Os 5 Mais Mentirosos Trailers de Games

Trailers de Games que mentiram na sua cara, prometeram tudo e não entregaram nada ou que subverteram todas as expectativas.

Assim como filmes, séries e até mesmo os produtos do dia a dia, como um carro, uma TV ou um sabão em pó, os comerciais têm que te mostrar o que você está comprando e te vender isso.

Mas, as vezes, o negócio sai o exato oposto. O trailer te mostra algo incrível, algo muito elaborado, uma história completamente diferente do que o jogo entrega no final. Em alguns casos a diferença é tão grande que gera revolta dos jogadores e pedido de reembolso.

Trailers de Games
O trailer de Dragon Age mentiu demais

Alguns casos, o que vemos no trailer é apenas o começo do que o jogo se tornará no futuro. Mas esses casos fizeram até surgir na tela a mensagem de “não representa o atual gameplay do jogo”. E é sobre isso que falaremos hoje: cinco trailers que mentiram (de propósito ou não) e, se vocÊ ficar na dúvida, deixe um comentário.

Dragon Age: Origins

A BioWare sempre teve um talento especial para criar RPGs com personagens memoráveis (sem contar que foi pioneira em romances entre personagens do mesmo gênero), escolhas que realmente faziam diferença na história, caminhos ramificados e um combate que exige estratégia. Tudo isso está presente em Dragon Age: Origins (site oficial), mas quem viu os trailers antes do lançamento provavelmente esperava um jogo bem diferente.

A culpa disso foi de dois trailers que mostravam uma coisa completamente diferente da experiência final.

O primeiro deles, We Are Grey Wardens, praticamente transformava o RPG em um jogo cheio de decapitação e ataques pesados. Parecia que ia ter sangue. Era uma coisa superousada, visceral e madura.

Depois veio Sacred Ashes, que aumentou essa expectativa. Além de apostar em um tom extremamente cinematográfico, o vídeo mostrava personagens com rostos muito mais realistas e armaduras cheias de detalhes, criando a impressão de que aquele seria o visual do jogo.

Só que, quando o jogo finalmente chegou às lojas, a realidade era outra. Apesar de não economizar no sangue, Dragon Age: Origins era muito mais focado no combate tático bem lento e monótono, na construção do grupo, nos diálogos e no desenvolvimento dos relacionamentos entre os personagens do que na violência mostrada nos trailers. Além disso que, na prática, Origins entregava gráficos bem mais simples.

Mesmo com um marketing que exagerou e mentiu muito, Dragon Age: Origins acabou conquistando o público. Seu universo rico, personagens extremamente carismáticos e um sistema de escolhas que realmente influenciava a campanha fizeram dele um dos RPGs mais aclamados de sua geração.

Doki Doki Literature Club!

Ao contrário da maioria dos jogos desta lista, os trailers de Doki Doki Literature Club! (site oficial) não mentiram por acaso. Eles esconderam qual era a do jogo de propósito, e isso deixou o jogo muito mais foda!

Para quem assistia o trailer, tudo parecia seguir a fórmula de uma visual novel normal. Garotas anime bonitinhas, música alegre, clima descontraído, romance colegial e um clube de literatura que parecia existir apenas para aproximar os personagens. Não tinha nada que dizia que aquele jogo gratuito da Team Salvato era algo muito mais perturbador.

Ainda assim, existia uma pista importante que muita gente interpretou errado. Desde o lançamento, Doki Doki Literature Club! recebeu classificação indicativa para maiores de 18 anos. Mas também, visual novel +18 existem aos montes! Ninguém esperava que o mais 18 não era por causa de sexo ou nudez!

Mas, depois de algumas horas a atmosfera leve de clube escolar desaparece completamente e dá lugar a um dos jogos de horror psicológico mais criativos dos últimos anos. O título brinca constantemente com as expectativas do jogador, mistura elementos de meta-horror e quebra a quarta parede de maneiras que poucos games conseguiram reproduzir depois.

Quem esperava apenas mais um simulador de namoro com eroge acabou encontrando uma experiência muito mais intensa e perturbadora do que qualquer trailer poderia entregar. Ai o vídeo de divulgação da versão expandida, Doki Doki Literature Club Plus!, preferiu não repetir a brincadeira afinal, todo mundo já sabia do que aquilo se tratava.

Tekken 5

O trailer de Tekken 5 (site oficial) talvez não fosse dos mais empolgantes, mas bastou uma única cena para fazer os fãs da franquia acreditarem que a Bandai Namco estava prestes a mudar completamente sua história. No encerramento do teaser, Kazuya abandona Heihachi Mishima para enfrentar sozinho dezenas de robôs Jack. Pouco depois, uma enorme explosão transforma o local em uma cratera enquanto a tela exibe uma mensagem bastante direta: “Heihachi Mishima… está morto.”

A ideia era ousada. Afinal, Heihachi sempre esteve no centro da franquia e sua morte prometia mudar completamente o rumo da história.

Só que essa mudança durou muito pouco. Durante o modo história, é revelado que Heihachi sobreviveu à explosão, mesmo estando praticamente no epicentro dela. A suposta morte acabou servindo apenas como uma estratégia de marketing para chamar a atenção antes do lançamento.

Curiosamente, isso não prejudicou a recepção do jogo. Muito pelo contrário. Tekken 5 é considerado por muitos fãs o verdadeiro retorno da série à sua melhor forma. Depois de Tekken Tag Tournament e Tekken 4 dividirem opiniões, o quinto jogo refinou praticamente tudo: combate mais rápido, gráficos melhores, um elenco excelente e mecânicas que voltaram a agradar tanto jogadores casuais quanto veteranos.

Os novos personagens fizeram tanto sucesso que vários deles continuaram aparecendo nos jogos seguintes. Como se isso não bastasse, a versão de PlayStation 2 ainda incluía Tekken, Tekken 2 e Tekken 3 como conteúdo extra.

Ainda assim, continua curioso pensar que um dos principais pontos da campanha de divulgação de Tekken 5 foi justamente a morte de Heihachi, algo que o próprio jogo tratou de desmentir pouco tempo depois.

No Man’s Sky

Desde o primeiro anúncio, No Man’s Sky (site oficial) era visto como um dos projetos mais ambiciosos da indústria. Desenvolvido pela Hello Games, um estúdio relativamente pequeno, o jogo prometia uma galáxia praticamente infinita para explorar, com trilhões de planetas gerados proceduralmente, batalhas espaciais, comércio entre facções, alianças, traições e até multiplayer. Era uma lista de promessas enorme, e os trailers faziam parecer que tudo aquilo já estava pronto.

O problema veio quando o jogo finalmente foi lançado. Embora realmente existissem inúmeros planetas para explorar, a maioria deles era bastante vazia e repetitiva, ficando longe dos ambientes exuberantes apresentados nas demonstrações. O multiplayer, outro dos recursos mais divulgados durante a campanha de marketing, praticamente não existia no lançamento, o que gerou uma enorme revolta entre os jogadores e levou muita gente a pedir reembolso.

Poucos jogos conseguiram dar a volta por cima como No Man’s Sky. Em vez de abandonar o projeto, a Hello Games passou anos lançando atualizações gratuitas que expandiram praticamente todos os sistemas do jogo. Hoje, ele oferece uma quantidade enorme de conteúdo, incluindo multiplayer completo, construção de bases, frotas espaciais, expedições e diversas mecânicas que ficaram de fora na estreia.

Quem joga No Man’s Sky atualmente encontra uma experiência muito mais próxima — e em alguns aspectos até superior — daquela vendida nos trailers originais. Ainda assim, é impossível esquecer o quanto a campanha de divulgação criou expectativas que o jogo simplesmente não conseguiu atender no lançamento.

Watch Dogs

Antes de chegar às lojas, Watch Dogs (site oficial) era tratado como uma verdadeira vitrine da nova geração. Apresentado durante a E3, o jogo da Ubisoft impressionou pelo visual, pela atmosfera e pela proposta de colocar o jogador no controle de um hacker capaz de manipular praticamente toda a cidade ao seu redor. Na época, parecia exatamente o salto tecnológico que muitos esperavam do PS4 e do Xbox One.

O problema é que a versão lançada estava bem longe daquilo que havia sido mostrado nas primeiras demonstrações. A mecânica de hackear praticamente tudo permaneceu, mas o visual sofreu um downgrade evidente. Iluminação, efeitos, densidade das ruas e diversos detalhes presentes na apresentação da E3 simplesmente desapareceram da versão final.

Essa diferença rapidamente virou assunto na internet. Vídeos comparando o trailer original com o jogo começaram a surgir aos montes, destacando como a Ubisoft havia reduzido a qualidade gráfica em relação ao material usado para divulgar o título.

A situação ficou ainda mais polêmica quando modders encontraram nos arquivos do próprio jogo recursos gráficos desativados, muitos deles identificados com a sigla “E3”. Depois de restaurarem esses efeitos, eles conseguiram deixar Watch Dogs muito mais próximo da versão apresentada anos antes, mostrando que boa parte daquele visual realmente existia durante o desenvolvimento.

Até hoje, esse downgrade continua sendo uma das maiores controvérsias envolvendo a Ubisoft. Embora Watch Dogs tenha dado origem a duas sequências, a franquia nunca conseguiu recuperar totalmente a confiança do público e acabou ficando em segundo plano dentro da empresa, sem qualquer perspectiva de um novo capítulo no futuro próximo.

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