Games Retrô Modernos: Os 10 jogos atuais com cara de quem rodava no Mega Drive

A tendência é voltar as origens com Games Retrô Modernos, sem tanto tutorial, sem gráficos de última geração mas com um incrível gameplay

A nostalgia nunca deixou de vender, mas nos últimos anos ela ganhou um verniz de sofisticação que poucos esperavam ver fora dos consoles clássicos. Estúdios independentes e gigantes da indústria perceberam que existe um público enorme disposto a pagar por pixel art refinada, trilhas sonoras em chiptune remasterizadas e mecânicas simples de aprender, porém difíceis de dominar.

Esse movimento não se restringiu a PC e consoles domésticos: boa parte dessa onda nasceu justamente pensando em jogos para celular, plataforma que democratizou o acesso a experiências curtas e viciantes, muito próximas do espírito arcade que definiu os anos 80 e 90.

A seguir, reunimos dez títulos que provam que os jogos retrô nunca foi embora de verdade, apenas esperou o momento certo para voltar com força total, muitas vezes atravessando do smartphone para telas maiores sem perder a essência e, se você ficar com dúvidas, deixe um comentário.

Horizon Chase Turbo e Horizon Chase 2

Poucos jogos brasileiros conquistaram tanto reconhecimento internacional quanto a franquia Horizon Chase, criada pela gaúcha Aquiris Game Studio. O primeiro título nasceu justamente como um dos jogos de celular mais elogiados de sua geração antes de migrar para consoles e computadores, homenageando clássicos de corrida arcade como Top Gear, Out Run e Lotus Turbo Challenge.

Horizon Chase 2
Horizon Chase 2

Não existe uma narrativa complexa guiando o jogador: o enredo se resume à jornada de um piloto que percorre circuitos ao redor do mundo, acumulando troféus e desbloqueando veículos cada vez mais rápidos. A jogabilidade aposta em curvas coloridas, trilhas compostas por Barry Leitch, lendário músico responsável por diversos games de corrida dos anos 90, e uma sensação de velocidade quase hipnótica.

Horizon Chase 2 expandiu essa fórmula com multiplayer local e online para até quatro pessoas, crossplay entre todas as plataformas e um sistema de progressão que permite evoluir o carro em cinco categorias distintas. O gênero de corrida arcade praticamente desapareceu das prateleiras físicas na década de 2000, engolido pela ascensão dos simuladores realistas como Gran Turismo e Forza, que passaram a dominar o imaginário dos jogadores de corrida.

A Aquiris apostou justamente na lacuna deixada por esses simuladores para reviver a diversão despretensiosa das corridas old school, sem freio de mão, sem física complicada e sem pit stop obrigatório.

Broforce

  • Plataformas: PC, PlayStation, Xbox e Switch
  • Desenvoldedor: Free Lives

Desenvolvido pelo estúdio sul-africano Free Lives, Broforce é uma sátira escancarada aos filmes de ação exagerados das décadas de 80 e 90. O jogo coloca o jogador no controle de clones paródicos de heróis como Rambo, Robocop e o Exterminador do Futuro, enviados para libertar reféns e explodir absolutamente tudo que aparece na tela.

A cada resgate bem sucedido, um novo “Bro” é liberado, criando um roster enorme de personagens jogáveis com habilidades diferentes.

A proposta central é o caos controlado: cenários inteiros de pixel art podem ser destruídos com explosivos, criando buracos no terreno e reações em cadeia entre inimigos. O gênero run and gun, que fez sucesso com Contra e Metal Slug nos fliperamas, praticamente sumiu das grandes produções porque exigia design de fases extremamente detalhado e não se encaixava na transição da indústria para mundos abertos em 3D. Broforce ressuscitou essa fórmula justamente explorando o exagero cômico como diferencial, transformando destruição em ferramenta de humor.

Shinobi: Art of Vengeance

  • Plataformas: PlayStation, Xbox, Switch e PC
  • Desenvolvedor: Lizardcube e SEGA

Lançado em agosto de 2025, Shinobi: Art of Vengeance marcou o retorno de Joe Musashi após quatorze anos sem um título inédito na franquia. Desenvolvido pela Lizardcube, mesmo estúdio responsável pelo aclamado remake de Wonder Boy e por Streets of Rage 4.

Games Retrô Modernos
Shinobi: Art of Vengeance

O jogo apresenta um Musashi que retorna ao seu vilarejo natal apenas para encontrá-lo destruído por um inimigo poderoso. Movido pela vingança, ele parte em uma jornada por cenários desenhados totalmente à mão, enfrentando chefes marcantes e reconstruindo a honra do clã Oboro.

A jogabilidade combina plataforma 2D com combate ágil, permitindo o uso de katana, kunai e técnicas de ninjutsu em combos fluidos. Apesar de conter elementos de exploração, o próprio estúdio deixou claro que não se trata de um metroidvania, mas sim de um jogo de ação dividido em fases, no estilo clássico que consagrou a série nos anos 80.

O subgênero de jogos ninja perdeu espaço no mercado justamente quando a indústria migrou para experiências tridimensionais mais lentas e cinematográficas, deixando de lado a velocidade e a precisão que caracterizavam esses títulos bidimensionais.

Streets of Rage 4

  • Plataformas: PC, PlayStation, Xbox e Switch
  • Desenvolvedora: Dotemu, Lizardcube e Guard Crush Games

A trinca de estúdios responsável por Streets of Rage 4 conseguiu algo raro: reviver uma franquia adormecida há mais de duas décadas sem trair sua essência.

A história acontece dez anos após os eventos do terceiro jogo original, quando uma nova organização criminosa liderada pelos gêmeos Y ameaça tomar o controle da cidade que os heróis Axel Stone e Blaze Fielding já haviam salvado no passado. Os dois retornam, acompanhados de novos lutadores, para colocar ordem nas ruas mais uma vez.

O beat em up, gênero que dominava os fliperamas com títulos como Final Fight e Double Dragon, sumiu quase completamente das grandes produtoras durante os anos 2000, substituído por jogos de luta tridimensionais e hack and slash mais complexos. Streets of Rage 4 provou que existia demanda reprimida por essa simplicidade visceral, unindo arte desenhada à mão com uma trilha sonora eletrônica que dialoga diretamente com a nostalgia dos fãs originais.

Sonic Mania

  • Plataformas: PC, PlayStation, Xbox e Switch
  • Desenvolvedor: Christian Whitehead, Headcannon e PagodaWest Games

Encomendado pela própria SEGA a fãs que se destacaram criando projetos amadores de altíssima qualidade, Sonic Mania trouxe de volta o ouriço azul ao formato que o consagrou originalmente. A trama segue Sonic, Tails e Knuckles investigando a energia misteriosa de uma pedra chamada Phantom Ruby, que cai nas mãos erradas do Dr. Eggman e de seus novos aliados, os Hard Boiled Heavies.

O jogo revisita fases icônicas do Mega Drive com novos segredos e apresenta fases completamente inéditas, mantendo a física de movimentação rápida que definiu a franquia. Os plataformas 2D de alta velocidade perderam espaço quando a própria SEGA insistiu em transformar Sonic em um personagem tridimensional durante anos, com resultados irregulares. Sonic Mania corrigiu essa rota ao mostrar que o público ainda enxergava valor no design de fases clássico, cheio de loops e caminhos alternativos.

Cyber Shadow

  • Plataformas: PC, PlayStation, Xbox e Switch
  • Desenvolvedora: Mechanical Head Studios e Yacht Club Games)

Criado quase inteiramente pelo desenvolvedor finlandês Aarne Hunziker, Cyber Shadow acompanha o ninja cibernético Shadow, reativado séculos após uma catástrofe que dizimou seu clã e transformou a humanidade em experimentos de um cientista corrupto. Armado apenas com sua espada e habilidades ninjutsu aprimoradas por implantes tecnológicos, ele parte para desmantelar essa organização e descobrir o que realmente aconteceu com seu povo.

Visualmente, o jogo homenageia diretamente títulos do NES como Ninja Gaiden e Shatterhand, reproduzindo até as limitações de paleta de cores da época. A precisão milimétrica exigida em cada pulo e ataque remete à dificuldade propositalmente punitiva dos jogos de 8 bits, um estilo que praticamente desapareceu quando a indústria passou a priorizar acessibilidade e tutoriais extensos para atrair públicos mais amplos.

Blasphemous

  • Plataformas: PC, PlayStation, Xbox e Switch
  • Desenvolvedora: The Game Kitchen

O estúdio espanhol The Game Kitchen construiu em Blasphemous um dos universos mais sombrios do gênero metroidvania recente. O jogador controla o Penitente, único sobrevivente de um massacre religioso, que desperta em um mundo dominado pela Milagre, uma força divina corrompida que transforma fiéis em criaturas grotescas. Sua jornada mistura redenção pessoal com a tentativa de compreender a maldição que consome toda a região de Cvstodia.

A ambientação bebe diretamente da iconografia católica espanhola, criando um contraste chocante com a violência explícita dos combates. Embora o metroidvania nunca tenha desaparecido completamente, ele viveu décadas de ostracismo comercial após o auge de Super Metroid e Castlevania: Symphony of the Night, sendo relegado a nichos até estúdios independentes provarem, com títulos como este, que ainda existia espaço para exploração não linear e progressão baseada em habilidades.

Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge

  • Plataformas: PC, PlayStation, Xbox e Switch
  • Desenvolvedora: Tribute Games e Dotemu

Ambientado cronologicamente entre a segunda e a terceira temporada do desenho animado clássico de 1987, Shredder’s Revenge coloca Leonardo, Michelangelo, Donatello e Rafael novamente contra o Destruidor e o Clã do Pé, que sequestram April O’Neil em um plano para dominar Nova York usando um dispositivo de controle mental. O jogo permite até seis jogadores simultâneos, incluindo personagens extras como Casey Jones.

A escolha estética de recriar fielmente o traço do desenho original, com animações fluidas em pixel art e vozes originais dos dubladores clássicos, tornou o título um fenômeno entre fãs nostálgicos. Assim como outros beat em ups desta lista, o gênero havia sido abandonado pelas grandes publishers, que consideravam o formato ultrapassado até estúdios como a Tribute Games provarem o contrário com vendas expressivas.

The Messenger e Katana Zero

  • Plataforma: PC, PlayStation, Xbox e Switch
  • Desenvolvedora: Sabotage Studio e Askiisoft

Fechando a lista, dois títulos que reinventam a estética ninja de formas distintas. The Messenger, do estúdio canadense Sabotage Studio, começa como um clássico jogo de ação em 8 bits inspirado diretamente em Ninja Gaiden, no qual um mensageiro precisa entregar um pergaminho sagrado através de um reino invadido por demônios. Na metade da aventura, o jogo surpreende ao saltar visualmente para os 16 bits, transformando a estrutura linear inicial em um metroidvania completo.

Já Katana Zero, desenvolvido pelo pequeno estúdio Askiisoft, mistura ação frenética com uma narrativa não linear cheia de reviravoltas. O protagonista é um assassino capaz de manipular o tempo, contratado para eliminar alvos em uma única noite, enquanto memórias fragmentadas revelam seu passado obscuro em experimentos militares. A estética synthwave e a trilha sonora eletrônica ajudaram a consolidar essa fusão entre nostalgia visual dos anos 80 e narrativa adulta, algo raro nos jogos originais que inspiraram o gênero.

Esses dez exemplos mostram que o chamado revival retrô não é apenas uma tendência passageira de marketing. Trata-se de uma resposta direta a lacunas deixadas pela própria indústria ao longo de décadas de perseguição por realismo gráfico e produções cada vez mais caras. Seja em consoles de última geração, seja nos milhões de jogos de celular disponíveis nas lojas de aplicativos, existe um público fiel disposto a redescobrir, com qualidade renovada, tudo aquilo que fez os fliperamas e os primeiros consoles domésticos serem tão especiais.

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Autor

  • Paulo Fabris

    Paulo Fabris é um jornalista, escritor, RPGista, gamer, cosplayer, nerd e fã de
    animes desde a época da TV Manchete.
    Trabalhou na redação de portais como o Cosplay Brasil, UmGamer, Married Games, Professor Smart e mais, além de ter trabalhos impressos em revistas especializadas em tecnologia de áudio e vídeo e automóveis.

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