Review: Warhammer 40,000: Mechanicus II

Veja oque achamos do novo jogo de estratégia da Bulwark Studios, Warhammer 40,000: Mechanicus II

Warhammer é um tipo de jogo que eu não conheço muito, mas queria conhecer muito mais. O jogo tem uma lore enorme, romances e jogos numerosos que constroem uma incrível história, cheia de personagens interessantes, planetas e facções. Eu realmente gostaria de conhecer mais a história do universo de Warhammer, mas não sou o melhor jogador de RTS que existe por aí.

Dito isso, quando peguei para jogar Warhammer 40,000: Mechanicus II (site oficial) e, por mais que eu tenha entrado em um universo cheio de lore e numa jornada já começada pelo jogo anterior, não me senti perdido no universo. Claro, tem coisas que só quem conhece o game de longa data é que vai entender tudo oque está acontecendo na tela, mas dá para acompanhar bem o enredo do jogo, mesmo sendo um novato na franquia.

Mas, será que vale a pena arriscar entrar nessa jornada sendo um completo novato? Dá para se envolver no universo de Warhammer sem conhecer os jogos anteriores? E, o mais importante, vale a pena pagar os R$ 179 pedidos pelo game? Vamos analisar o mais novo jogo de Warhammer e, se ficar com dúvidas, deixe um comentário.

Maior e mais denso

O primeiro Warhammer 40.000: Mechanicus tinha uma energia brutalista e tátil muito específica. Era denso em história, com uma estranha obsessão religiosa e um combate tático surpreendentemente tenso para um jogo sobre sacerdotes robôs lentos invadindo tumbas. E o segundo game expande isso muito mais.

A escala desse jogo é imediatamente maior.

Warhammer 40,000: Mechanicus II
Warhammer 40,000: Mechanicus II

Você não passa mais o jogo inteiro rastejando por ruínas claustrofóbicas. Agora é um conflito planetário completo, com o Adeptus Mechanicus lutando contra as forças Necron despertadas, lideradas por Vargard Nefershah. A possibilidade de jogar com ambos os lados dá à sequência muito mais personalidade desde o início.

A campanha Necron se destaca especialmente por inverter a perspectiva de uma forma divertida. Um dos lados deixa de achar que são heróis muito rapidamente quando vistos pelos olhos de máquinas antigas e imortais que enxergam o Império como invasores escavando em lugares onde nunca deveriam ter tocado.

Imagine jogar Tomb Raider pela perspectiva dos donos originais das tumbas e ruínas que Lara Croft invade e rouba? Dá outra perspectiva, não é?

Visuais e Som

Musicalmente, este jogo é bem distinto do anterior, especialmente considerando que o compositor, o músico Guillaume David, que foi o mesmo compositor da trilha do primeiro jogo. O estilo das músicas difere radicalmente. Se você esperava uma trilha igual a anterior, que poderia ser descrita como “agressiva” ou “intrusiva” demais, talvez é bom você já baixar as expectativas.

O fato de você poder comprar a trilha sonora do Mechanicus original como DLC no lançamento da sequência já diz muita coisa. Assim como o famoso DLC de sangue de Total War: Warhammer, isso demonstra que até os desenvolvedores reconhecem que algo importante está faltando na experiência principal.

Warhammer 40,000: Mechanicus II
Warhammer 40,000: Mechanicus II

Quanto às atuações de voz, também há uma observação. Comparado ao Mechanicus I, mas um dos pequenos detalhes brilhantes daquele jogo que ajudava a dar um clima ainda mais imersivo ao jogo era que apenas os Necrons falarem em inglês, enquanto os personagens do Cult Mechanicus se comunicavam através de uma cacofonia tecnológica parecida com um código de programação.

Em Mechanicus II, o padrão é todo mundo falar inglês, embora exista a opção de voltar ao estilo de fala do game anterior que foi adicionada após a reação negativa ao demo do jogo. Ainda assim, a quantidade de falas em estilo binário é mínima e claramente parece uma adição de última hora.

Independentemente da escolha, durante os combates você ouvirá as falas em inglês. Por um lado, as atuações dos atores de voz são ótimas. Por outro lado, tematicamente, transformar os protagonistas em algo mais alienígena do que os robôs literais era uma escolha fantástica de contraste.

Vale destacar também que os Necrons possuem muito menos falas disponíveis. Nenhum de seus líderes recebe algo próximo da atenção dada aos personagens nomeados que retornam do primeiro jogo.

O combate tático

Agora cada batalha é liderada por um líder específico, até cinco para cada facção. São os antigos personagens que davam missões no jogo original, agora participando diretamente do campo de batalha.

Ao longo do jogo você os aprimora gradualmente, desbloqueando armas e habilidades que permitem estilos de jogo bem diferentes. O problema é que, ao atrelar tanto a mecânica aos personagens nomeados, cada missão exige que eles sobrevivam a todos os combates.

Warhammer 40,000: Mechanicus II
Warhammer 40,000: Mechanicus II

Em vez de avançar com seus líderes atacando o inimigo, você frequentemente fica escondido, aparecendo apenas para garantir eliminações importantes e evitar reiniciar a missão. Isso é frustrante e muito pouco “Warhammer 40k”.

Em vez de montar seu esquadrão personalizado de tecnossacerdotes especializados, acompanhados de algumas tropas, Mechanicus II gira muito mais em torno das tropas comuns levadas para combate, com forte foco em cobertura e geração de recursos.

O combate gira em torno dos cognition points, uma espécie de recurso compartilhado que alimenta várias ações da equipe.

E isso muda bastante a forma como você pensa cada batalha. Não é só andar e atirar. Você fica o tempo inteiro administrando recursos, escolhendo quando gastar pontos, quais habilidades ativar e como transformar o próprio mapa em vantagem.

E o combate é muito mais agressivo do que parece inicialmente. Não existe aquele foco enorme em coberturas tradicionais iguais vários RTS modernos fazem. Os ataques acertam com frequência, os inimigos batem forte e o jogo gira muito mais em torno de gerenciamento de armadura, dano energético, posicionamento e habilidades especiais.

Quando você erra uma leitura, o estrago normalmente vem rápido. Principalmente no começo da campanha, quando sua equipe ainda parece frágil demais perto das máquinas assassinas dos Necrons.

Robôs e Recursos

Já que o conflito agora ocorre em escala planetária, e não apenas em tumbas isoladas, vários sistemas também mudaram.

Em vez de existir um cronômetro constante exigindo que você gastasse recursos e ações destruindo painéis de controle valiosos para atrasar a ameaça crescente, o senso de urgência em Mechanicus II vem através de missões temporárias que simplesmente aparecem… e você faz quando quiser.

Warhammer 40,000: Mechanicus II
Warhammer 40,000: Mechanicus II

Como os líderes não utilizam mais o mesmo recurso empregado para mobilizar tropas, depois do início do jogo praticamente desaparece qualquer pressão econômica, exceto nas dificuldades mais altas.

As missões fornecem fichas específicas para melhorar os líderes utilizados, então aqueles que você ignora ficam para trás. Isso significa que, na prática, você acaba alternando apenas entre dois ou três personagens principais durante toda a campanha.

A movimentação também perdeu importância. No primeiro jogo, era necessário obter cognição de pilares espalhados pelo mapa para usar suas melhores armas. Agora, cada tropa gera Cognição automaticamente ao desempenhar sua função: Rangers atiram à distância, Servitors apanham, e assim por diante.

Os Necrons possuem um sistema diferente para gerar Dominion, seu recurso próprio, acumulando dano de forma bastante interessante embora simples. O problema principal é que gerar esses recursos quase nunca envolve risco ou custo de oportunidade. Se você estiver apenas fazendo o que já deveria fazer naturalmente, normalmente terá Cognição ou Dominion suficientes durante toda a luta.

Só que aí acontece uma coisa curiosa: quanto mais você entende o sistema, mais poderoso você fica. E muito poderoso mesmo. Mechanicus quase vira outro jogo depois que as builds começam a encaixar. Você desbloqueia armas melhores, implantes absurdos, habilidades fortes demais e começa a transformar seus tecnosacerdotes em monstros mecânicos capazes de destruir grupos inteiros de inimigos em poucos turnos.

Existe um prazer enorme nisso porque o jogo realmente deixa você brincar com as possibilidades. Cada sacerdote vai virando um pequeno projeto tático. Um focado em dano pesado, outro em suporte, outro em invocação, outro em combate corpo a corpo.

Problemas Técnicos

Mechanicus II trocou amplitude de customização por profundidade, liberdade de combate por funções rígidas e sistemas de tensão e risco por uma narrativa melhor. Porém, o jogo precisa desesperadamente de patches. Há conquistas bugadas, melhorias de unidades quebradas, soft locks e otimização ruim a ponto de algumas GPUs entrarem em throttling para evitar superaquecimento.

O jogo é bonito, mas não bonito o suficiente para justificar ventoinhas funcionando no máximo constantemente. Encontrei alguns bugs pequenos, mas nada tão grave quanto o relatado nas análises negativas da Steam.

A interface também parece mal planejada. Muitos buffs e termos são jogados na tela sem explicação adequada. Parece que Mechanicus II precisava de mais alguns meses de desenvolvimento e planejamento da interface para sair perfeito e digno do seu antecessor.

Existem sistemas interessantes escondidos ali, mas mal explicados. Por exemplo: quando você desbloqueia novos tipos de unidades, as unidades antigas aparecem menos frequentemente. Então, se você tem alguma unidade preferida, é bom ficar esperto quanto a isso. É bom que força você a mudar estratégias e descobrir novas de jogar? Sim, mas isso precisava estar explicado em algum tooltip.

Há várias pequenas falhas desse tipo na apresentação dos sistemas, embora, depois de entender a maioria das palavras-chave e habilidades, o combate flua razoavelmente bem.

Veredito sobre Warhammer 40,000: Mechanicus II

Muitos dos problemas de Mechanicus II parecem vir de uma espécie de arrogância bem-intencionada dos desenvolvedores vindas de uma confiança excessiva no sucesso do primeiro jogo.

Acreditar que alguns retratos estáticos de personagens de Mechanicus I criaram apego suficiente para substituir os tecnossacerdotes personalizados do jogador? Ou achar que poderiam abandonar completamente a linguagem ao estilo código binário dos Mechanicus por conta das novas atuações de voz?

Essas decisões fazem o jogo parecer tão diferente do predecessor que ele não consegue aproveitar a o hype do game anterior sem inevitáveis comparações desfavoráveis. Não é um jogo ruim. Mas justamente por chegar tão perto da grandeza e falhar em pontos cruciais, a decepção dói ainda mais.

Felizmente, muitos desses problemas podem ser corrigidos via patches e DLCs. Espero sinceramente que a recepção mista motive melhorias, e não abandono.

Warhammer 40,000: Mechanicus II

Paulo Fabris

Fora sua apresentação audiovisual, Mechanicus II não alcança o nível do original — pelo menos não em seu estado atual. Existe um bom jogo aqui, mas esta é uma das sequências mais decepcionantes que joguei nos últimos anos. Se você esperava o grande retorno de Magos Faustinius, provavelmente sairá frustrado.
Gráficos
Música
Jogabilidade
Diversão
Preço

Prós e Contras

Prós:
A campanha Necron é um destaque;
A apresentação visual é excelente;
A variedade de unidades aumentou bastante em relação ao primeiro jogo;

Contras:
Muitos dos melhores aspectos do original foram enfraquecidos;
O foco exagerado nos líderes é uma decisão ruim;
O jogo está cheio de bugs e sofre com otimização ruim;

4.2

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