Quem nunca jogou Bomberman? Quem nunca encurralou o amigo entre uma bomba e a parede apenas para ver ele entrando em desespero sem saber o que fazer? Quem nunca se colocou nessa mesma situação sem nem ver o que estava e, quando percebeu, fez um “putz…”. Bomberman é um jogo que não explode apenas blocos e paredes, mas também amizades.

Assim como Sonic e Mario, Bomberman foi um dos grandes mascotes dos videogames da era 16 bits, mesmo não sendo vinculado a um console, o jogo era competitivo e divertido, fazendo com que controles e amizades explodissem igual as paredes e inimigos que encarávamos na tela.
Desenvolvido pela Hudson Soft e criado em 1983 por Shinichi Nakamoto e Shigeki Fujiwara, o design de personagem de Bomberman (site oficial) se destacava por sua aparência simples, carismática e mecânica simples de jogo, que, além de divertida, era competitiva e os jogadores podiam passar horas explodindo uns aos outros, em um cenário simples e colorido. Mas, por trás disso, há uma história de ideias criativas, reaproveitamento de conceitos que deram certo e muito pouco tempo de desenvolvimento.
Vamos então, falar um pouco sobre a história e do design do Bomberman, com seus altos e baixos, e como isso pode ajudar você, jovem desenvolvedor a criar seu personagem para seus jogos e, se você tiver dúvidas, é só deixar um comentário.
Bomberman
A História do Bomberman
Bomberman é um clássico dos videogames que surgiu na década de 1980, desenvolvido pela empresa japonesa Hudson Soft.
A empresa, que começou como uma loja focado em conserto de rádios, lançava vários jogos para o antigo console da Atari e, diziam as lendas, chegava a lançar até um jogo por dia. Esses jogos tinham um enorme foco na velocidade de desenvolvimento e muito pouco na qualidade, algo que prejudicava muito o console.

O primeiro “Bomberman” foi concebido por Shinichi Nakamoto e Shigeki Fujiwara e foi lançado pela primeira vez em 1983 para o computador NEC PC-8801 no Japão e foi primeiro jogo que tinha mais foco na qualidade do que velocidade de produção e diziam ser inspirado em Indiana Jones.
Inicialmente chamado de “Eric and the Floaters”, ou como é chamado no Japão “Bakudan Otoko”, era sobre um explorador que buscava um tesouro e usava bombas para abrir seu caminho. Depois o jogo ainda recebeu uma versão em 3D, em 1984, onde era jogado em primeira pessoa, mas, por causa da mecânica complexa pela mudança de visão, o jogo acabou não caindo no gosto popular.
Mas foi só em 1985 que o jogo chamado de “Bomberman” foi lançado para o NES (Nintendo Entertainment System) e finalmente estrelava o Bomberman que conhecemos.
A história do jogo foi baseada em Pinóquio, o manual japonês de Bomberman diz que ele é um robô preso e escravizado no fundo de uma mina que usa as bombas para extrair os minérios. Existia uma lenda que dizia que qualquer robô que chegasse a superfície poderia se tornar um humano real e nosso Bomberman, mais conhecido como “Bomberman Branco”, se rebelou contra o sistema e começou sua fuga para a superfície.
A jogabilidade de Bomberman é simples, mas altamente viciante. Os jogadores controlam um personagem pequeno, cujo objetivo é destruir inimigos e obstáculos com bombas em labirintos enquanto coleta power-ups para melhorar suas habilidades. O jogo é conhecido por seus modos multiplayer, que permitem que até quatro jogadores compitam entre si ou cooperem para derrotar inimigos em labirintos cada vez mais desafiadores.
Desde seu lançamento inicial, Bomberman se tornou uma franquia de grande sucesso, gerando numerosas sequências e spin-offs em várias plataformas de videogame ao longo dos anos. A jogabilidade simples, mas estratégica, combinada com o multiplayer competitivo, solidificou o status de Bomberman como um dos jogos mais amados e duradouros da história dos videogames.
Lode Runner
Antes de tudo, a criação de Bomberman aconteceu em apenas 72 horas de acordo com as lendas da indústria do videogame e aconteceu em uma maratona na Hudson Software. Nakamoto reutilizou sprites de um jogo anterior da empresa, o Lode Runner também lançado para o Famicom.
Ele pegou os sprites dos robôs inimigos do jogo e usou como o modelo para o protagonista do novo jogo dele. Ou seja, o design do Bomberman é uma reciclagem de assets que foi feita por causa da necessidade de se desenvolver um jogo rapidamente.
O próprio jogo em si é também é uma reciclagem de uma ideia de um antigo jogo para PC chamado “Bakudan Otoko (Bomber Man)”. Foi aí que surgiu a ideia de explodir os inimigos com bombas, como o nome indica. Esse é o game que foi lançado posteriormente como “Eric and the Floaters”.

Não há um motivo exato de o porque ele não tem olhos ou boca, exceto pelo fato de que os inimigos eram robôs que tinham esse design e aquela “bolinha” na cabeça dele provavelmente era uma antena para o controle dos robôs. O jogo começa e você usa bombas para abrir caminho e derrotar os inimigos ao longo de 50 fases.
E o que acontece quando você passa das 50 fases do Bomberman original do Nintendo 8-bits (este que é considerado pelos criadores como o primeiro jogo oficial da série)? Ele se transformava no menino protagonista de Lode Runner! Ou seja, a lenda de que o robô que se transformaria em um menino era real!
No final do jogo, na versão norte-americana, você vê uma mensagem que diz “talvez você o reconheça em outro jogo da Hudson Soft”, mas na versão japonesa é dito claramente que ele se tornou Runner, o protagonista do outro game.
O Bom, o Mau, a Kawaií e o Feio
Bomberman não passou os anos sem nenhuma mudança em seu visual. Como qualquer personagem, ele precisou passar por algumas mudanças ao longo dos anos para agradar diferentes públicos.
Alguns foram mais bem recebidos do que outros, principalmente pelo público japonês e, como você imaginar, nem todos tiveram o envolvimento direto de seus criadores, o que casou muitas diferenças criativas.
Sendo o Runner ou não, Bomberman no final das contas se tornou um sucesso, mesmo sendo feito (de acordo com as “lendas contadas na indústria”) em 3 dias e com a reciclagem de vários assets de jogos anteriores, garantindo várias sequências e é uma das franquias mais famosas da história dos games. Veja algumas das versões que o bomberman ganhou ao longo dos anos:
Bomberman Jetters
Uma das boas variações de Bomberman que aconteceram ao longo dos anos foi a subsérie Bomberman Jetters. A diferença principal são os olhos de anime que o personagem ganhou para se tornar mais expressivo.

Não há outras mudanças visuais no personagem, mas vários dos personagens coadjuvantes eram mais elaborados e cheio de detalhes que os tornavam diferentes do protagonista. De resto, o jogo seguia a mesma fórmula e o personagem não foi alterado.
Além dos vários jogos, Bomberman Jetters também foi transformado em uma série de anime que chegou a ser transmitida no Brasil pelo canal pago Jetix e na TV Globo nas manhãs da TV Globinho em horários irregulares.
Bombergirl
Outra mudança que foi bem recebida pelos japoneses foi a subsérie Bombergirl, que seguia a mesma fórmula de jogo, mas os personagens foram substituídos por garotas de anime bonitas, usando roupas nas cores que remetiam aos personagens originais, além de acessórios de cabelo ou bolsas que levavam a imagem do personagem e, é claro, como não poderia deixar de ser, algum nível de sensualidade nas meninas bonitas com as roupas rasgadas pelas explosões.

Nesse jogo, Bomberman foi substituído por uma garota de cabelos brancos chamada Shiro e o resto dos personagens seguiam a mesma linha. Você explora um labirinto e deve explodir obstáculos, inimigos e os outros jogadores, no modo competitivo. Enquanto joga, você controla personagens estilizados, ao estilo chibi, mas, quando é explodida uma ilustração da sua personagem em poses constrangedoras ou com as roupas rasgadas preenche toda a tela.
Poderíamos dizer que essa foi a coisa mais estranha que aconteceu com o Bomberman nesses anos? Bem que a gente queria! Bombergirl foi uma mudança “inofensiva” ao personagem, igual ao Bomberman Jetters que só deu uma pequena repaginada no visual do personagem, mas algumas outras foram mais radicais.
Bomberman: Bakufuu Sentai Bombermen
Uma das mais “esquisitas” mudanças (sim, mais esquisito do que transformar ele numa menina kawaií). Em Bomberman: Bakufuu Sentai Bombermen, para PSP, Bomberman e seus amigos foram transformados em um esquadrão Super Sentai (ou para os menos familiarizados, em Power Rangers).

A fórmula é a mesma do jogo tradicional, com um labirinto, obstaculos e inimigos e bombas sendo usadas como arma. Não há mudanças na fórmula, pelo menos, mas o visual chega a ser bem diferente e peculiar. Tendo um Bomberman forte e “padrão”, um Bombergirl também “padrão” e um Bomberman muito magro, outro mais gordo e por aí vai.
Talvez alguém tenha visto aquela capa do jogo do Turbo GrafX de 1990 em que eles tinham olhos humanos e pensou “ei, e se transformássemos eles em humanos, mas humanos mesmo, não animes?” e o outro disse “Boa ideia!” A ideia foi boa? Acho que no mínimo, ela foi peculiar!
Robo Warrior
Porém, sempre há aquelas mudanças que se esforçam demais e passam do ponto. Vamos falar das piores? Sim, infelizmente ele acabou passando por algumas mudanças muito ruins, como em Robo Warrior (ou Bomber King), de 1987. Apesar de ser desenvolvido pela Hudson, em parceria com a Jaleco, este é considerado um spin-off da franquia e foge bastante do estilo cartunesco do Bomberman.

Aqui temos o robô ZED, que usa não somente suas bombas, mas também atira nos inimigos. Ele se inclina mais para uma estética sci-fi, algo que se encaixa bem com sua premissa mais sombria.
Os monstros que você encontrará são mais intimidantes e alienígenas o suficiente para pertencer ao cenário, incluindo slimes explodindo, pássaros esqueléticos e robôs aranha que disparam mísseis com precisão assustadora. Os chefes também se encaixam nesse molde, incluindo uma quimera voadora, um dragão que emerge de um poço e um golem que atira pedras comicamente rápido.
Bomberman Act Zero
Talvez este tenha sido o jogo que inspirou o pior que aconteceu com o personagem: Bomberman Act Zero. De acordo com um artigo de John Lee (replicado no vídeo do Canal MattMuscles), o desenvolvimento de Act Zero foi por que:
“Hudson sentiu essa necessidade irresistível de agradar seus acionistas e jogos como Bomberman: Act Zero surgiram. Antes que a divisão americana da Hudson fosse totalmente estabelecida, as mentes criativas restantes da Hudson queriam atualizar o Bomberman para atender aos ocidentais. A empresa acreditava que os EUA eram uma oportunidade para crescer novamente.

Infelizmente, o jogo foi desenvolvido no vácuo e foi baseado no que os japoneses pensavam que eram os gostos ocidentais em jogos. Sem o criador original do Bomberman a bordo para proteger a marca, e sem a contribuição das operações dos EUA (que na época não tinham nenhum desenvolvedor real a bordo), Bomberman foi lançado em um mundo pós-apocalíptico que era sombrio e sinistro e lançado sem uma das principais características que definiram o jogo.”
Como resultado, Bomberman: Act Zero foi criticado, classificado como um dos 10 piores jogos de TODOS OS TEMPOS. Embora o jogo não tenha sido fundamentalmente interrompido, a mídia abriu um novo buraco para Hudson para essencialmente soar um alerta.
Bomberman: Act Zero foi um ponto baixo para a empresa. As vendas da série caíram para um mínimo de 20 mil unidades, ante um máximo de mais de 1 milhão durante seu pico na década de 90. Hudson precisava muito de um novo campeão para o desenvolvimento de jogos. Ironicamente, veio da recém-formada divisão dos EUA.”
E qual o problema de Act Zero? Bom, como podemos ver, não vemos o Bomberman nele! Algo que parece mais um Homem de Ferro sombrio e malvadão, com uma mão enorme e, para as personagens femininas, a Hudson pensou em “caprichar demais” em algumas “áreas” que era um pouco desnecessário de atenção se tratando de um jogo de Bomberman.
Os cenários coloridos, otimista e fofinhos foram substituídos por um mundo pós-apocalíptico, depressivo e opressor, cheio de máquinas cobertas de ferrugem, rios de ferro derretido escorrendo de tonéis gigantes e um mundo escuro, subterrâneo (remetendo um pouco a história original) e todo o carisma do personagem foi por água abaixo e tudo isso sem contar os problemas extras do jogo, como bugs e a falta de um slot de salvamento, que não agradou ninguém. Aquela coisa de “ninguém pediu isso”, então, por que fizeram?
Concluindo a Saga Bomberman
No fim das contas, o Bomberman não nasceu de um grande plano revolucionário, nem de um design meticulosamente planejado do zero. Ele surgiu de limitações, reaproveitamento e decisões rápidas e, ainda assim, se tornou um dos personagens mais reconhecíveis dos videogames.
Isso diz muito sobre como personagens são criados na prática. Nem sempre é sobre ter a ideia mais original do mundo, mas sim sobre executar bem uma ideia simples, funcional e que converse com a experiência do jogador. O design do Bomberman funciona porque ele é direto, legível e serve perfeitamente à jogabilidade.
Ao longo dos anos, as mudanças que respeitaram essa essência conseguiram manter o personagem relevante. Já aquelas que tentaram reinventar demais, ignorando o que fazia o Bomberman ser o que é, acabaram sendo mal recebidas. Não por serem diferentes, mas por perderem a identidade no processo.
No fim, talvez essa seja a principal lição: um bom personagem não é só aparência, nem só história — é a soma de tudo isso funcionando em harmonia com o jogo. E no caso do Bomberman, mesmo sendo criado às pressas e com peças recicladas, ele prova que, quando essa harmonia acontece, o resultado pode durar décadas.
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