Sega Saturn: 10 jogos que marcaram época no 32-bits da Sega

Sega Saturn

O Sega Saturn sempre foi um daqueles consoles que dividem opiniões. Enquanto muita gente olha para ele hoje como um fracasso comercial, mas quem viveu a época sabe que a história não é tão simples assim.

O Sega Saturn chegou em um momento complicado e tentando manter a relevância da Sega depois do sucesso absurdo do Mega Drive. Brigando diretamente não só contra o PlayStation, mas contra a própria Sega, que tinha acabado de lançar o periférico 32X, que aumentava a capacidade do Mega Drive e era uma alternativa mais barata do que o Playstation.

Imagina a cabeça do jogador que não sabia exatamente qual era o 32-Bits da Sega? O Saturno ou o 32X? Então, além da concorrência, essa disputa da mesma empresa pelo público que queria algo além do pixel art e do 2D atrapalhou, e muito, as vendas de seu novo console.

Só que, apesar de todos os problemas, o Saturn teve uma biblioteca cheia de jogos marcantes, daqueles que ficam na memória por anos. E não é só pela qualidade técnica. Muitos desses jogos carregam uma sensação muito específica de época.

Aquela mistura de limitação tecnológica com ambição gigante da Sega (site oficial), onde os desenvolvedores tentavam fazer coisas novas mesmo sem ter o hardware mais amigável do mundo. O resultado foi uma coleção de títulos que, mesmo com defeitos, conseguiram marcar quem jogou e definiram o console.

Vamos falar de alguns desses jogos que ajudaram a definir o Sega Saturn e, se você ficar com dúvidas, deixe um comentário.

Jogos de Sega Saturn

O Sega Saturn chegou com uma proposta ambiciosa. Uma arquitetura complexa, pensada para dar conta de jogos 2D e 3D ao mesmo tempo. Só que essa mesma complexidade acabou dificultando a vida dos desenvolvedores.

Enquanto concorrentes ofereciam estruturas mais simples de trabalhar, o Saturn exigia mais esforço para alcançar resultados semelhantes. Isso impactou diretamente na quantidade e na qualidade dos jogos disponíveis. Mesmo assim, ele teve momentos de destaque. Principalmente no Japão, onde conseguiu um desempenho melhor.

No fim das contas, o Saturn acabou ficando para trás na disputa contra PlayStation e Nintendo 64. Mas isso não apaga o fato de que ele teve uma biblioteca cheia de jogos marcantes. E para quem viveu essa época, esses jogos não são só títulos antigos. São parte de uma fase específica dos videogames, onde tudo ainda estava sendo definido.

The Need for Speed

O primeiro The Need for Speed, de 1996, é um bom exemplo de jogo que tentava fazer algo diferente numa época em que o gênero ainda estava se formando. Já existiam jogos de corrida, é claro, mas poucos se preocupavam com a sensação de dirigir de verdade.

Sega Saturn
Need for Speed

Aqui os carros tinham um comportamento mais próximo do real, o trânsito existia nas pistas e não era só enfeite, e cada corrida parecia menos um circuito fechado e mais uma rua de verdade. Isso fazia diferença.

Na prática, era um jogo difícil. Controlar o carro não era simples, ainda mais com trânsito atrapalhando o tempo todo. Era comum bater, perder corrida e ainda sair discutindo com quem estava jogando junto. O modo versus era o grande destaque por causa disso.

Outro detalhe curioso é que o jogo praticamente não tinha música durante as corridas. Algo que vários jogos fazem hoje também, mas parecia estranho. A proposta era focar era o som do carro, da pista, da direção. Não que quem correr nas ruas não tem um rádio no carro, mas se você quisesse, era só colocar uma música de fundo. Mesmo com limitações claras, era um jogo que tentava ir além do básico. E conseguiu.

Rayman

Rayman já era conhecido em seus jogos da época 16-bits e é aquele tipo de jogo que parece simples quando você, mas não é. Ele chamava atenção pelo visual cartunesco, colorido e bem feito pra época, transportando o mascote para o console e tinha um alto nível de desafio.

Sega Saturn
Rayman

O personagem é estranho, sem braços nem pernas, só mãos e pés flutuando. Ainda assim, funciona perfeitamente dentro da proposta. O mundo do jogo é cheio de criaturas, fases criativas e um vilão clássico, daqueles bem malvados mesmo.

A jogabilidade é fácil de entender, mas difícil de dominar. Você bate nos inimigos, ganha habilidades ao longo do jogo e precisa lidar com fases que exigem precisão. O problema não costuma ser o combate, e sim o próprio cenário. Tem momentos em que encontrar o caminho certo já é um desafio por si só.

Outro ponto importante é a quantidade de vidas, que é limitada. Isso aumenta a tensão e faz cada erro pesar mais. Rayman é daqueles jogos que qualquer pessoa consegue começar a jogar, mas nem todo mundo consegue terminar.

Tomb Raider

Se a ideia é falar de Saturno, Tomb Raider entra fácil na lista. E não é só pelo nome ou pela personagem. O jogo realmente entrega o que promete: uma das melhores conversões do game para consoles caseiros da época.

A estrutura gira em torno de exploração. Cenários grandes, cheios de caminhos, puzzles e segredos. Não é um jogo focado em combate, apesar de ele existir. O foco está em navegar pelo ambiente, entender o espaço, pular com manobras acrobaticas e resolver os desafios.

Tomb Raider
Tomb Raider

A história é direta. Lara Croft está atrás de um artefato dividido em partes espalhadas pelo mundo. Isso leva o jogador a diferentes cenários, cada um com seus próprios perigos. E aqui entra um detalhe importante. O jogo é difícil. Não no sentido de ação rápida, mas na forma como exige atenção e paciência. É fácil se perder, errar salto ou ficar preso em um puzzle por muito tempo.

Mesmo hoje, ainda é um jogo que exige dedicação. E talvez seja justamente por isso que ele marcou tanta gente.

Croc: Legend of the Gobbos

Croc é um jogo que mistura ideias de outros títulos da época, mas consegue ter identidade própria. Ele segue a linha de plataforma em 3D, algo que ainda estava sendo explorado naquele período. O personagem é carismático, o mundo é colorido e as fases são bem divididas. Existe começo, meio e fim claros, o que ajuda a manter o ritmo do jogo.

Live do Canal Sega Retro BR de Croc

Ao mesmo tempo, a movimentação não é das mais precisas. Isso tem relação direta com o momento em que o jogo foi feito. O 3D ainda estava em evolução, e isso aparece aqui. Os controles podem parecer duros, e os acertos de colisão nem sempre são confiáveis. Mesmo assim, o jogo compensa com criatividade.

Os puzzles são mais presentes do que parece à primeira vista, e algumas fases exigem atenção real aos detalhes. É um jogo que lembra outros grandes nomes da época, mas não depende deles pra funcionar.

Gex

Gex tem uma proposta simples, mas funciona. Você controla uma lagartixa que vive dentro de um mundo inspirado na televisão. Cada fase segue um tema diferente, baseado em programas, filmes ou estilos específicos. A história é meio absurda, mas esse é o charme. O jogo não tenta ser sério. Ele aposta no humor e na variedade.

A jogabilidade é de plataforma, com alguns diferenciais. O personagem pode subir em paredes, usar a cauda como ataque principal e coletar itens que liberam novas áreas. O objetivo principal é pegar controles remotos espalhados pelas fases. Isso abre caminho para novas partes do jogo e leva até os chefes.

Não é um jogo extremamente difícil, mas também não é totalmente tranquilo. Alguns inimigos e situações podem irritar, principalmente quando a câmera ou o controle não ajudam. Ainda assim, é um jogo marcante pela identidade. Ele tem estilo próprio.

Panzer Dragoon Saga

Panzer Dragoon Saga é um dos jogos mais interessantes do Saturn. Ele foge completamente do padrão da série, de ser um shooter on rail, e entra de vez no território dos RPGs. Aqui, você controla um personagem que monta um dragão e explora um mundo com combates em turnos, encontros aleatórios e progressão típica do gênero.

Panzer Dragoon Saga
Panzer Dragoon Saga

O desenvolvimento do jogo foi complicado. Ele exigiu muito do hardware do console e passou por vários problemas. Isso inclui atrasos e até situações mais sérias dentro da equipe. Mesmo assim, o resultado final foi impressionante. O jogo recebeu muitos elogios na época e continua sendo lembrado como um dos melhores RPGs daquele período.

O problema é que ele teve distribuição limitada, principalmente fora do Japão. Isso fez com que se tornasse raro e caro com o passar do tempo. É um daqueles jogos que muita gente conhece, mas pouca gente jogou de fato.

Guardian Heroes

Guardian Heroes mistura ação com elementos de RPG de um jeito que não era tão comum na época. Ele segue o estilo beat ‘em up, mas adiciona escolhas que influenciam o rumo da história. Isso muda bastante a experiência. Dependendo das decisões, o jogo pode seguir caminhos diferentes e chegar a finais distintos.

Guardian Heroes
Guardian Heroes

A jogabilidade é rápida, com combates em tempo real e múltiplos planos de movimento. Ao mesmo tempo, existe evolução de personagem, o que aproxima o jogo de um RPG. Outro ponto que chama atenção é a trilha sonora e o estilo visual, que ajudam a dar identidade ao jogo. Ele não é só mais um beat ‘em up. Ele tenta fazer mais do que isso, e consegue.

Burning Rangers

É um jogo que foge do padrão e mostra um lado diferente do console.

Burning Rangers é um jogo diferente dentro da biblioteca do Saturn. Em vez de combate direto, ele foca em resgate. O jogador assume o papel de um membro de uma equipe futurista que combate incêndios. A missão é entrar em locais perigosos, encontrar pessoas e tirá-las dali com segurança.

Burning Rangers
Burning Rangers

O jogo se passa em ambientes fechados, com bastante fogo, fumaça e obstáculos. Isso cria uma sensação constante de urgência. A movimentação inclui uso de jetpack, o que adiciona uma camada extra à jogabilidade. Não é só andar e apertar botão. Existe posicionamento, controle de espaço e atenção ao ambiente.

Nights into Dreams

Nights into Dreams é um dos jogos mais associados ao Sega Saturn. Ele representa bem a tentativa da Sega de fazer algo único. A proposta gira em torno da sensação de voar. O jogo mistura elementos 2D e 3D para criar fases onde o jogador se move livremente pelo cenário, seguindo trajetórias específicas.

Nights Into Dreams
Nights Into Dreams

A estrutura é dividida em níveis que precisam ser completados com certa eficiência para liberar novas áreas. Existe um sistema de pontuação que incentiva repetir fases para melhorar desempenho. O visual é diferente, com um estilo mais voltado para fantasia e sonhos, como o próprio nome sugere.

Não é um jogo convencional. Ele exige adaptação, mas entrega uma experiência que poucos jogos da época tentaram.

Sonic X-Treme

No meu review de Sonic Mania, eu disse que a história de Sonic X-Treme ficava para outro dia. Bom, esse dia é hoje. Sonic X-Treme é um dos jogos mais importantes de Sonic e do Sega Saturn, porque ele foi um dos definidores do destino do console. E por quê? Porque ele nunca saiu! Sonic X-Treme entrou em um limbo de terror e sofrimento de desenvolvimento que nunca conseguiu sair e acabou com o jogo.

Sonic X-Treme tinha uma ideia de usar uma lente tipo “olho de peixe” para explorar mundos em 3D incríveis que mostraria todo o poder do console, incluir novos personagens, incluindo um interesse amoroso para o Sonic e uma aventura divertida. Mas, estavam com dificuldade de fazer isso, pois o Saturn era um console complicado de se trabalhar.

Um dos membros da Sega dos EUA conseguiu acesso a engine de Nights Into Dreams, um jogo do Saturn que já funcionava muito bem no console e começaram a fazer o jogo em cima dela. Mas, a Sega do Japão não tinha autorizado a Sega dos EUA a usar a engine e Yuji Naka, um dos “pais” do Sonic, disse que sairia da Sega se os estadunidenses usassem a engine. Então, eles tiveram que descartar tudo.

Na prática, haviam dois times que um não sabia muito bem o que o outro estava fazendo, trabalhando em ideias já descartadas enquanto o que deveria estar sendo feito ficava para trás. Sem ver o projeto ir para frente e querendo muito que seu jogo desse certo, o diretor Christian Senn começou a trabalhar sozinho em várias coisas, passou a dormir no escritório, assumindo para si responsabilidades muito altas a ponto de ficar doente pelo excesso de trabalho. Muito mal e afastou-se do projeto para se recuperar e o desenvolvimento bagunçado continuou, até que os executivos da Sega japonesa vieram ver o que a Sega dos EUA estava fazendo.

Eles mostraram os materiais que as equipes estavam desenvolvendo e ficaram muito irritados ao ver a bagunça que o projeto estava, sem ver o que Senn estava fazendo. Mesmo mal, ele correu até a reunião e tentou mostrar o seu projeto, mas os japoneses não quiseram saber e simplesmente mandaram eles recomeçar o jogo com base no pouco de material pronto que tinham visto, ignorando o que Senn tinha para mostrar.

O resultado: recomeçar do zero e, pelo pouco tempo que tinha, o jogo não ficou pronto e eles cancelaram tudo. Apesar de não ser confirmado, o que havia de “jogável” provavelmente se transformou no hub 3D da coleção Sonic Jam lançada para o Saturno algum tempo depois.

Sobre Sega Saturn

O Sega Saturn foi um console de jogos eletrônicos de quinta geração, lançado pela empresa Sega em 22 de Novembro de 1994 no Japão, 11 de Maio de 1995 na América do Norte, 30 de agosto de 1995 no Brasil e 8 de Julho na Europa. Foi o sucessor do bem sucedido Sega Genesis. O Saturn tem uma arquitetura de CPU dupla e oito processadores. Seus jogos utilizam a mídia CD-ROM e sua biblioteca de jogos contou com várias portes de jogos de arcade e também jogos originais desenvolvidos para o console.

O desenvolvimento do Saturn começou em 1992, no mesmo ano que um novo hardware de arcade 3D intitulado Model 1 da Sega havia sido lançado. O Saturn foi projetado em torno de uma nova CPU fabricada pela empresa japonesa de eletrônicos Hitachi. No final de seu desenvolvimento, a Sega adicionou um novo processador de vídeo no início do ano de 1994 para competir com o primeiro console da Sony, o PlayStation.

Tornou-se um console popular no Japão devido à seu marketing de sucesso, com o personagem Segata Sanshiro criado especialmente para o marketing do Sega Saturn, porém ele não conseguiu repetir o mesmo sucesso na América do Norte e na Europa diferente de seus concorrentes, o PlayStation e o Nintendo 64.

O console vendeu 9,26 milhões de unidades em todo o mundo, um fracasso comercial; o cancelamento de Sonic X-treme foi um dos fatores pelo seu baixo desempenho no mercado. O Saturn foi sucedido em 1998 pelo Dreamcast. O console foi descontinuado na Europa e Austrália em 1998, em Abril de 1999 na América do Norte e em 23 de Dezembro de 2000 no Japão.

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