Assassin’s Creed Black Flag Resynced – A Versão Remasterizada do Melhor Game da Franquia

Veja oque achamos da versão remasterizada de um dos melhores AC da franquia em nosso review de Assassin’s Creed Black Flag Resynced

Assassin’s Creed passa por um momento estranho. Por um lado, a franquia tenta se adaptar a um nicho mais moderno enquanto enfrenta a resistência de fãs mais antigos. Por exemplo, em Assassin’s Creed Shadows, enquanto os fãs comemoraram um AC no Japão Feudal, coisa que era pedido a anos, houve uma enorme repercussão e hate em relação a escolha dos protagonistas Naoe e Yasuke (e sim, muito do hate movido por racismo e misoginia). O jogo entregou tudo oque um bom Assassin’s Creed precisa, mas ainda não caiu no gosto geral do público.

Assassin’s Creed Mirage prometeu um retorno as origens e algo mais próximo do primeiro game, um mapa mais contido e focado na história principal. E, por algum motivo, também não se tornou um dos grandes AC que a Ubisoft esperava. Então, qual a ideia da empresa para manter a franquia querida e atrativa? Trazer de volta um dos mais queridos e amados jogos da franquia em alta definição e atualizado para as plataformas atuais. Um que já foi até adaptado para romances e outras mídias de Assassin’s Creed.

Assassin’s Creed Black Flag Resynced (site oficial) é considerado, por muito, o melhor jogo da franquia e gerou alguns spin-offs incríveis, como o Assassin’s Creed IV: Black Flag – Freedom Cry e Assassin’s Creed Liberation, que fica no meio termo entre o III e o IV. Por cortesia da Ubisoft, jogamos o a versão Resynced e vamos contar para vocês sobre as novidades melhorias do game. E, se você tiver dúvidas, é só deixar um comentário.

Aparência renovada

A atualização mais óbvia está na aparência do Resynced. O original de 2013 realmente se mantém surpreendentemente bem graças à sua paleta de cores tropicais e ótima iluminação, mas o Resynced ainda é um destaque em comparação. O motor Anvil da Ubisoft é um claro avanço graças a novas opções como ray tracing, com texturas e física de 2026 também adicionando profundidade ao cabelo, pele e roupas que simplesmente não podiam ser feitas naquela época – e tudo a suaves 60 fps no PC.

As grandes cidades que você visitará, como Havana, estão repletas de gente e a natureza selvagem é densa com folhagens exuberantes. Assim como no Assassin’s Creed Shadows do ano passado, Resynced também tem alguns efeitos notáveis de vento, água e clima.

Assassin’s Creed Black Flag Resynced
Assassin’s Creed Black Flag Resynced

Trazer ao Black Flag um design moderno, revisitar o jogo que está dentro da cronologia de Assassin’s Creed em um ponto bastante interessante da história conhecida como a chamada Era de Ouro da Pirataria, com um enorme mapa naval acrescentou uma mudança muito necessária ao mapa-múndi. Antes, o mapa estava repleto de ícones marcando coisas para encontrar e fazer em uma quantidade perturbadora.

Agora, a abordagem mais focada em descobertas introduzida em Assassin’s Creed Valhalla (onde pontos de interesse não relacionados a missões não aparecem até que você os observe de pontos de sincronização ou esteja diretamente próximo a eles) ajuda a evitar que o mapa fique sobrecarregado, mas também incentiva você a realmente explorar esse mundo atualizado e reimaginado. Pode não parecer muito diferente do que você lembra à primeira vista, mas se você revisitar o Black Flag original vai perceber uma boa diferença.

O parkour faz a transição de um movimento para o outro de forma muito mais suave, e você pode mudar de direção muito mais rápido caso encontre algo na sua frente que não goste e precise de uma nova rota rapidamente, coisa que tornou o freerunning uma experiência notavelmente melhor.

As rotas em si agora são mais ousadas, realçadas por tinta e marcações em branco nos edifícios, de uma forma que se tornou mais perceptível nos jogos da última década, então há menos tentativa e erro quando se trata de pular de um passo para o outro.

A Era de Ouro da Pirataria

A história de Edward Kenway é uma das mais queridas da série por um bom motivo. É repleto de personagens memoráveis, reviravoltas importantes e ótimos roteiros e atuações. E uma das mortes mais emocionantes da franquia! Não era convencional para a época: um pirata egoísta em busca de glória que tem que ser arrastado para o conflito entre Assassinos e Templários chutando e gritando, e com grande perda pessoal.

E 13 anos depois, ainda não há muitas histórias que quebrem os moldes da mesma maneira nesta série. Ainda é facilmente uma das três melhores aventuras de Assassin’s Creed. A história ainda recebeu alguma atenção adicional, principalmente em algumas cutscenes extras que expandem certos momentos com personagens como Barba Negra, bem como um novo capítulo de final de jogo que permite amarrar uma ponta solta relacionada a um personagem que nunca foi punido justamente por seus crimes no jogo original. Algumas missões também são reformuladas para torná-las um pouco mais abertas.

Por exemplo, antes havia uma única maneira de conseguir um sino de mergulho para explorar um navio afundado e o jeito era comprando após juntar dinheiro. Agora, há uma maneira alternativa: roubá-lo de um grupo de soldados. Esse, e alguns outros momentos novos, nem parecerão novidade se você não tiver o original fresco na cabeça, mas fazem uma diferença para quem gosta de ver alguma mudança inesperada em meio a um cenário que já parece explorado e esgotado de surpresas.

As partes que você saia do Animus para andar pelos escritórios da Abstergo para tentar sabotar a maligna corporação Templária por dentro não existem mais. Em vez disso, a glifos espalhados pelo mapa que agora contribuem para vários sistemas de meta progressão no Animus Hub, que a Ubisoft introduziu pela primeira vez em Assassin’s Creed Shadows.

Assassin’s Creed Black Flag Resynced
Assassin’s Creed Black Flag Resynced

Encontrar glifos flutuantes no mapa lhe dá pontos e subir de nível em um equivale a um passe de batalha. Cada vez que você pode entrar em Fendas especiais, você terá que resolver alguns quebra-cabeças que servem de pano de fundo para uma história entre uma voz presa no Animus que quer nos mostrar a “verdade” e o próprio Animus tentando nos prender para sempre.

A Furtividade Aprimorada

Talvez você não se lembre, mas lá em 2013, Assassin’s Creed não tinha um botão focado apenas em agachar e colocar um em Resynced realmente muda a dinâmica furtiva do Black Flag e, junto dessa nova opção, alguns layouts nos cenários e patrulhas de soldados também foram ajustados para se adaptar a essa mecânica recém-adicionada. Ser capaz de se abaixar atrás da cobertura sem ter que ficar se mexendo para quebrar a linha de visão do inimigo realmente ajuda você a ficar escondido enquanto explora o mundo.

Detalhe: A ideia de ter esse botão é tão automática que eu nem percebi que não tinha antes. Eu só apertei o C e abaixei como se fosse a coisa mais normal do mundo!

Você também não precisa mais correr desajeitadamente de uma zona de perseguição para outra para passar despercebido. Algo tão simples como agachar-se permite que muitas outras maneiras de permanecer invisível sejam criadas, além de outras maneiras mais inovadoras, como a “furtividade social”: se misturar a multidões, contratar dançarinos que distraem perseguidores ou espalhar dinheiro no chão para que as pessoas venham pegar e fiquem no caminho dos inimigos.

Ferramentas como dardos e bombas e distrações como assobios são mais rápidas e fáceis de acessar graças ao HUD e aos menus modernos do Resynced, e os medidores de visibilidade e alerta padrão da série são melhores para ajudar você a permanecer anônimo. Essas características de qualidade de vida tornam Edward ainda mais astuto, mas seus inimigos não evoluíram tanto quando o pirata. Eles ainda conseguem enxergar distâncias bem grandes e ficarão desconfiados se você não fizer o máximo para permanecer escondido.

Em seções furtivas, especialmente em áreas urbanas, os guardas estão por toda parte com muitas patrulhas itinerantes que sobrepõem suas áreas de visão com sentinelas estáticas, o que torna imperativo se movimentar no momento certo. Mas, apesar de tudo isso, pode demorar um pouco para que eles sejam alertados e entrem em ação e o tempo prolongado que passam nesse estado amarelo “curioso” torna-os muito fáceis de manipular.

Algumas das atividades furtivas também foram atualizadas, especificamente as sequências de espionagem. A versão antiga, exigia que você ficasse dentro da zona audível de um par de personagens tagarelando sobre informações importantes sem ser visto, e isso tinha seus problemas. Mas a versão dessa atividade nos jogos mais recentes da franquia era apenas apertar um botão quando você chegava perto o suficiente para ouvi-los. Algo que realmente matava qualquer intriga ou tentativa de imersão nessa atividade.

O estilo antigo precisava de ajustes, especialmente em seu posicionamento (às vezes frustrante) nos pontos de verificação, mas ainda era mais divertido do que a versão atual em Resynced.

Combate reformulado

Quando a furtividade deixa de funcionar, chega a hora de sacar a espada. Felizmente, o combate de Black Flag Resynced foi modernizado sem perder a essência do original.

Edward continua eliminando vários inimigos em sequência com ataques leves, mas agora eles possuem uma barra de postura além da barra de vida. Combinações de ataques leves e golpes pesados, que variam conforme a arma equipada, desgastam essa postura até deixar o inimigo vulnerável a uma execução instantânea, que ainda pode ser emendada em outros adversários próximos.

Assassin’s Creed Black Flag Resynced
Assassin’s Creed Black Flag Resynced

O sistema de parry também mudou. Em vez de funcionar como o antigo contra-ataque, ele agora quebra a postura do inimigo, abrindo espaço para continuar a ofensiva. A variedade de inimigos continua relativamente pequena, mas eles aparecem em maior número e defendem melhor os ataques frontais. Para contornar isso, Resynced elimina o antigo botão de quebrar defesa e dá a Edward novas opções, como golpes nas pernas e um chute capaz de arremessar os inimigos contra paredes ou penhascos.

As ferramentas secundárias também ficaram mais úteis. Agora é possível interromper um combo para sacar a pistola ou lançar o dardo de corda contra um inimigo distante, quase como um golpe de Mortal Kombat. Contra grupos maiores ou nas dificuldades mais altas, todas essas mecânicas funcionam muito bem em conjunto e tornam o combate simples, mas bastante satisfatório. Sinceramente, nem senti falta da antiga mecânica que permitia usar as armas dos inimigos.

Na dificuldade normal, porém, o combate continua relativamente fácil. Em grupos pequenos, basta esperar o ataque, aparar no momento certo e aproveitar a abertura para vencer a luta rapidamente. Além disso, boa parte das animações cinematográficas do Black Flag original foi removida. O sistema ficou mais rápido e responsivo, mas perdeu um pouco do espetáculo visual que marcava os confrontos.

Ao Mar

As batalhas navais, por outro lado, continuam sendo um dos pontos altos do jogo. Os quatro tipos principais de armamento retornam com melhorias e agora podem receber ataques secundários desbloqueados ao longo da campanha. A munição especial dos canhões laterais, por exemplo, possui alcance menor, mas causa muito mais dano e cria pontos fracos que podem ser explorados pelas armas giratórias, que agora funcionam de forma parecida com Assassin’s Creed Rogue, bastando mirar para disparar automaticamente.

Outra novidade são os oficiais recrutáveis para a tripulação, que concedem habilidades passivas ao navio. Algumas fazem bastante diferença, como o Perfect Brace, que anula completamente um disparo quando a defesa é executada no momento exato do impacto.

Somadas a habilidades como Dashing Ram e Double Shot, essas melhorias deixam as batalhas ainda mais divertidas. Continuar navegando pelo Caribe atrás de navios cada vez maiores para enfrentar permaneceu sendo uma das atividades mais prazerosas entre uma missão e outra. O mundo também parece mais vivo durante a exploração. Navios espanhóis, ingleses e piratas entram em confronto constantemente, enquanto tempestades e raios tornam algumas travessias muito mais perigosas.

Veredito sobre Assassin’s Creed Black Flag Resynced

Assassin’s Creed Black Flag Resynced

Paulo Fabris

A história de Edward Kenway continua funcionando muito bem. A jornada de um homem que abandona sua antiga vida em busca de riqueza e reconhecimento dificilmente perde o apelo. Ao mesmo tempo, é curioso como essa busca acaba lembrando a própria Ubisoft em 2026, sempre tentando recuperar o sucesso de outros tempos e reviver um dos momentos mais marcantes da franquia.
Gráficos
Música
Jogabilidade
Diversão
Preço

Prós e Contras

Black Flag continua sendo um excelente jogo, e Resynced ainda é uma ótima forma de conhecer — ou revisitar — essa história. O problema é que nem todas as mudanças justificam sua existência. Algumas modernizam a experiência, outras acabam tirando um pouco da personalidade do original. No fim, fica a sensação de que este remake navega por águas conhecidas sem encontrar muitos motivos para mudar de rota.

4.2

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