Goldilock One: The Mists of Jakaíra

Goldilock One: The Mists of Jakaira

A demo de Goldilock One: The Mists of Jakaíra está disponível na Steam e vem com um potencial criativo e ambições enormes para um estúdio cabixaba. Saiba se vale a pena esperar por ele

Goldilock One: The Mists of Jakaíra (site oficial) é um RPG de ação com elementos de sobrevivência, desenvolvido e publicado pela Shed of Ideas, um estúdio independente brasileiro localizado no Espirito Santo, que participou de eventos como a BGS e já conquistou prêmios em festivais nacionais de jogos. Inclusive eu tive a chance de conversar com eles lá.

Ambientado em Nebegarde, um mundo-prisão frio e hostil, o jogo coloca você no papel de um exilado com a memória apagada, tentando sobreviver contra todas as probabilidades.

Goldilock é um projeto indie ambicioso e, embora ainda não seja perfeito, as peças estão começando a se encaixar de uma forma cada vez mais interessante. Meu primeiro contato com ele foi durante uma das BGS em que falei com a equipe e eles me enviaram uma demo onde você tinha que enfrentar um golem bastante difícil. Eu não venci ele. Admito.

Agora, nesta prévia disponibilizada na Steam, compartilharei o que mais me chamou a atenção, onde o jogo ainda precisa de melhorias e por que acho que vale a pena ficar de olho nele. Vamos falar de Goldilock One: The Mists of Jakaíra e, se ficar com dúvidas, deixe um comentário.

“Nossa força construiu esse planeta”

Na nação de Durmot, por gerações, apenas os mais fortes e hábeis conseguiam fazer parte da elite da nação. Os fracos deveriam aprender a lutar para sobreviver, deixar o medo de lado e se tornarem tão fortes quanto possível. Os mais fortes e capazes se tornavam “Gigantes”, pessoas com uma força e tamanho acima dos outros e eles são os responsáveis por manter a nação unida e próspera, enfrentando os monstros e criaturas que ameaçam Durnot.

Mas é claro, mesmo entre os mais honrados guerreiros, ainda existem aqueles que usam métodos questionáveis e traição para alcançar seus objetivos. Mas seja através de métodos escusos ou através do sacrifício, sangue e suor, todos os Gigantes buscam se tornarem um Mestre da Arena. Um Herói que deve viver por suas crenças e convicções. Algo que muitas vezes, não lhes deixa ver a malícia e a traição quando elas estão chegando.

E esse é você, Urian. E esse é o seu destino.

Traído e exilado no frio mortal da prisão de Nebegarde, um lugar cheio de prisioneiros e traidores, onde os mais fracos morrem, você deve lutar para recuperar sua honra. Você foi atacado por uma criatura monstruosa, encontrado e levado a um lugar seguro, a Vila Tenondé, ajudado e cuidado por uma figura desconhecida, uma mulher chamada Ayana. Sua missão agora é simples: sobreviver em meio ao frio e reconquistar sua glória. Você será capaz de fazer isso?

Primeiras Impressões

O jogo combina combate, exploração, criação de itens e interações com NPCs. Atualmente, não foi lançado, mas há uma demo jogável no Steam que demonstra muitos dos sistemas principais. Segundo os desenvolvedores, esta demo representa uma versão reduzida do jogo final, mas a maioria das mecânicas principais já está implementada.

Ele já venceu prêmios como:

  • Finalista ao prêmio de melhor Jogo na Lisboa Games Week
  • Melhor Tecnologia na SBGames 2025
  • Prêmio de Melhor Arte na Headcon 2025
  • Melhor jogo na SBGames de 2025

A primeira coisa que me chamou a atenção foi o estilo artístico. Goldilock One aposta em visuais cel-shaded que me fizeram lembrar imediatamente de Borderlands. Não é uma cópia direta, no entanto. Os desenvolvedores misturam estilização com elementos mais realistas, dando ao mundo uma aparência híbrida que parece uma graphic novel que ganhou vida.

Mesmo quando alguns ambientes pareciam vazios, os visuais me cativaram. A forma como o mundo é sombreado adiciona textura e personalidade, tornando a exploração mais recompensadora do que seria de outra forma. Foi uma escolha inteligente para uma equipe capixaba, mostrando um design artístico forte que pode fazer muita diferença no jogo quando os recursos são limitados.

Goldilock One: The Mists of Jakaira
Goldilock One: The Mists of Jakaira

O cenário é tão importante quanto os visuais, e aqui também, Goldilock One demonstra potencial. A demo começa na Vila Tenondé, uma área central onde você aceita missões e eventualmente ganha uma arma que permite viajar para além da zona segura. De lá, você pode acessar o Altar de Jakaíra e mergulhar em uma masmorra repleta de criaturas, quebra-cabeças e um encontro com o chefe Gigante Infectado Mexper.

Gostei da sensação de mistério presente no mundo. As paisagens envoltas em névoa criam uma atmosfera de perigo e descoberta. Mesmo que algumas áreas parecessem pouco povoadas, pude ver a estrutura de um mundo que ganhará vida com mais refinamento. Jogos como este prosperam com a atmosfera, e Goldilock One já plantou as sementes para isso.

Combate, Criação e Sobrevivência

Em termos de jogabilidade, a demo já possui uma profundidade surpreendente. O combate é em tempo real, com armas de combate corpo a corpo sendo sua principal linha de ataque. Há também um sistema de gerenciamento de recursos que te faz pensar em como abordar as lutas, em vez de simplesmente apertar botões aleatoriamente.

A criação também desempenha um papel importante. Você pode coletar materiais, aprimorar equipamentos e usar Cristais N’skita para modificar atributos ou desbloquear novos efeitos. É evidente que os desenvolvedores querem que este jogo seja mais do que um simples hack-and-slash. Há indícios de um ciclo de sobrevivência mais profundo, onde cada recurso e decisão importa.

Goldilock One: The Mists of Jakaira
Goldilock One: The Mists of Jakaira

Dito isso, o balanceamento do combate ainda não é perfeito. Alguns inimigos pareceram muito resistentes e, às vezes, o ritmo ficou arrastado. Esses são os tipos de problemas que espero que sejam resolvidos durante o Acesso Antecipado, então não estou muito preocupado, mas eles se destacaram durante meu tempo com a demo.

O Ponto Fraco da Demo

Onde Goldilock One mais peca no momento é na sua escrita. Os diálogos muitas vezes soam superficiais e a apresentação do texto não contribui para elevá-los. A começar pela premissa: um prisioneiro sem memória, forçado a sobreviver em um mundo hostil, que já um pouco “básica” demais, eu esperava que as conversas me envolvessem mais para me fazer entrar no mundo. A cutscene inicial, embora bacana e bem animada, me deu uma sensação de Espartanos ou Vikings, com um monte de caras fortões se batendo e depois comemorando juntos.

Ter diálogos tão sem vida é algo que limita a experiência. Em RPGs com foco na narrativa, diálogos afiados e vozes marcantes para os personagens são essenciais para a imersão. No momento, muitas falas parecem genéricas ou pouco desenvolvidas. Se o roteiro puder ser aprimorado antes do lançamento completo, o jogo se tornará muito melhor. E também espero uma customização do Urian e, talvez, opções de gênero, mas, pela premissa, é algo que acho improvável de ter.

Potencial para Cooperativo e Multijogador

Um recurso que, na minha opinião, merece mais atenção é a inclusão do modo cooperativo local com tela dividida e suporte ao Remote Play Together. Para um jogo indie como este, isso é um grande diferencial. RPGs costumam ser jogos para um jogador, mas a opção de explorar Jakaíra com um amigo adiciona uma camada extra de atratividade.

Os desenvolvedores também insinuaram a possibilidade de conteúdo PvP no futuro. Isso não é tão relevante para mim pessoalmente, mas demonstra que a equipe está pensando em maneiras de estender a vida útil do jogo além da história principal.

Veredito sobre Goldilock One: The Mists of Jakaíra

A boa notícia é que os desenvolvedores brasileiros estão adotando uma abordagem de Acesso Antecipado, o que significa que o feedback da comunidade terá um papel importante na definição do jogo final. De acordo com a página do Steam, as atualizações expandirão o mundo com novas missões, áreas e NPCs, além de mais refinamento em geral.

Goldilock One: The Mists of Jakaira
Goldilock One: The Mists of Jakaira

A decepção fica por conta da narrativa ainda fraca e a falta de uma customização do personagem me deixaram um pouco desanimados. É normal ter um personagem pré-definido para uma aventura singleplayer com o foco em narrativa, mas, para jogos em que envolvem multiplayer e sobrevivência, poder cria seu próprio avatar é o esperado.

Se a equipe conseguir manter esse plano, não há razão para que Goldilock One não se torne uma joia escondida. A base já é sólida, e a disposição para iterar com base na opinião dos jogadores é um forte sinal.

Goldilock One: The Mists of Jakaíra

Paulo Fabris

Goldilock One: The Mists of Jakaira
Goldilock One tem se destacado em eventos de jogos, inclusive recebendo prêmios e indicações em festivais como o SBGames, onde foi reconhecido em categorias como Melhor Jogo e Melhor Tecnologia em 2025. Isso aponta para algum reconhecimento dentro da cena brasileira de desenvolvimento de jogos indie e um futuro promissor.
Gráficos
Música
Jogabilidade
Diversão

Prós e Contras

Prós
• Direção de arte que diferencia o jogo.
• Atmosfera que desperta curiosidade.
• Uma variedade de mecânicas já em jogo.
• Opções cooperativas.
Contras
• Diálogo e narrativa.
• Densidade do mundo.
• Equilíbrio do combate.
• Apresentação do texto e da interface do usuário.

3

Sobre Shed of Ideas

Shed of Ideas é além de um estúdio de desenvolvimento de games, uma iniciativa de formação de micro-células com ecossistemas auto-sustentáveis de desenvolvimento de games através de programas de mentoria proporcionando aos estudantes ainda em fase discente o contato com o desenvolvimento aplicado em projetos originais.

O estúdio capixaba, em fase de tração na região Nordeste do Espírito Santo (Brasil), busca validação com o lançamento de um primeiro grande título para expandir a iniciativa em novas células criativas.

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