Os jogos de Dragon Ball, não Dragon Ball Z ou Dragon Ball multiverso. Veja como a franquia começou nos games
Dragon Ball é uma das séries de anime mais antigas que existem e inspirou mais animes do que Goku tem de transformações. Mas, além do lendário anime, há também uma incrível quantidade de jogos, mais de 100, na verdade, muitos dos quais datam dos dias do NES, SNES e Famicom até o mais atuais como Sparking! Zero e FighterZ, sem contar jogos como Alex Kidd que, na verdade, seria um jogo de Dragon Ball, mas não foi por causa do licenciamento.
Criado por Akira Toryama, que faleceu recentemente, após o lançamento de seu último trabalho, Sand Land, e publicado pela editora Shonen Jump, a história de Dragon Ball (site oficial) gira em torno das Esferas do Dragão. Sete esferas que, quando reunidas, concedem um desejo a quem as reuniu através do lendário dragão Sheng Long.
Son Goku, um garoto super forte que ama artes marciais e tem um rabo de macaco, se reúne com a cientista e inventora genial Bulma em busca dessas esferas. Ao longo da jornada eles conhecem diversos amigos, como Pual e Yancha, o mestre Kame e inimigos terríveis como Picollo Daima Oh, a Força Red Ribbon e o Imperador Pilaf.
Se você jogou algum desses na infância, é provável que você nem sabia quem era Goku até ver ele no SBT e se lembrou dele, seja no seu Nintendinho 8 Bits ou em algum dos vários Famiclones vendidos no Brasil. Se você conhece algum desses jogos, deixa aí nos comentários. Se não, conheça alguns dos jogos focados na primeira fase de Dragon Ball.
Jogos de Dragon Ball
Dragon Ball: Shenron no Nazo – Famicom (1986)
O primeiro jogo de Dragon Ball é aquele típico caso de “eles ainda estavam entendendo o que fazer com isso aqui”. E isso fica muito claro desde os primeiros minutos.

Apesar de trazer o Goku criança como protagonista, o jogo não tenta seguir a história de forma fiel. Na verdade, ele parece mais um jogo de ação genérico da época que recebeu uma “skin” de Dragon Ball por cima. Você anda para a direita, derrota inimigos, coleta itens e avança pelas fases sem muita explicação do que está acontecendo.
O bastão mágico está ali, alguns elementos do universo aparecem, mas falta contexto. Os inimigos muitas vezes não fazem sentido dentro da obra e surgem mais como obstáculos do que como parte de uma narrativa.
Isso porque o jogo foi lançado enquanto a franquia estava só começando. O anime ainda não tinha desenvolvido suas principais sagas e o material para se inspirar era limitado. Então, em vez de adaptar, o jogo vai lá e faz qualquer coisa.
Mesmo com essas limitações, dá para ver um esforço em colocar algumas ideias do Dragon Ball, como a busca pelas esferas, ainda que de forma bem superficial. Não existe uma progressão narrativa clara, nem desenvolvimento de personagens. No fim, ele funciona mais como um registro histórico do que como uma adaptação real. É interessante de ver hoje, mas está longe de representar o que Dragon Ball realmente é.
Dragon Ball: Daimaō Fukkatsu – Famicom (1988)
Aqui já dá para perceber que os desenvolvedores começaram a entender, mas decidiram fazer isso de um jeito bem peculiar. você jogo com um sistema de cartas e cada ação depende de uma carta, desde andar pelo mapa até atacar em combate. Isso deixa o ritmo mais estratégico, mas também pode afastar quem espera algo mais direto.
Ao mesmo tempo, esse sistema permite um controle maior sobre o andamento das batalhas. Não é só apertar botão e sair batendo. Existe uma leitura do que está acontecendo, uma escolha do que fazer em cada momento.
O mais importante é que o jogo finalmente tenta contar uma história de verdade. A saga do Rei Piccolo é o foco, e o jogo acompanha esse arco com mais fidelidade do que qualquer título anterior. Você começa a ver personagens reconhecíveis, eventos importantes e uma sensação de progressão real dentro da narrativa. Não é só um cenário com elementos soltos, é um recorte da obra sendo adaptado.
Claro, ainda existem limitações. A forma como a história é apresentada é simples, e o ritmo pode ser meio travado dependendo de como você joga. Mas já existe intenção. Esse é o ponto em que os jogos de Dragon Ball começam a deixar de ser apenas inspirados e passam a tentar representar a obra.
Dragon Ball 3: Gokuden – Famicom (1989)
Se o anterior foi uma tentativa, esse aqui já é uma evolução clara do que estava sendo construído. O sistema de cartas continua presente, mas está mais refinado. A interface é mais limpa, as decisões são mais rápidas e o jogo flui melhor. Ainda não é perfeito, mas já não parece tão travado quanto antes.

O grande destaque, no entanto, está na forma como ele lida com a história. Aqui existe uma ambição maior de cobrir vários momentos importantes do Dragon Ball clássico em um único jogo. Os torneios de artes marciais ganham espaço, os conflitos com Piccolo são melhor desenvolvidos e o crescimento do Goku é mais perceptível ao longo da jornada. Existe uma tentativa de mostrar evolução, não só repetir eventos.
Além disso, o jogo melhora na forma como apresenta esses momentos. Ainda é limitado pela tecnologia, mas há mais contexto, mais ligação entre as partes e uma sensação de continuidade. Para um jogo de 8 bits, isso já é um salto considerável. Ele não apenas adapta, ele organiza a história de forma que faça sentido dentro de um videogame. É aqui que você começa a ver um Dragon Ball mais próximo do que os fãs reconhecem.
Dragon Ball: Advanced Adventure – Game Boy Advance (2004)
Esse jogo parece quase deslocado no tempo, e isso é um elogio. Depois de anos com o foco praticamente todo em Dragon Ball Z, ele volta para a fase clássica com uma clareza impressionante do que precisa ser feito.

O gameplay mistura plataforma com combate direto, mas o que chama atenção é o ritmo. O jogo é rápido, responsivo e entende bem como transformar o estilo do Goku criança em mecânica. O bastão, os golpes e os movimentos têm peso e funcionam de forma natural.
As fases são lineares, mas bem construídas, com variação de situações e inimigos que fazem sentido dentro do universo. Não é só sair batendo em qualquer coisa. A história é, talvez, o maior acerto. Ele percorre praticamente toda a jornada do Dragon Ball clássico, passando por momentos importantes como o encontro com Bulma, o Exército Red Ribbon, os torneios e os confrontos finais com Piccolo.
E o mais importante é que ele respeita esses momentos. Não corta tudo, não acelera sem motivo e não transforma a narrativa em pano de fundo. Além disso, o jogo ainda inclui um modo versus desbloqueável, trazendo um pouco do estilo de luta que a franquia adotaria depois, mas sem perder o foco principal.
É um dos poucos jogos que realmente entende o Dragon Ball clássico como uma aventura, não apenas como uma sequência de lutas.
Dragon Ball: Origins – Nintendo DS (2008)
Aqui a proposta muda bastante, mas faz muito sentido dentro do contexto da obra. Em vez de focar só na ação, o jogo aposta em exploração, interação e resolução de situações. O uso da tela sensível ao toque cria uma forma diferente de controlar o Goku, que se encaixa bem com a ideia de aventura.
O combate acontece em tempo real, mas não é o único foco. Você precisa explorar o ambiente, resolver pequenos desafios e avançar de forma mais pensada. Isso combina muito com o início do Dragon Ball, que é muito mais sobre jornada do que sobre combate constante.
A história cobre o começo da obra, com o encontro com Bulma, a busca pelas esferas e o treinamento com o Mestre Kame. Existe um cuidado maior com o ritmo, deixando os eventos acontecerem de forma mais natural.
Os personagens aparecem de forma mais contextualizada, e o jogo tenta dar espaço para as interações, não só para as batalhas. É um jogo que entende que Dragon Ball clássico não é só sobre lutar, e isso faz toda a diferença.
Dragon Ball: Origins 2 – Nintendo DS (2010)
A sequência não muda a base, mas melhora praticamente tudo o que o primeiro jogo apresentou. O combate é mais fluido, os controles são mais precisos e há mais variedade nas habilidades e nas situações. O jogo também amplia o número de personagens jogáveis em determinados momentos, o que traz mais dinâmica para a experiência.

A história continua diretamente do primeiro, focando principalmente no arco do Exército Red Ribbon. Isso permite um desenvolvimento maior do mundo e dos conflitos. Existe uma sensação de continuidade real. Não é um jogo separado, é uma extensão da mesma jornada.
Os cenários são mais variados, as situações são mais bem construídas e o ritmo é melhor equilibrado. Ele mantém o foco na exploração, mas adiciona mais ação quando necessário. No conjunto, ele funciona como a consolidação dessa proposta mais aventureira para o Dragon Ball clássico.
Dragon Ball: Revenge of King Piccolo – Wii (2009)
Esse jogo segue um caminho diferente dos Origins e aposta em algo mais direto. A estrutura é mais tradicional, com fases lineares, combate constante e progressão clara. Não há tanta exploração ou interação com o ambiente, e isso muda bastante a experiência.
O combate é simples, mas funcional. Você avança pelas fases derrotando inimigos e enfrentando chefes, com um sistema de upgrades que melhora o desempenho ao longo do jogo. A história cobre eventos importantes como o Exército Red Ribbon, os torneios e a saga do Piccolo, mas faz isso de forma mais condensada.
Não há o mesmo cuidado com o ritmo narrativo que vemos em outros jogos, mas ainda assim os momentos principais estão ali. Ele funciona mais como uma adaptação voltada para ação, sem tentar reproduzir toda a estrutura da obra original.
Dragon Ball GT: Transformation – Game Boy Advance (2005)
Mesmo sendo baseado em Dragon Ball GT, esse jogo acaba tocando em algo que remete diretamente ao Dragon Ball clássico. A fase inicial do GT, com o Goku criança viajando pelo espaço em busca das esferas, com a ajuda de Trunks e Pan, tem uma estrutura muito próxima da aventura original. E o jogo se apoia justamente nisso.

O gameplay segue o estilo de ação lateral, com progressão simples e combate direto. Você avança derrotando inimigos, acumulando pontos e enfrentando chefes ao final das fases. Existe um sistema de pontuação que se converte em dinheiro, permitindo desbloquear modos extras e melhorar a experiência.
A história cobre principalmente a busca pelas Esferas de Estrela Negra e o início da saga do Baby, mantendo esse clima de jornada.
Apesar de simples, ele consegue capturar um pouco dessa ideia de viagem e descoberta, mesmo dentro de uma estrutura bem limitada. No contexto geral, ele não é uma adaptação do Dragon Ball clássico, mas carrega elementos suficientes dessa fase para merecer ser lembrado.
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