Já pensou em ser a primeira cobaia humana de uma corporação farmacêutica disposta a qualquer coisa para criar armas biológicas vendáveis? Conheça a Paciente Zero em Resident Evil!
Por muitos anos a franquia Residente Evil da Capcom nos deu sustos com cachorros zumbis arrebentando janelas, gigantes de músculos correndo atrás de garotas de mini saia de látex, vampiras de 2 metros de altura e caras bombados dando muros em rochas. Nos conhecemos polícias com o cabelo do Leonardo Di Caprio que se envolviam em brigas de faca, exploramos mistérios insolúveis e aprendemos formas muito complicadas de abrir uma simples sala que envolve arrastar estátuas e procurar medalhões.
Mas, por muitos anos, uma coisa ficou sem explicação na franquia: Quem foi o primeiro zumbi? Quem foi o paciente zero de Resident Evil?
Se você já se perguntou isso e nunca encontrou a resposta, então, nós vamos falar sobre Lisa Trevor e como ela se tornou o primeiro zumbi de Resident Evil da Capcom e como o experimento saiu do controle, dando início a uma das maiores franquias de survival horror de todos os tempo. E, se você ficar com dúvidas, é só deixar um comentário.
Paciente Zero em Resident Evil
O jogo por trás da revelação
Resident Evil nasceu em 1996 para o PlayStation, desenvolvido e publicado pela Capcom, dando origem a um dos gêneros mais influentes da história dos videogames, o survival horror. A história acompanha a equipe Bravo do esquadrão S.T.A.R.S., enviada para investigar uma série de assassinatos bizarros na Floresta Arklay, nos arredores da fictícia Raccoon City.
Depois do helicóptero da equipe cair e o contato ser perdido, a equipe Alpha, formada por personagens como Chris Redfield, Jill Valentine, Albert Wesker e Barry Burton, é enviada em missão de resgate e acaba refugiada dentro de uma mansão isolada nas montanhas. É ali que os sobreviventes descobrem zumbis, cães mutantes e criaturas ainda piores, todos ligados a experimentos secretos conduzidos pela Umbrella Corporation, farmacêutica que, por trás da fachada legítima, desenvolvia armas biológicas havia anos.
A revelação completa sobre Lisa Trevor, porém, não estava no jogo original de 1996. Ela foi introduzida oficialmente em Resident Evil, o remake dirigido por Shinji Mikami e lançado em 2002 para GameCube, posteriormente relançado em alta definição para PC, PlayStation 3, Xbox 360, PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch.
Foi essa versão expandida que adicionou os diários da família Trevor, além de transformar Lisa em uma perseguidora recorrente pelos corredores e subterrâneos da mansão, tornando explícito que os horrores enfrentados por Chris e Jill tinham uma origem muito mais pessoal e trágica do que qualquer relatório corporativo jamais admitiria.
Quem era Lisa Trevor? A pessoa por trás do horror
Lisa Trevor nasceu por volta de 1953 e era filha de George Trevor, o arquiteto contratado em 1967 por Oswell E. Spencer, um dos fundadores da Umbrella, para projetar a mansão que serviria de fachada para um laboratório secreto nas montanhas Arklay.

Para garantir que os segredos do projeto nunca vazassem, Spencer decidiu que George e toda sua família se tornariam hóspedes permanentes da propriedade assim que a construção terminasse, um eufemismo cruel para o que realmente aconteceria com eles. Jessica, mãe de Lisa, e a própria garota, então com apenas quatorze anos, chegaram à região antes de George e foram imediatamente capturadas pelos agentes de Spencer, levadas para o laboratório subterrâneo escondido sob a mansão que ainda nem tinha sido terminada.
Em 10 de novembro de 1967, Jessica e Lisa se tornaram os primeiros seres humanos a receber injeções do recém-descoberto Vírus Progenitor, substância que Spencer acreditava ter potencial para criar seres humanos aprimorados através de manipulação genética, desde que fosse devidamente alterada para funcionar em pessoas. Jessica recebeu a variante conhecida como Tipo-A, enquanto Lisa recebeu o Tipo-B.
O corpo de Jessica simplesmente rejeitou o vírus, sem apresentar reação significativa, o que a tornou, aos olhos frios dos cientistas da Umbrella, um experimento fracassado e descartável. Lisa, ao contrário, reagiu de forma completamente diferente.
Seu corpo aceitou o vírus e começou a se adaptar a ele, tornando-a, segundo registros posteriores da própria organização, a primeira pessoa a se adaptar com sucesso a uma cepa do Vírus Progenitor desde, possivelmente, o período Neolítico.
Como o experimento saiu do controle
O sucesso biológico de Lisa rapidamente se transformou em pesadelo. Enquanto o corpo dela se adaptava ao vírus, sua mente entrava em colapso acelerado, e os pesquisadores passaram a testar variações cada vez mais agressivas da substância nela, incluindo, mais tarde, outros patógenos como o próprio vírus Ebola, em busca de entender os limites da resistência daquele organismo tão peculiar. O resultado foi uma deformação física severa, com o corpo de Lisa desenvolvendo força descomunal, membros desproporcionais e uma resistência a dano que beirava o sobrenatural, ao mesmo tempo em que sua sanidade se deteriorava de forma irreversível.

Separada da mãe, que já havia sido executada por Spencer por não apresentar utilidade científica, Lisa desenvolveu uma obsessão desesperada por reencontrá-la. Para tentar mantê-la sob controle emocional, os próprios funcionários da Umbrella chegaram a se disfarçar de Jessica, mas Lisa via através do disfarce e, em um dos episódios mais perturbadores de toda a lore da franquia, arrancava o rosto artificial dos impostores, guardando os pedaços como se fossem parte da mãe verdadeira que um dia poderia devolver a ela. Esse comportamento cada vez mais violento e imprevisível deixou claro que Umbrella não tinha mais controle real sobre aquela cobaia, apenas uma capacidade cada vez menor de contê-la fisicamente dentro do complexo.
As consequências científicas do experimento
Apesar do colapso mental de Lisa, o valor científico dela para a Umbrella só cresceu ao longo dos anos seguintes. Foi justamente o pesquisador James Marcus, cofundador da companhia ao lado de Spencer, quem combinou o Vírus Progenitor com DNA de sanguessugas para criar uma nova cepa batizada de Vírus-T, o mesmo patógeno responsável, décadas depois, por transformar moradores inteiros de Raccoon City em mortos-vivos.
Depois que Marcus foi assassinado a mando do próprio Spencer, executado por dois de seus assistentes mais próximos, William Birkin e Albert Wesker, foi Birkin quem assumiu a continuidade das pesquisas usando o corpo de Lisa como base, testando nela variantes cada vez mais sofisticadas do Vírus-T sob supervisão direta de Spencer.
O tecido genético de Lisa também acabou se tornando, segundo registros posteriores da própria franquia, a origem direta do Vírus-G, a arma biológica que Birkin desenvolveria muito mais tarde e que protagonizaria os eventos de Resident Evil 2. Em outras palavras, praticamente todo o arsenal viral que definiria o restante da saga, do T-Virus ao G-Virus, remonta de alguma forma ao corpo daquela garota capturada ainda adolescente e transformada, contra a própria vontade, em uma espécie de incubadora viva para a pesquisa bioarmamentista da Umbrella.
O destino final da paciente zero

Depois de vinte anos sendo usada como cobaia contínua, a utilidade oficial de Lisa para a Umbrella chegou ao fim em 1988, quando os cientistas isolaram do sangue dela uma nova cepa batizada de Vírus Golgotha. Considerando que já haviam extraído tudo que precisavam, a companhia decidiu executá-la.
O problema é que, àquela altura, as capacidades regenerativas do corpo de Lisa já eram tão avançadas que ela simplesmente sobreviveu à própria execução planejada, algo que os responsáveis pelo projeto sequer previram como possibilidade real.
A partir daí, Lisa passou a viver sozinha nas montanhas Arklay, praticamente esquecida pela própria organização que a criou, até se envolver diretamente no chamado Incidente da Mansão em 1998, justamente os eventos retratados no primeiro Resident Evil.
No remake de 2002, ela aparece como uma perseguidora praticamente impossível de matar por meios convencionais, já que qualquer ferimento se regenera quase instantaneamente, obrigando Chris ou Jill a recorrerem a armadilhas específicas do próprio cenário para tentar sobreviver aos encontros com ela.
O fim de Lisa Trevor acontece durante o clímax do jogo, quando o complexo subterrâneo da Umbrella sob a mansão é destruído em uma explosão de autodestruição, finalmente encerrando, à força, mais de trinta anos de sofrimento ininterrupto que começaram com uma simples injeção aplicada em uma menina de quatorze anos que só queria proteger a própria família.
Curioso como Resident Evil, um jogo lembrado majoritariamente pelos sustos e pelos zumbis, esconde no fundo de sua lore uma das histórias mais trágicas já contadas pela Capcom? Conta pra gente nos comentários se você já tinha ouvido falar da história de Lisa Trevor antes? Conhecia a paciente zero? Fale conosco nos comentários e diga se curtiu essa novidade e aproveite para ler mais notícias no nosso site.
