingo na TV aberta) e algumas coisas não ficam bem em desenhos animados e, por isso, os episódios chegavam cortados, alterados ou simplesmente nem passavam por aqui.
Por exemplo, o episódio 35 da primeira temporada, a “Lenda de Dratini”, aquele em que o Ash supostamente pega os 30 Taurus (e para quê, se ele só usou um), o episódio foi cortado da exibição e, onde foi exibido, foi alterado para esconder as armas de fogo usadas nele. O velhinho que aponta uma espingarda na cara do Ash ou as armas apontadas para ele pela Equipe Rocket foram consideradas inapropriadas para crianças verem. Onde ele foi exibido, ele teve as armas removidas das mãos dos personagens.
Agora, um que ficou mundialmente famoso e banido até mesmo de seu país de origem, ‘Dennō Senshi Porygon’ ou “Guerreiro Elétrico Porygon”, foi o responsável por causar ataques epiléticos em várias crianças que chegaram a ser hospitalizadas por lá. O motivo, as luzes que piscavam rapidamente e causaram os problemas de vertigem e epilepsia. Por anos, um alerta dizendo para assistir o anime em um ambiente bem iluminado era exibido antes do episódio começar.

Claro, com quase 30 temporadas, muitos outros casos de censura e mudanças aconteceram, como, por exemplo, o episódio 64 da temporada Sun & Moon, o Ash se disfarçou de um Passimian, um pokémon macaco, e foi considerado como “black face”, aquela coisa de usar uma maquiagem tosca para pintar a pele de negro, e por isso, o episódio foi cortado.
O episódio “Shaking Island Battle! Barboach vs Whiscash!!”, de 2004, da temporada Advanced Generation, nunca chegou a ser exibido em nenhum país, nem mesmo no Japão, porque ele envolvia terremotos durante as batalhas pokémon e, na época em que seria exibido, um terremoto forte atingiu a região de Niigata, com mais de 60 pessoas mortas e mais de 50 feridas como resultado do evento.
Censura
A questão da sexualização de personagens em animes e mangás já é uma discussão antiga e, é claro, Pokémon não ficaria de fora. Ele também teve sua parcela de censuras e alterações por causa de conteúdo sexual inapropriado (para os padrões ocidentais).

O episódio 18, “A Beleza e a Praia”, em que o James aparece com seios enormes, maiores do que os da Jessie. Para nós, que crescemos vendo o Pica Pau e o Pernalonga se disfarçando de mulher, aquilo não era nada demais, mas, para os responsáveis pela exibição do desenho lá nos EUA, a infame 4Kids que fez vários cortes e censuras em vários animes, um rapaz como James de biquíni era polêmico demais e o episódio foi cortado da exibição nas Américas. Se ele fosse um coelho antropomórfico estava tudo certo, mas como era um humano.
A personagem Olivia, de Pokémon Sun and Moon, uma das “Kahunas de Aloha”, o equivalente a um membro da Elite Four, teve muito de seu design modificado graças a censura. Ela é uma moça de pele morena que usa um top, um shortinho e alguns acessórios, como colar, pulseira e penduricalhos na cintura. Nada demais. Ela era basicamente uma garota que vemos nas ruas do Brasil todos os dias. Mas, parece que ela era sexy demais para a audiência gringa de Pokémon.

No anime, o design dela foi alterado para, inicialmente, deixar a pele mais clara, colocar um casaquinho nela para cobrir ela um pouco e diminuíram o tamanho de seu quadril. Vamos dar um desconto para a remoção de seus vários acessórios que deixariam a personagem mais difícil de animar? Sim. Mas dá para ver a mudança nela para deixar o negócio mais amigável para o público infantil.

Nesse ponto, uma das maiores alterações aconteceu no mangá “Eletric Tales of Pikachu”, desenhado por Toshihiro Ono. O mangaká tem um traço que favorece muito as ilustrações de bichinhos fofinhos e de garotas bonitas usando roupas sexy. Mas, a Viz Media não achou de bom tom esses desenhos e modificaram, alteraram, censuraram e até removeram páginas completas dos volumes que publicaram nos EUA. Aqui no Brasil, recebemos essa versão alterada, mas é possível achar imagens dele no original pela web.
Religião, Acidentes, ONGs e Celebridades
Além de enfrentar a censura e os cortes de episódios ou páginas de mangá, Pokémon também enfrentou outras batalhas que até chegaram aos tribunais.
As mais básicas envolvem religião. Afinal, qualquer coisa que desvie as pessoas e jovens do caminho das igrejas acaba sendo um inimigo de religiosos que querem se manter no controle das mentes e opiniões das pessoas. Veja, por exemplo, dois casos distintos:
Diversas igrejas no Brasil usavam o fato de que eram PokéStops do jogo Pokémon Go para atrair os jovens e incentivá-los a rezar ou fotografar as obras sacras expostas. Em vez de demonizar as criaturinhas, elas usavam o fato de que as pessoas estavam lá para conhecer mais da religião. Eles pediam as pessoas que respeitassem o lugar, que fizessem silêncio ou que aproveitassem para também rezar, conhecer, fotografar, mas nunca expulsando ou reprimindo os caçadores de pokémon.

Por outro lado, diversos pastores conhecidos do público fã de anime ou games, como o deputado Marco Feliciano (PL-SP) ou R.R. Soares fizeram diversos discursos demonizando animes e mangás, associando-os a entidades espirituais e criaturas malignas. Algo que era replicado por igrejas menores e pastores ainda mais alarmistas, o que gerava (e ainda gera) cenas de crianças claramente triste cortando suas cartas de Pokémon ou outros produtos de entretenimento populares na mídia, como Harry Potter, e tendo que concordar com seus pais de que “aquilo tudo era do demônio”.
Não só com religião que Pokémon arrumou polêmicas, a organização de proteção aos animais, PETA, também teve seus momentos. De acordo com a organização, Pokémon incentiva a violência contra animais, rinhas e confinamento e, para mostrar o quão cruel era o jogo, eles criaram seus jogos de Pokémon com modificações que mostravam os pokémon machucados e mutilados enfrentando treinadores sádicos. A sede da associação também fez campanhas na porta de seus prédios dizendo que ali, os pokémon de Pokémon Go eram livres e protegidos.
Agora, na questão celebridade, temos o curioso caso do processo de Uri Geller contra a Game Freak. Para os mais jovens, o nome Uri Geller não quer dizer nada, mas, para quem nasceu e cresceu nos anos 90, Geller era uma coisa inacreditável. Ele era, de acordo com ele, um médium com poderes psíquicos capaz de mover coisas com o poder da mente e suas façanhas eram exibidas quase todo o domingo no Fantástico, entortando colheres com a mente. Ele foi desafiado pelo nosso “Myth Buster”, o Padre Quevedo, que demonstrou ao vivo como ele fazia os truques e, depois de um tempo, foi deixando de aparecer em programas ou entrevistas até que sumiu das telas de TV.
Mas, durante seu auge, Geller processou a Nintendo pelo uso indevido de sua imagem em um Pokémon, o Kadabra, que também usa uma colher como canalizador de seus poderes. Até mesmo nome do pokémon no original japonês, “Yungerer”, é uma referência ao médium. Por conta do processo, a empresa ficou anos proibida de lançar novas cartas do Kadabra no jogo Pokémon Trading Card Game. Essa proibição só acabou recentemente, quando Geller resolveu retirar o processo e pedir desculpas.

E por último, mas não menos importante, dá para lembrar dos casos envolvendo atropelamentos e até mortes relacionadas ao Pokémon Go. O lançamento de Pokémon GO em 2016 rapidamente saiu do controle em vários lugares do mundo, gerando situações perigosas no mundo real. Houve casos de jogadores atropelados ao atravessar ruas sem atenção, motoristas jogando enquanto dirigiam e até pessoas que sofreram quedas ao tentar capturar Pokémon em áreas de risco.
Também surgiram relatos de invasões de propriedades privadas e uso do sistema de “lures” por criminosos para atrair vítimas e cometer assaltos. Além disso, multidões passaram a se concentrar em locais sensíveis como hospitais e memoriais, gerando reclamações e interferência em espaços restritos. Diante disso, a Niantic implementou avisos de segurança, limitou o uso em movimento e removeu pontos considerados problemáticos.
Sobre Pokémon
Pokémon é uma franquia multimídia criada pela Game Freak e publicada pela Nintendo, lançada inicialmente como um jogo de RPG para Game Boy em 1996. Os jogadores assumem o papel de treinadores que capturam e treinam criaturas chamadas Pokémon, com o objetivo de completar o Pokédex e se tornar o campeão da Liga Pokémon.
A franquia expandiu-se para diversos consoles, como Nintendo DS, 3DS, Game Boy Advance e Nintendo Switch, além de spin-offs, como Pokémon GO, que utiliza realidade aumentada. A série também inclui animações, filmes e um popular jogo de cartas colecionáveis. Pokémon é um dos maiores fenômenos da cultura pop global, com uma base de fãs fiel e diversos lançamentos contínuos.
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