Lanterna Verde: Os 10 Melhores Games do Herói da DC

O Lanterna Verde sempre teve uma relação curiosa com os videogames. Enquanto Batman ganhou uma longa sequência de adaptações, com a série Arkham e a versão Lego desse jogo do Batman, como um grande sucesso, e Superman apareceu em diferentes gerações de consoles e como vilão no terrível Esquadrão Suicida, os Lanternas ficaram praticamente à margem desse mercado. Isso é especialmente estranho quando se considera que o conceito do personagem parece ter sido feito sob medida para um videogame.

O anel de poder permite criar armas, veículos, escudos, criaturas e praticamente qualquer objeto que a imaginação do usuário consiga conceber, oferecendo uma liberdade que poucos outros super-heróis possuem.

Ainda assim, a história dos Lanterna Verde nos games é marcada mais por projetos cancelados e participações em jogos de equipe do que por grandes aventuras próprias. Na prática, apenas um título lançado comercialmente foi construído especificamente em torno de Hal Jordan, Green Lantern: Rise of the Manhunters, lançado em 2011 como complemento do filme estrelado por Ryan Reynolds.

Antes dele, porém, a Ocean Software passou anos tentando transformar o personagem em um jogo para Mega Drive e Super Nintendo, com projetos que mudaram de protagonista, gênero e até de proposta durante o desenvolvimento.

O resultado é uma história bastante curiosa, principalmente agora que Lanterns, a série da HBO estrelada por Kyle Chandler como Hal Jordan e Aaron Pierre como John Stewart, voltou a colocar os personagens no centro das atenções. A produção acompanha os dois Lanternas investigando um assassinato no interior dos Estados Unidos e faz parte do novo Universo DC, o que naturalmente reacende uma pergunta antiga entre os fãs: por que um personagem com tanto potencial nunca recebeu um grande jogo solo?

Green Lantern: Rise of the Manhunters

Se existe um jogo que realmente merece ocupar o primeiro lugar desta lista, é Green Lantern: Rise of the Manhunters. Desenvolvido pela Double Helix Games nas versões para PlayStation 3 e Xbox 360, com versões diferentes produzidas pela Griptonite Games para plataformas Nintendo.

O jogo foi lançado em 2011 pela Warner Bros. Interactive Entertainment como um título ligado ao filme Green Lantern. Ele chegou ao PlayStation 3, Xbox 360, Wii, Nintendo DS e Nintendo 3DS, além de receber uma versão para iOS. A versão de PSP chegou a ser planejada, mas acabou cancelada.

A história começa em Oa, durante o funeral de Abin Sur. Hal Jordan, Sinestro e Kilowog estão presentes quando os Manhunters atacam o planeta e colocam o Green Lantern Corps em perigo. A ameaça não é simplesmente um exército alienígena qualquer. Os Manhunters foram originalmente criados pelos Guardiões do Universo para atuar como uma força policial intergaláctica, mas sua programação acabou fazendo com que passassem a interpretar punição e justiça de maneira extrema.

Os Guardiões então abandonaram os androides e criaram o Green Lantern Corps como substituto. Agora, os Manhunters retornam buscando vingança contra aqueles que os criaram e contra toda a organização dos Lanternas.

A grande vantagem de Rise of the Manhunters está justamente na maneira como tenta transformar o anel em uma mecânica de jogo. Hal pode criar diferentes construtos de energia, utilizando armas e objetos formados pela força de vontade. O jogador pode alternar entre golpes corpo a corpo, ataques à distância e diferentes construções, incluindo lâminas, martelos, garras, mísseis e outras armas. Nas versões de PlayStation 3 e Xbox 360 também existem sequências de voo e um modo cooperativo local no qual o segundo jogador controla Sinestro.

O jogo também é interessante porque não se limita a repetir exatamente a história do filme. Embora seja claramente um produto daquele período e utilize Ryan Reynolds como Hal Jordan nas versões principais, sua campanha funciona como uma aventura complementar dentro daquela versão da mitologia.

O problema é que, assim como a maior parte dos jogos lançados para acompanhar o lançamento de um filme, a execução ficou abaixo do potencial do personagem. A recepção foi apenas mediana, com a versão principal recebendo avaliações próximas de 6/10 em veículos como IGN e GameSpot, enquanto as versões Nintendo foram ainda menos bem avaliadas.

Mesmo assim, Rise of the Manhunters continua sendo importante porque é, até hoje, o principal jogo do Lanterna Verde. E existe uma ironia nisso: o título chegou justamente quando a Warner tentava transformar o personagem em uma grande franquia cinematográfica, mas o desempenho comercial e crítico do filme e a recepção morna do jogo não ajudaram a criar uma sequência.

Green Lantern do Super Nintendo

Antes de Hal Jordan ganhar seu primeiro jogo lançado oficialmente, a Ocean Software passou anos tentando desenvolver uma aventura do personagem. O projeto começou no início dos anos 1990 e passou por diferentes plataformas e versões. A primeira encarnação era planejada para computadores como Amiga e Atari ST, mas foi abandonada depois de alguns meses. Mais tarde, o projeto foi retomado para o Super Nintendo, onde acabou ganhando uma estrutura muito mais ambiciosa.

Lanterna verde
Lanterna Verde no Super Nes

A versão de Super Nintendo pretendia misturar plataforma, ação e elementos de tiro. Uma das propostas era colocar Hal Jordan em uma aventura envolvendo a rainha de Xax e um exército de soldados alienígenas invisíveis. O projeto previa sete fases em diferentes mundos do universo da DC, além de uma etapa final construída para explorar o Mode 7 do SNES em uma sequência de voo semelhante a um shoot ‘em up.

O desenvolvimento, porém, foi extremamente problemático. A equipe passou por mudanças de funcionários e programadores, e Bobby Earl acabou assumindo o código depois que Andrew Deacin deixou o projeto. Segundo relatos de pessoas envolvidas, uma versão do jogo chegou a ser considerada concluída, mas as exigências da DC Comics fizeram a Ocean reconsiderar o investimento necessário para continuar trabalhando no título.

E foi aí que a história ficou ainda mais complicada. A DC estava passando por uma grande mudança editorial com Emerald Twilight, história que transformou Hal Jordan em Parallax e introduziu Kyle Rayner como o novo Lanterna Verde. A Ocean precisou alterar seu projeto para acompanhar a mudança. Hal Jordan foi retirado do papel principal e Kyle Rayner passou a ocupar seu lugar, enquanto Parallax também entrava na história.

A situação piorou com Zero Hour, outro grande evento da DC que alterou novamente o contexto em torno de Parallax e do universo da editora. Como o jogo estava sendo desenvolvido em meio a essas mudanças, uma aventura que havia começado como uma história de Hal Jordan acabou se tornando um projeto centrado na origem de Kyle Rayner. A Ocean chegou a tentar simplificar o desenvolvimento utilizando tecnologia de Jurassic Park 2, mas o projeto acabou sendo abandonado definitivamente quando a empresa considerou que o SNES estava chegando ao fim de seu ciclo e que seria caro demais continuar modificando o jogo.

O curioso é que material do projeto sobreviveu e, décadas depois, imagens e vídeos permitiram conhecer aquilo que poderia ter sido o primeiro grande jogo solo do Lanterna Verde. É provavelmente o caso mais emblemático de como o personagem poderia ter tido uma história completamente diferente nos videogames se a produção tivesse chegado às lojas.

Green Lantern para Mega Drive

O projeto da Ocean também teve uma versão planejada para o Mega Drive, mas ela acabou seguindo o mesmo destino da edição de Super Nintendo. Registros do jogo apontam Ocean como desenvolvedora e publicadora, com o projeto classificado como um jogo de ação e plataforma 2D que acabou cancelado antes do lançamento.

hal jordan
Hal Jordan como Parallax no jogo cancelado

Embora seja tentador tratar a versão de Mega Drive simplesmente como outro jogo independente, ela fazia parte da longa história de desenvolvimento do projeto de Ocean. O que torna essa produção particularmente interessante é justamente a quantidade de mudanças que aconteceram durante sua existência. A ideia começou com Hal Jordan, passou por uma aventura espacial com diferentes mecânicas e posteriormente precisou incorporar as mudanças provocadas por Emerald Twilight e Zero Hour.

Em outras palavras, o desaparecimento desse jogo não ocorreu simplesmente porque alguém decidiu que um game do Lanterna Verde não era interessante. O projeto ficou preso entre desenvolvimento turbulento, mudanças internas na Ocean, alterações editoriais da DC e uma indústria que estava prestes a abandonar a geração de 16 bits para entrar definitivamente na era do PlayStation e do Nintendo 64.

Isso ajuda a explicar por que a ausência do personagem nos videogames é tão curiosa. A Ocean chegou a investir tempo e recursos consideráveis no projeto, mas nunca conseguiu chegar a um produto final que pudesse ser comercializado. O material que sobreviveu mostra que havia uma tentativa concreta de construir uma aventura própria do Lanterna Verde, e não apenas colocar Hal Jordan como personagem secundário em uma produção maior.

Injustice: Gods Among Us

Injustice: Gods Among Us, desenvolvido pela NetherRealm Studios, a mesma de Mortal Kombat, e lançado pela Warner Bros. Interactive Entertainment em 2013, coloca os personagens da DC em uma realidade alternativa na qual Superman assume o controle do mundo depois de uma tragédia que muda completamente sua visão sobre justiça.

O jogo é um fighting game tradicional, mas sua campanha funciona como uma história completa, colocando heróis e vilões da DC uns contra os outros enquanto Batman lidera uma resistência contra o regime de Superman. Hal Jordan possui um papel importante na história e passa por uma transformação significativa durante a campanha, tornando sua participação especialmente relevante para quem procura uma representação dos Lanternas fora de um jogo exclusivamente dedicado ao personagem.

A presença de Hal também está diretamente relacionada à mitologia do Lanterna Verde, já que o personagem inicialmente atua ao lado do regime de Superman antes de perceber as consequências de suas escolhas. Durante a campanha, o jogo explora sua relação com o Green Lantern Corps e com Sinestro, além de apresentar diferentes construtos e habilidades característicos do anel.

Como fighting game, Injustice não tenta reproduzir a liberdade completa dos poderes do Lanterna, mas transforma seus construtos em golpes, combos, projéteis e ataques especiais que funcionam dentro da estrutura de combate.

O título também merece atenção porque foi uma das produções que ajudaram a manter Hal Jordan presente nos videogames depois de Rise of the Manhunters. Embora não seja uma aventura solo e esteja muito mais interessado no conflito entre os personagens da DC, sua campanha dá ao Lanterna uma participação narrativa muito maior do que simplesmente colocá-lo como personagem jogável no elenco. Para uma lista sobre os melhores games envolvendo os Lanternas, isso faz de Injustice uma escolha mais justificável do que muitos títulos nos quais o personagem aparece apenas como participação secundária.

Injustice 2

Desenvolvido novamente pela NetherRealm Studios, Injustice 2 chegou em 2017 como continuação direta da história apresentada no primeiro jogo. A trama começa depois da derrota do regime de Superman e acompanha Batman tentando reconstruir o mundo enquanto uma nova ameaça surge para colocar diferentes grupos de heróis e vilões novamente em conflito. A campanha apresenta Brainiac como o principal antagonista, mas também continua desenvolvendo os personagens que participaram do primeiro jogo, incluindo Hal Jordan.

A participação do Lanterna Verde é particularmente importante porque Injustice 2 mostra as consequências de sua passagem pelo regime de Superman. Hal precisa enfrentar o próprio passado e reconstruir sua relação com os outros heróis enquanto tenta provar que voltou a agir de acordo com os princípios do Green Lantern Corps. Essa trajetória dá ao personagem um arco próprio dentro da campanha, algo que ajuda a diferenciá-lo de uma simples participação no elenco.

No combate, Hal utiliza o anel para criar diferentes armas e construtos de energia, incluindo espadas, armas de fogo, mísseis e outras estruturas que aparecem durante seus ataques. O sistema de equipamentos também permite modificar visualmente o personagem e melhorar determinadas características, embora isso não transforme o jogo em uma experiência de RPG. Para quem procura uma representação mais moderna de Hal Jordan nos videogames, Injustice 2 acaba sendo especialmente interessante porque combina uma campanha narrativa com um sistema de combate construído especificamente para explorar os poderes dos personagens.

Mortal Kombat vs. DC Universe

Antes de Injustice, a própria NetherRealm, então conhecida como Midway Games, já havia colocado os personagens da DC em um fighting game com Mortal Kombat vs. DC Universe. Lançado em 2008 para PlayStation 3 e Xbox 360, o jogo mistura os universos de Mortal Kombat e DC depois que uma anomalia dimensional começa a fundir as duas realidades.

Mortal Kombat vs. DC Universe
Mortal Kombat vs. DC Universe

Um evento canônico na primeira linha do tempo de MK, mas ignorado pela DC. Neste game, Batman, Superman, Scorpion, Sub-Zero e outros personagens precisam enfrentar uma situação que ameaça os dois universos enquanto a história alterna entre os diferentes grupos. As criticas vieram principalmente por conta dos fatalitys sem violência dos heróis, chamada de Heroic Brutality, e a violência amenizada dos personagens de MK.

Hal Jordan faz parte do elenco jogável e utiliza os poderes do anel durante os combates. Como o jogo foi desenvolvido antes de Injustice, sua representação do Lanterna é naturalmente mais simples, mas ainda utiliza elementos reconhecíveis dos seus poderes, incluindo construtos de energia e ataques à distância. O personagem também participa da história principal, embora o foco esteja dividido entre uma grande quantidade de heróis e lutadores.

O jogo é particularmente importante dentro da história dos Lanternas nos videogames porque representa uma das primeiras grandes oportunidades de controlar Hal Jordan em um título de luta. Além disso, Mortal Kombat vs. DC Universe funciona como uma espécie de antecessor conceitual de Injustice, já que a NetherRealm posteriormente utilizaria a experiência adquirida nesse crossover para desenvolver seu próprio universo de luta baseado nos personagens da DC. Para uma lista que precisa recorrer a jogos de equipe depois de esgotadas as opções solo, é uma inclusão bastante natural.

LEGO Batman 3: Beyond Gotham

LEGO Batman 3: Beyond Gotham, desenvolvido pela Traveller’s Tales e publicado pela Warner Bros. Interactive Entertainment em 2014, leva a fórmula LEGO para praticamente todo o universo da DC. A aventura começa quando Brainiac ameaça destruir a Terra e reúne uma enorme quantidade de heróis e vilões em uma missão que passa por diferentes mundos e dimensões. Batman continua sendo o principal personagem da franquia, mas o jogo oferece um elenco gigantesco no qual os Lanternas possuem uma participação considerável.

Hal Jordan aparece como um dos personagens jogáveis e utiliza o anel para criar construtos, manipular objetos e enfrentar inimigos. O jogo também apresenta outros membros da mitologia dos Lanternas, incluindo John Stewart e Sinestro, permitindo que o jogador explore diferentes versões dos personagens dentro da estrutura humorística característica dos jogos LEGO. Como acontece com os demais títulos da série, a aventura combina combate, exploração, resolução de quebra-cabeças e coleta de itens.

Embora não seja um jogo dos Lanternas propriamente dito, LEGO Batman 3 é uma das produções em que a mitologia do personagem recebe mais espaço dentro de uma aventura de equipe. O universo de DC é explorado em uma escala muito maior do que seria possível em uma campanha exclusivamente dedicada a Batman, e os Lanternas fazem parte importante dessa expansão. Para quem quer ver Hal Jordan, John Stewart e outros personagens cósmicos da DC funcionando dentro de uma aventura mais leve, o jogo é uma das opções mais completas.

LEGO DC Super-Villains

LEGO DC Super-Villains, também desenvolvido pela Traveller’s Tales, muda o ponto de vista da série ao colocar os vilões da DC no centro da história. Lançado em 2018, o jogo acompanha uma nova equipe formada depois que a Liga da Justiça desaparece e um grupo misterioso de heróis chega à Terra afirmando estar ali para ajudar. A história eventualmente revela uma ameaça muito maior envolvendo o Sindicato do Crime, obrigando heróis e vilões a trabalharem juntos.

Os Lanternas aparecem dentro desse universo e fazem parte do enorme elenco de personagens que podem ser utilizados durante a aventura. Hal Jordan, John Stewart, Sinestro e outros integrantes relacionados ao Green Lantern Corps podem ser encontrados no jogo, enquanto seus poderes são adaptados ao sistema LEGO por meio de construtos e habilidades específicas. Como em LEGO Batman 3, o jogador não recebe uma campanha exclusiva do Lanterna Verde, mas tem acesso a uma representação bastante ampla da mitologia da DC.

A principal diferença é que LEGO DC Super-Villains utiliza os Lanternas dentro de uma história construída ao redor dos antagonistas. Isso permite que personagens como Sinestro tenham uma participação especialmente interessante, enquanto Hal Jordan e outros heróis acabam integrados à trama de maneira diferente daquela apresentada em Injustice. Para uma lista ampliada sobre os Lanternas, é uma alternativa válida, embora eu o colocaria abaixo de LEGO Batman 3 se o objetivo for medir especificamente a importância de Hal Jordan e do Green Lantern Corps dentro do jogo.

Justice League Heroes

Agora um problema: Não existem cinco jogos lançados exclusivamente para os Lanternas, é necessário recorrer aos títulos de equipe para completar a história. Justice League Heroes, desenvolvido pela Snowblind Studios para PlayStation 2, Xbox e Nintendo DS, é provavelmente o exemplo mais importante.

Justice League Heroes
Justice League Heroes

O jogo coloca a Liga da Justiça no centro da aventura e permite controlar diferentes membros da equipe, incluindo John Stewart como o principal Lanterna Verde disponível durante a campanha, enquanto Hal Jordan e Kyle Rayner aparecem como personagens desbloqueáveis em determinadas versões.

A campanha acompanha Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Flash, John Stewart e outros heróis em uma história original envolvendo uma ameaça capaz de colocar a Liga em perigo. A estrutura combina ação e elementos de RPG, permitindo desenvolver habilidades e montar diferentes combinações de personagens durante as missões.

Para quem quer entender o potencial dos Lanternas em um jogo de ação, Justice League Heroes é relevante porque apresenta o anel como parte de um sistema de combate em equipe. John Stewart pode utilizar construtos e ataques relacionados aos seus poderes, enquanto a estrutura de troca entre heróis permite que o jogador combine as habilidades de diferentes membros da Liga.

Não é uma aventura exclusivamente de Hal Jordan, portanto não atende perfeitamente ao que seria um verdadeiro jogo solo do personagem. Ainda assim, é um dos títulos mais importantes para quem quer encontrar uma representação jogável dos Lanternas em uma produção tradicional de ação da DC.

DC Universe Online

A quinta posição fica com DC Universe Online, embora novamente seja necessário fazer uma ressalva. O jogo não é uma aventura solo tradicional do Lanterna Verde, mas é uma das experiências mais extensas envolvendo a mitologia dos Lanternas disponíveis nos videogames. Desenvolvido originalmente pela Sony Online Entertainment, o MMO permite criar um personagem próprio e explorar o universo da DC enquanto interage com heróis e vilões conhecidos.

A importância de DC Universe Online para os Lanternas está principalmente no conteúdo dedicado ao Corps e às diferentes forças emocionais. Hal Jordan, John Stewart, Sinestro e outros personagens aparecem dentro do universo do jogo, e a mitologia dos anéis pode ser explorada de maneira muito mais ampla do que seria possível em uma campanha convencional. Hal Jordan também possui participação no jogo e foi dublado por Aaron Mace.

O jogo também ajuda a mostrar uma das razões pelas quais a DC acabou recorrendo tantas vezes a títulos de equipe quando precisava colocar os Lanternas nos videogames. O universo do personagem é gigantesco. O Corps, os Guardiões, Oa, os Manhunters, Sinestro Corps e as diferentes cores do espectro emocional oferecem material suficiente para uma experiência muito maior do que uma simples adaptação cinematográfica.

Ao mesmo tempo, DC Universe Online evidencia o que ainda falta. O jogador pode visitar e interagir com uma enorme quantidade de elementos relacionados aos Lanternas, mas não recebe aquela experiência definitiva de assumir o papel de Hal Jordan em uma grande aventura single-player construída especificamente em torno de sua mitologia.

Por que os Lanternas desapareceram dos videogames?

A ausência dos Lanternas fica ainda mais estranha quando olhamos para a quantidade de material que a DC possui. O problema provavelmente não está na falta de personagens ou histórias, mas na dificuldade de transformar o conceito central do personagem em uma mecânica que seja realmente convincente.

O anel de poder pode criar praticamente qualquer coisa, e isso representa uma oportunidade gigantesca para os desenvolvedores, mas também um problema de design. Se o jogador pode imaginar qualquer arma ou ferramenta, como transformar essa liberdade em um sistema equilibrado e divertido?

Rise of the Manhunters tentou responder a essa pergunta criando uma lista de construtos pré-definidos, permitindo que Hal usasse armas diferentes durante o combate. O jogo funciona, mas sua abordagem também mostra a dificuldade de representar a fantasia completa do personagem. O jogador controla o Lanterna Verde, mas não possui liberdade ilimitada para criar qualquer coisa que imaginar.

A história do projeto cancelado da Ocean demonstra outro problema. O jogo sofreu justamente porque a DC estava passando por transformações editoriais extremamente importantes. Hal Jordan deixou de ser o protagonista tradicional e se tornou Parallax, Kyle Rayner assumiu o posto de Lanterna Verde e Zero Hour modificou novamente o cenário. Para um jogo licenciado que já estava sendo desenvolvido, acompanhar todas essas mudanças significava alterar história, personagens e estrutura quando o projeto já consumia recursos.

Depois disso, o personagem acabou aparecendo principalmente como parte de elencos maiores. Justice League, Mortal Kombat vs. DC Universe, DC Universe Online e outras produções utilizaram diferentes Lanternas, mas nenhum desses projetos estabeleceu uma franquia solo capaz de competir com Batman: Arkham. A própria lista oficial da DC sobre seus jogos destaca Green Lantern: Rise of the Manhunters como o título dedicado ao personagem, enquanto os demais aparecem como participações em produções maiores.

Lanterns pode mudar essa história?

O momento atual é especialmente interessante porque Lanterns, da HBO, finalmente coloca Hal Jordan e John Stewart como protagonistas de uma produção de grande porte. A série acompanha o veterano Hal e o novo recruta John enquanto os dois investigam um assassinato no interior dos Estados Unidos. A proposta mistura investigação policial, ficção científica e elementos da mitologia dos Green Lanterns, em vez de apostar apenas em batalhas cósmicas.

Essa abordagem também pode ajudar a explicar por que um futuro jogo dos Lanternas não precisaria necessariamente copiar Rise of the Manhunters. A nova série mostra que existe espaço para explorar os personagens de maneira mais humana, enquanto o universo cósmico continua disponível para uma adaptação interativa. Um jogo poderia aproveitar a investigação de Lanterns, mas também explorar Oa, os Guardiões, diferentes setores espaciais, o treinamento de um novo Lanterna e a criatividade dos construtos.

Por enquanto, porém, não existe um quinto grande jogo solo lançado para preencher essa lacuna. A lista precisa ser completada com projetos cancelados e participações em jogos de equipe porque essa é justamente a realidade histórica dos Lanternas nos videogames. E talvez essa seja a parte mais interessante de toda essa história. Enquanto Batman recebeu jogos suficientes para construir uma identidade própria no meio, Hal Jordan e seus companheiros continuam esperando uma produção que realmente consiga transformar o poder do anel em uma experiência definitiva.

Com Lanterns colocando Hal Jordan e John Stewart novamente no centro da cultura pop, a oportunidade nunca pareceu tão clara. O personagem já possui uma mitologia enorme, vilões reconhecidos, diferentes Lanternas, mundos alienígenas e uma das ferramentas mais criativas de todo o universo da DC. O que faltou até agora não foi material para criar um grande game, mas alguém disposto a transformar essa liberdade em uma experiência que faça justiça ao potencial do anel.

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Autor

  • Paulo Fabris

    Paulo Fabris é um jornalista, escritor, RPGista, gamer, cosplayer, nerd e fã de
    animes desde a época da TV Manchete.
    Trabalhou na redação de portais como o Cosplay Brasil, UmGamer, Married Games, Professor Smart e mais, além de ter trabalhos impressos em revistas especializadas em tecnologia de áudio e vídeo e automóveis.

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