Review de Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake

Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake

Duas japonesinhas magrinhas em uma vila cheia de espíritos só com uma câmera fotográfica? Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake é um terror que acerta na atmosfera, mas tropeça onde mais precisa funcionar

Jogos de terror existem em muitas formas e com várias histórias diferentes. Tem coisas bizarras e sem sentido, como Scorn, tem os mais psicológicos e cheios de ação, como Little Nightmares, e tem aqueles como Amnésia, que tentam te dar sustos com monstros aparecendo do nada. E tem games como Fatal Frame.

E se existe um ponto em comum em que praticamente todos os jogos da franquia Fatal Frame (site oficial) convergem é na forma como o jogo constrói um tipo muito específico de desconforto que vai além do susto imediato e se apoia em algo mais persistente, mais silencioso e, ao mesmo tempo, mais difícil de ignorar.

Não se trata de um terror com “jump scare” ou previsível, mas sim de uma experiência que se acumula com o tempo e que se sustenta principalmente pela ambientação, uso de som e como o próprio mundo é apresentado ao jogador, criando uma sensação constante de vulnerabilidade (você joga com uma japonesinha magrinha) que raramente acaba ao longo do jogo.

Em outras palavras, você está a todo momento esperando um encosto que aparecer, berrar na sua orelha e que vai dar um tapa na sua japonesinha e mandar ela “de arrasta”. E quando você parar de tremer e recuperar o controle depois do susto, sua personagem já está caída no chão e o “Game Over” está em vermelho na tela.

Ao mesmo tempo, esse mesmo jogo que demonstra uma maestria na construção dessa atmosfera, o jogo acaba batendo de frente com mecânicas que deveriam dar suporte a essa experiência, especialmente quando se trata do combate e de algumas escolhas de design que, em vez de reforçar a tensão, acabam quebrando o ritmo de forma perceptível.

Porém, a grande pergunta é: Vale a pena jogar o remake de Fatal Frame II? Se você não conhece a franquia, dá para entrar nela por essa porta? E quem jogou o original, vale a pena revisitar e tomar uns sustos? Vamos te falar e, se ficar com dúvidas, deixe um comentário.

Segura na mão da onee-chan e vai

Desde os primeiros momentos, dá pra perceber que o remake entende muito bem o material original e não tenta reinventar a roda, mantendo a base da história das irmãs Mio e Mayu presas na vila de Minakami, que parece existir fora do tempo e presa em um ciclo de sofrimento causado por rituais que claramente não terminaram bem.

A forma como a história é contada também continua a mesma, sendo fragmentada, pouco direta e muito mais preocupada em sugerir do que explicar, o que acaba sendo uma das marcas mais fortes da experiência, mas também um dos pontos que mais divide quem joga.

Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake
Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake

Por um lado, isso funciona muito bem para a imersão, porque o jogo não fica te dando tudo mastigado e te obriga a prestar atenção no ambiente, nos documentos espalhados pelo cenário e nos pequenos detalhes que ajudam a montar o quebra-cabeça do que realmente aconteceu ali. Isso faz com que o mundo pareça mais vivo, como se ele existisse independente de você estar ali ou não, e reforça bastante o clima de mistério.

Por outro lado, isso também pode afastar quem prefere uma história mais direta, com começo, meio e fim bem definidos, porque muitos dos temas que o jogo trabalha, como culpa, dependência emocional e perda, ficam meio escondidos atrás dessas lacunas e nem sempre têm um impacto tão forte quanto poderiam ter se fossem apresentados de forma mais clara.

Mesmo assim, dá pra perceber que houve um cuidado maior na forma como a relação entre Mio e Mayu é construída, principalmente por causa das melhorias visuais e das animações mais detalhadas, que ajudam a deixar essa conexão mais natural e menos “distante”. Pequenos detalhes, como o fato de você poder andar de mãos dadas com a sua irmã, ajudam bastante a reforçar esse vínculo e fazem diferença na forma como você enxerga a história, mesmo que não mudem completamente a forma como ela é contada.

Ambientação: o grande acerto do jogo

Se a narrativa ainda divide opiniões, a ambientação praticamente não tem discussão, porque aqui o jogo acerta muito e mostra exatamente por que Fatal Frame sempre foi tão forte nesse aspecto.

A vila de Minakami não é só um cenário bonito ou bem feito, ela funciona quase como um personagem, influenciando diretamente a forma como você joga, como você se move e até como você reage às coisas ao seu redor, criando uma tensão constante que não depende de inimigos aparecendo o tempo todo para funcionar.

A forma como o jogo trabalha luz e sombra é um dos pontos que mais chama atenção, porque ele não exagera na iluminação e usa fontes de luz bem limitadas, como lanternas, velas ou pequenos pontos de luz, criando um contraste que não é só estético, mas também influencia a jogabilidade, já que você nunca tem total certeza do que está na sua frente.

Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake
Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake

A escuridão aqui não é só um recurso visual, ela é parte do gameplay, porque faz você pensar duas vezes antes de avançar e te deixa o tempo todo em alerta, esperando alguma coisa sair dali.

O som também ajuda muito nesse processo, porque o jogo não fica usando música o tempo inteiro para te dizer quando algo vai acontecer, preferindo trabalhar com silêncio e ruídos ambientais, como passos, rangidos e objetos caindo ao fundo, que deixam aquela sensação constante de que alguma coisa está errada, mesmo quando não tem nada acontecendo de fato.

Essa combinação faz com que o terror funcione de forma mais psicológica, sem depender tanto de sustos diretos, e consegue manter o jogador desconfortável por muito mais tempo.

Combate: uma boa ideia que não funciona tão bem quanto deveria

O problema começa quando o jogo precisa transformar toda essa tensão em algo mais direto, principalmente no combate, que continua sendo uma das ideias mais interessantes da franquia, mas que aqui acaba não funcionando tão bem na prática.

A proposta de usar a câmera como única forma de defesa ainda é muito boa, porque te obriga a encarar o perigo de frente e esperar o momento certo para atacar, criando aquele risco de chegar mais perto do inimigo para causar mais dano, mas também se expor mais.

Só que, na prática, as coisas não fluem tão bem assim.

Um dos maiores problemas é o tempo que as lutas levam, porque muitos confrontos se estendem mais do que deveriam, e aquilo que no começo é tenso começa a ficar repetitivo. A primeira vez que um espírito aparece funciona muito bem, você fica travado, sem saber exatamente o que fazer, mas depois de algumas vezes, o impacto diminui bastante.

Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake
Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake

E quando o jogo começa a jogar vários inimigos ao mesmo tempo, a situação piora, porque em vez de aumentar a tensão, acaba virando bagunça. Você passa mais tempo tentando ajeitar a câmera e entender de onde vem o ataque do que realmente reagindo ao que está acontecendo, e isso quebra completamente o ritmo.

Outro ponto que incomoda bastante é o sistema que deixa os inimigos mais agressivos em certos momentos, porque, apesar de a ideia ser boa, a execução não é tão clara. Às vezes isso acontece sem muito aviso, ou mais de uma vez na mesma luta, e dá aquela sensação de que o jogo está sendo meio injusto.

Isso acaba atrapalhando a sensação de aprendizado, porque você nem sempre entende o que fez de errado ou como poderia ter evitado a situação.

Mecânicas demais para um sistema que precisava ser mais simples

Além disso, o jogo também complica mais do que precisava no sistema da câmera, colocando várias opções de lentes, upgrades e combinações, o que até parece interessante no papel, mas na prática acaba deixando tudo meio confuso.

O problema não é ter opções, mas sim a falta de clareza. O jogo não explica direito o que cada coisa faz ou qual impacto real elas têm, então você acaba tomando decisões meio no escuro, sem saber se aquilo realmente vai ajudar ou não.

Isso, junto com tutoriais que não explicam tão bem quanto deveriam, faz com que o sistema pareça mais complicado do que realmente é, criando uma barreira desnecessária logo no começo.

Nem tudo é problema

Apesar dessas questões, o remake também traz algumas melhorias que ajudam a dar mais variedade à experiência, principalmente fora do combate.

Elementos como furtividade, movimentação agachada e a possibilidade de evitar alguns confrontos ajudam a quebrar um pouco a repetição e dão mais opções para o jogador lidar com certas situações.

A exploração também melhora, com mais áreas e mais conteúdo espalhado pela vila, o que ajuda a deixar o mundo mais interessante e reforça a sensação de que aquele lugar tem uma história própria, mesmo que nem tudo seja explicado diretamente.

Veredito sobre Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake

Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake é um jogo que funciona muito bem quando você olha para aquilo que ele faz de melhor, que é a ambientação e a forma como constrói o terror, mas começa a perder força justamente quando precisa transformar isso em mecânicas que sustentem a experiência ao longo do tempo.

Ele não é um jogo confortável de jogar, e isso faz parte da proposta, mas também é um jogo que poderia ser muito mais consistente se alguns dos seus sistemas, principalmente o combate, fossem melhor resolvidos.

Mesmo assim, ele consegue preservar o que fez o original ser tão marcante e ainda entrega uma experiência que, apesar dos problemas, continua sendo relevante dentro do gênero, principalmente para quem gosta de um terror mais focado em atmosfera e na sensação constante de desconforto.

Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake

Paulo Fabris

Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake
É aquele tipo de jogo que vai te incomodar, às vezes vai te irritar, mas dificilmente você vai esquecer depois que terminar.
Gráficos
Música
Jogabilidade
Diversão
Preço

Prós e Contras

Prós:
Atmosfera extremamente imersiva
Terror psicológico constante
Ambientação muito bem construída

Contras:
Combate lento repetitivo
Mecânicas pouco claras
Ritmo quebrado frequentemente

4.2

Fale conosco nos comentários e diga se curtiu essa novidade e aproveite para ler mais notícias no nosso site.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *