O gênero dos Jogos Cyberpunk são um dos mais famosos e criativos que a indústria gosta de explorar. Veja alguns que vale a pena jogar
Não faz muito tempo, mas uma estranha parceria surgiu nos games. Uma que eu realmente não esperava ver: O jogo Love and Deepspace, da Infold, um simulador de romance com temática futurista e cheio de batalhas e momentos quentes com cinco rapazes, fez um crossover com o filme Blade Runner 2049. Um jogo recente num crossover com um filme de 2017 que nem fez tanto sucesso assim? Eu realmente não esperava, mas o crossover rolou. Embora meio distantes, tanto Love and Deepspace quanto Blade Runner tem em comum: o Cyberpunk.
O gênero cyberpunk sempre encontrou nos videogames um espaço forte para explorar suas ideias. A mistura de cidades gigantescas dominadas por corporações, seres humanos modificados por tecnologia, inteligência artificial, desigualdade social, crimes, conspirações e identidades cada vez mais difíceis de separar das máquinas permite criar mundos em que a tecnologia não representa necessariamente progresso.
Em muitas dessas histórias, ela apenas amplia problemas que já existiam na sociedade, criando novas formas de controle, exploração e violência. É justamente essa combinação que faz com que os melhores jogos Cyberpunk consigam ir muito além de uma estética com neon, chuva e prédios gigantescos.
Então, surgiu a ideia para listar alguns dos melhores games do estilo Cyberpunk. Desde o atual mais famosos de todos, Cyberpunk 2077 até alguns menos conhecidos e talvez deixados de lado em meio as luzes neon e o tempo. Vamos falar dos games Cyperpunk e, se ficar com dúvidas, deixe um comentário.
Melhores jogos Cyberpunk
Cyberpunk 2077
Cyberpunk 2077, desenvolvido pela CD Projekt RED, é provavelmente o exemplo mais conhecido de cyberpunk nos videogames modernos e que teve um dos piores lançamentos da história. O jogo foi lançado originalmente para PC, PlayStation 4 e Xbox One, com versões para PlayStation 5 e Xbox Series X|S, coloca você em Night City, uma metrópole onde grandes corporações, mercenários, gangues e empresários disputam influência em todos os setores da sociedade.

Você é V, uma pessoa mercenária tentando construir uma reputação na cidade. Quando você participa de um roubo envolvendo o Relic, uma máquina experimental que armazena uma personalidade, você acaba conectado a consciência de Johnny Silverhand, um antigo astro do rock e terrorista corporativo (interpretado por Keanu Reeves). A partir daí, tudo se transforma em uma corrida contra o tempo para saber se você é capaz de conseguir sobreviver à própria tecnologia implantada em seu cérebro.
Um dos pontos fortes do game é como ele usa Night City para discutir identidade, memória, controle corporativo, relações humanas e a obsessão por deixar algum tipo de legado. V pode conhecer personagens muito diferentes (incluindo o palhaço com uma granada no nariz, Ozob, criado pelo Azaghal do Jovem Nerd) e tomar decisões que alteram o destino de várias pessoas, enquanto a presença de Johnny cria um conflito constante entre duas identidades compartilhando o mesmo corpo.
É uma abordagem que representa muito bem uma das características mais importantes do cyberpunk: a ideia de que a tecnologia pode permitir que uma pessoa viva mais, seja mais poderosa ou mais eficiente, mas isso não significa necessariamente que ela continue sendo a mesma pessoa.
Deus Ex: Human Revolution
Antes de Cyberpunk 2077 transformar Night City em um dos cenários mais conhecidos dos videogames, Deus Ex já utilizava conceitos semelhantes para discutir o impacto político e social das modificações corporais. Desenvolvido pela Eidos-Montréal, Deus Ex: Human Revolution foi lançado para PC, PlayStation 3 e Xbox 360, recebendo posteriormente versões para Mac e Wii U.

A história se passa em 2027 e acompanha Adam Jensen, antigo membro de uma unidade de operações especiais que passa a trabalhar como chefe de segurança de uma empresa especializada em biotecnologia. A vida de Jensen muda quando um grupo armado invade a companhia e mata os cientistas que estavam sob sua proteção. Jensen sobrevive gravemente ferido e precisa receber grandes quantidades de implantes mecânicos para continuar vivo. A transformação física acaba colocando o protagonista no centro de uma conspiração muito maior.
O grande diferencial de Human Revolution é a forma como sua narrativa transforma a própria questão dos implantes em um conflito social. Os aumentos cibernéticos podem tornar uma pessoa mais forte, rápida ou inteligente, mas também criam uma divisão entre aqueles que têm acesso à tecnologia e aqueles que não podem pagar por ela. A sociedade começa a enxergar pessoas aumentadas de maneira diferente, enquanto empresas e grupos políticos tentam controlar o futuro da humanidade. A própria escolha do jogador entre combate, furtividade, investigação, hacking ou diálogo interfere na maneira como Jensen atravessa esse cenário.
Blade Runner
Poucos nomes estão tão ligados ao cyberpunk quanto Blade Runner. O jogo lançado pela Westwood Studios em 1997 para computador utiliza o mesmo universo e período do filme de 1982, levando o jogador para Los Angeles em 2019. A versão original saiu para Windows, enquanto a edição Enhanced Edition chegou posteriormente a Nintendo Switch, PlayStation 4 e Xbox One.

Em vez de controlar Deckard, o jogador assume o papel do detetive Ray McCoy, um Blade Runner encarregado de investigar replicantes suspeitos de envolvimento em crimes. A história começa como uma investigação aparentemente convencional, mas rapidamente passa a questionar a própria natureza das pessoas perseguidas. Os replicantes são máquinas biológicas criadas para servir aos seres humanos, mas possuem aparência, emoções e comportamentos tão semelhantes aos de seus criadores que a distinção entre humano e artificial começa a perder sentido.
O jogo também se destaca por sua estrutura narrativa. As decisões tomadas durante a investigação podem alterar acontecimentos, relações e desfechos, fazendo com que diferentes jogadores encontrem resultados diferentes. Esse aspecto combina perfeitamente com a temática de Blade Runner, porque a investigação não é apenas uma procura por criminosos. Ela também transforma o próprio protagonista e sua visão sobre os replicantes. O resultado continua sendo uma das melhores adaptações do universo criado por Philip K. Dick e popularizado pelo cinema de Ridley Scott.
Ghostrunner
Ghostrunner, desenvolvido pela One More Level com participação de outros estúdios na produção das diferentes versões, apresenta um mundo cyberpunk muito mais próximo de uma distopia pós-apocalíptica. O jogo foi lançado para PC, PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch, recebendo posteriormente versões para PlayStation 5 e Xbox Series.

A história se passa principalmente dentro da Dharma Tower, uma gigantesca estrutura que abriga os últimos sobreviventes da humanidade depois de uma catástrofe global. A torre é governada pelo Keymaster, um líder autoritário que controla a população por meio de força militar e vigilância. O protagonista, conhecido como Jack, é um guerreiro cibernético criado para combater ameaças dentro dessa sociedade.
O início da campanha estabelece que Jack teve sua memória destruída e não sabe exatamente quem era antes de cair da torre. Conforme avança pela estrutura, ele descobre mais sobre sua própria origem e sobre o sistema que controla os habitantes. A narrativa também expande a ideia de que a humanidade sobreviveu, mas criou uma sociedade que continua baseada em violência e controle. Ghostrunner utiliza essa situação para construir uma história sobre identidade, liberdade e manipulação, enquanto a busca por derrubar o Keymaster transforma Jack em símbolo de uma revolta maior.
Far Cry 3: Blood Dragon
Desenvolvido pela Ubisoft Montreal em colaboração com Massive Entertainment e Ubisoft Shanghai, é um dos jogos que melhor representam a mistura de cyberpunk e ficção científica inspirada nos anos 1980.
Lançado em 2013 como uma expansão independente de Far Cry 3, que não exige o jogo original para funcionar, ele apresenta uma versão alternativa de 2007, na qual a Terra foi devastada por uma guerra nuclear iniciada nos anos 1990. Nesse futuro exagerado, o jogador assume o papel do sargento Rex Power Colt, um soldado cibernético Mark IV enviado para uma ilha remota onde o coronel Ike Sloan, seu antigo comandante, está reunindo um exército de ciborgues assassinos.
A missão envolve descobrir os planos de Sloan e impedir que ele utilize uma poderosa arma biológica para ameaçar o restante da humanidade. Além dos soldados mecanizados, a ilha abriga cientistas mutantes e os Blood Dragons, criaturas gigantescas capazes de disparar raios laser pelos olhos.
O jogo faz uma sátira com os filmes de ação e ficção científica da época do VHS, com referências a produções como “O Exterminador do Futuro”, “fuga de Nova York” e “Comando para Matar”, com diálogos propositalmente exagerados, trilha sonora synthwave (e uma cena de uma metralhadora giratória ao som de Little Richard que é muito boa) e uma estética carregada de neon, até nos dinossauros. Far Cry 3: Blood Dragon também tem características tradicionais do cyberpunk, como soldados transformados em máquinas de combate, experimentos científicos, dinossauros neon com laser e tecnologias militares utilizadas como instrumentos de poder.
Nobody Wants to Die
Nobody Wants to Die, desenvolvido pela Critical Hit Games, é um dos exemplos mais recentes de como o gênero continua encontrando novas formas de trabalhar os mesmos temas. O jogo foi lançado em 2024 para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S e se passa em uma Nova York futurista no ano de 2329, onde a morte deixou de ser uma parte inevitável da existência.

O protagonista é o detetive James Karra, que investiga uma série de assassinatos envolvendo pessoas da elite da cidade. Nesse futuro, a tecnologia tornou possível preservar a consciência humana e prolongar a vida, mas esse aparente avanço criou uma sociedade profundamente desigual. A investigação de Karra começa como um caso policial e gradualmente revela as consequências sociais de uma civilização que passou a tratar a morte como um problema tecnológico que pode ser contornado.
A história trabalha diretamente com transumanismo, desigualdade, poder e os limites éticos da tecnologia. O uso de ferramentas capazes de reconstruir acontecimentos e investigar cenas de crime também transforma a narrativa em uma espécie de noir futurista, aproximando Nobody Wants to Die de obras como Blade Runner, mas com uma abordagem própria sobre o desejo humano de escapar da morte.
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