Conheça cinco jogos de RPG de Mesa que vieram dos consoles e PCs
Desde o lançamento e Dungeons & Dragons, em 1974, os jogos de RPG fazem parte da vida dos gamers, seja na versão papel e dados ou nas versões virtuais. Baldur’s Gate 3, Pathfinder, Vampire: The Masquerade – Bloodlines, mostram como adaptar os RPGs de mesa para o mundo dos consoles e computadores. Mas o caminho inverso? Trazer o virtual para a mesa de jogo?
Na Bienal do Livro de São Paulo 2026, nos encontramos alguns RPGs de Mesa no estande da editora Jambô que eram adaptações de Dragon Age, da Bioware, e Fallout, da Bethesda. Dois RPGs bastante conhecidos dos gamers. Mas agora, já pensou em sentar à mesa com os amigos e criar seu próprio personagem dentro de um universo que você só conhecia através da tela? Não atraves do editor de personagens e nem jogar em multiplayer online. Na realidade!
Cada adaptação carrega decisões curiosas, parcerias inusitadas e, às vezes, até fracassos comerciais que hoje viraram item de colecionador. Reunimos aqui cinco casos de franquias de videogame que ganharam vida própria em livro de regras, dado e ficha de personagem, e ainda fechamos com uma reviravolta bem brasileira, o caminho inverso, de RPG de mesa nacional para o videogame.
Esse movimento de transformar videogame em RPG de mesa é bem mais comum do que parece, e nem sempre segue a lógica óbvia de “todo mundo faz um D&D disfarçado”. Pegar um game de sucesso e transformar em um jogo de tabuleiro ou RPG de mesa já é uma pratica bem estabelecida pelo mercado de desenvolvedoras, mas infelizmente, poucas vezes eles chegam por aqui e, quando chegam, são bem caros e quase inacessíveis.
Porém, ainda é possível encontrar algumas dessas adaptações, seja em lançamentos oficiais ou em sites de vendas da internet. Vamos então indicar as cinco melhores adaptações de game em RPG de Mesa e, se você ficar com dúvidas, é só deixar um comentário.
Games em Formato de RPG de Mesa
Fallout
Poucas franquias têm uma relação tão íntima com RPG de mesa quanto Fallout, e olha que essa relação já vem desde o primeiro jogo, lançado em 1997 pela Interplay, que usava mecânicas fortemente inspiradas no sistema GURPS antes de acabar rompendo o acordo de licenciamento. Mesmo assim, levou até 2021 para a franquia ganhar um RPG de mesa oficial de verdade.
A britânica Modiphius Entertainment lançou Fallout: The Roleplaying Game, também chamado de Fallout 2d20 por usar o sistema 2d20 da própria editora, adaptado com o clássico sistema S.P.E.C.I.A.L. que qualquer fã reconhece de cara.

O livro básico chega a 438 páginas e ambienta as aventuras na Commonwealth de Boston, mesmo cenário de Fallout 4, permitindo criar desde moradores de abrigo até ghouls, super mutantes e até robôs do tipo Mister Handy como personagens jogáveis. A escolha de focar tanto no quarto jogo da série não foi acidente, e sim reflexo direto do contrato de licenciamento com a Bethesda, que privilegiou justamente o título mais recente na hora de liberar o material.
O resultado agradou bastante a comunidade, a ponto da Modiphius expandir a linha com suplementos como Winter of Atom e, mais recentemente, lançar em 2025 uma versão digital batizada de Fallout Nexus, disponível na plataforma Demiplane, provando que o interesse pelo RPG de mesa da franquia está longe de esfriar.
Dragon Age
Diferente de outros casos dessa lista, o RPG de mesa de Dragon Age nasceu de um convite direto da desenvolvedora. Foi a própria BioWare que procurou a editora Green Ronin Publishing para criar uma versão em papel do universo de Thedas, resultado que a analista Shannon Appelcline, no livro Designers and Dragons, descreveu como um reconhecimento da posição de destaque que a Green Ronin já ocupava no mercado de RPG na época.

O sistema, batizado de Adventure Game Engine e assinado pelo designer Chris Pramas, chegou às lojas em 25 de janeiro de 2010, logo depois do sucesso de Dragon Age: Origins nos videogames. A proposta trouxe as classes clássicas de guerreiro, mago e ladino, e um mecanismo curioso baseado em três dados de seis lados, sendo um deles chamado de “dado do dragão” com cor diferente dos outros dois.
Sempre que dois dados caem no mesmo número em uma rolagem, o jogador pode puxar manobras especiais chamadas de stunts, usando o valor do dado do dragão para definir o que acontece. O jogo foi lançado em caixas divididas por faixa de nível, teve boa recepção crítica, chegou a ser indicado a Melhor Jogo no ENnie Awards de 2010, e ficou no catálogo da Green Ronin até 2019, quando a linha foi descontinuada.
The Witcher
Poucos anos depois do sucesso estrondoso de The Witcher 3, a CD Projekt Red fechou parceria com a R. Talsorian Games, mesma estúdio responsável pelo clássico Cyberpunk 2020, para desenvolver um RPG de mesa oficial ambientado no Continente criado por Andrzej Sapkowski.
Anunciado em 2015, o projeto sofreu atrasos consideráveis e só chegou às lojas em agosto de 2018, durante a convenção Gen Con, usando o sistema próprio Interlock, adaptado especialmente para capturar a atmosfera sombria e o clima de “profissional, não herói” que marca a saga de Geralt de Rívia.
O livro permite criar personagens em nove classes distintas, como bardos, artesãos, criminosos, médicos, magos, homens de armas, mercadores, sacerdotes e, claro, bruxos, cada um enfrentando um bestiário repleto de criaturas conhecidas dos jogos e dos livros.
O resultado surpreendeu até a própria editora, já que The Witcher Tabletop Roleplaying Game se tornou o RPG mais vendido do site DriveThruRPG em 2018, ano de seu lançamento, provando que um jogo com raízes tão fortes em videogame conseguia conquistar espaço sólido entre jogadores tradicionais de mesa.
Street Fighter
Talvez o exemplo mais improvável dessa lista seja Street Fighter, já que jogo de luta e RPG de mesa parecem viver em universos completamente diferentes de regras. Ainda assim, no início dos anos 1990 a editora White Wolf, então conhecida principalmente pelo universo sombrio de Vampiro: A Máscara, decidiu procurar a Capcom para negociar uma versão de mesa baseada no popular jogo de luta.

O resultado foi Street Fighter: The Storytelling Game, lançado em 1994, usando uma variação do Storyteller System, o mesmo motor de regras usado nos jogos de mundo das trevas da própria editora.
A criação de personagem seguia a lógica conhecida de atributos físicos, mentais e sociais, mas trocava o conceito de clã, comum nos jogos de vampiro e lobisomem da White Wolf, por estilos de luta baseados diretamente nos personagens do jogo original. O sistema de combate, aliás, acabou sendo tão elogiado pela crítica especializada da época que várias de suas ideias serviram de base para o combate usado depois em outros títulos de Mundo das Trevas.
Apesar da qualidade reconhecida, as vendas ficaram abaixo do esperado, e já no fim de 1995 a parceria entre White Wolf e Capcom chegou ao fim, deixando Street Fighter: The Storytelling Game como uma curiosidade rara e concorrida entre colecionadores até hoje.
Dark Souls
Fechando a lista principal, Dark Souls talvez seja o exemplo mais recente e também o mais estratégico do ponto de vista comercial. Antes de chegar à mesa como RPG completo, a franquia da FromSoftware já tinha conquistado o público de tabuleiro com Dark Souls: The Board Game, lançado em 2017 pela britânica Steamforged Games depois de uma campanha de financiamento coletivo que arrecadou mais de 3,7 milhões de libras, seguido pelo card game da franquia.
Foi só em 2022, porém, que a Steamforged revelou Dark Souls: The Roleplaying Game, construído sobre as regras da quinta edição de Dungeons & Dragons, mas enriquecido com mecânicas específicas da franquia, como um sistema de magia próprio e classes de personagem inéditas criadas especialmente para o cenário de Lothric.
A escolha de usar uma base já consolidada e amplamente conhecida, em vez de inventar um sistema do zero, facilitou bastante a adoção por parte de mestres e jogadores acostumados com D&D, e ajudou a consolidar o catálogo de produtos de Dark Souls no tabuleiro, que já soma mais de 500 mil unidades vendidas e quase 40 milhões de dólares em valor de varejo somando todos os produtos da linha.
No Caminho Inverso: Tormenta
Depois de tanto RPG de videogame virando jogo de mesa, vale reservar um espaço para o movimento contrário, que aconteceu bem aqui no Brasil. Tormenta nasceu em 1999 como RPG de mesa nacional, criado por Marcelo Cassaro, Leonel Caldela, Guilherme Dei Svaldi, Rogério Saladino e JM Trevisan, e ao longo de mais de duas décadas se espalhou por romances, quadrinhos e, claro, videogames.
O primeiro grande exemplo é Holy Avenger, jogo desenvolvido pelo estúdio paulistano Messier Games e lançado para PC, baseado diretamente na já clássica HQ brasileira publicada entre 1998 e 2003, escrita por Marcelo Cassaro e desenhada por Erica Awano. O jogo adapta a saga dos personagens Lisandra, Sandro, Tork e Niele em busca dos Rubis da Virtude para o gênero beat ‘em up e hack and slash, com inspiração declarada em clássicos como Final Fight e Streets of Rage, tudo ambientado no mesmo continente de Arton que qualquer mestre de Tormenta reconhece de cara.
O segundo caso é Reverie Knights Tactics, RPG tático desenvolvido pela gaúcha 40 Giants Entertainment, com direção e ilustração de EdH Müller, o mesmo responsável por Tormenta: O Desafio dos Deuses, primeiro videogame do universo lançado em 2015.
Lançado em 25 de janeiro de 2022 para PC, PlayStation, Xbox e Nintendo Switch, com distribuição da europeia 1C Entertainment, o jogo é inspirado nos quadrinhos Dungeon Crawlers, da Jambô Editora, e coloca o jogador no comando de uma equipe formada por Aurora, Brigandine, Fren e Hellaron, em batalhas isométricas por turnos que lembram diretamente clássicos como Final Fantasy Tactics e Tactics Ogre, enquanto tentam impedir uma guerra entre elfos e goblinoides e encontrar a cidade élfica perdida de Lenórienn.
Juntando os dois exemplos internacionais com os dois nacionais, fica claro que essa ponte entre mesa e tela nunca foi de mão única. Seja adaptando um jogo eletrônico consagrado para dados e fichas, seja pegando um cenário de RPG de mesa brasileiro e transformando em videogame de ação ou tática, o resultado costuma agradar exatamente quem já ama aquele universo e quer viver a mesma história por um ângulo diferente.
Conta pra gente nos comentários qual dessas adaptações você já jogou, ou qual franquia você adoraria ver ganhando uma versão de mesa (ou de videogame) algum dia. Fale conosco nos comentários e diga se curtiu essa novidade e aproveite para ler mais notícias no nosso site.
