Arknights: Endfield Beta Test II mostra um jogo mais sólido, ambicioso e com identidade própria
Faz algum tempo eu cheguei a começar a jogar Arknights no mobile. Jogo ao estilo tower defense, com uma profunda história envolvendo uma indústria farmacêutica chamada Rhoded Island lutando contra uma doença chamada ‘Oripatia’, um tipo de doença que faz crescer uns cristais no corpo do infectado, lhe dá poderes, mas, em algum momento, matará o usuário. A busca pela cura e pelo entendimento da causa da doença eram cruciais para o enredo do jogo.
Agora, Arknights: Endfield (site oficial) vai para anos no futuro, onde não houve (até o momento) menção a doença e só alguns poucos textos que mencionam a Rhoded Island. Também não dá pra saber se o resto dos personagens foram mencionados, afinal, você precisa de um bom conhecimento do jogo mobile para pegar cada uma das referências.
Mas, a pergunta é: Você precisa conhecer Arknights para aproveitar o Endfield? Tive o prazer se se escolhido para o segundo Beta de Arknights: Endfield e digo: o Beta Test II deixa uma impressão bem clara: o jogo já passou da fase de experimento e começa a se apresentar como um projeto grande, estruturado e com ideias próprias dentro do universo dos RPGs de ação com gacha.
Não é mais um teste para ver “se funciona”, mas um recorte de algo que já tem forma, direção e sistemas bem definidos. Ainda há problemas, alguns bem evidentes, mas o núcleo do jogo está mais firme do que antes. A sensação geral é de um jogo que sabe o que quer ser, mesmo que ainda esteja ajustando como entregar isso ao jogador. Vamos falar deste Beta e, se ficar com dúvidas, é só deixar um comentário.
Arknights: Endfield Beta Test II
A história de Arknights: Endfield
Arknights: Endfield se passa no planeta Talos-II, onde a humanidade tenta se estabelecer após deixar a Terra e outros mundos já devastados. O jogador assume o papel do Endministrator, líder da Endfield, uma empresa que enviou uma equipe enviada para explorar, colonizar e manter viva essa nova fronteira hostil. Talos-II é rico em Originium, um recurso poderoso e instável que impulsiona tecnologia, mas também causa conflitos e riscos constantes.
O combate é, sem dúvida, o ponto mais forte de Arknights: Endfield neste beta. A decisão de manter quatro Operators ativos ao mesmo tempo no campo de batalha muda completamente a dinâmica em comparação com outros jogos do gênero. Não é apenas trocar de personagem quando quiser. Todos estão presentes, atacando, reagindo e prontos para serem acionados a qualquer momento.

Isso transforma o combate em algo menos individual e mais coletivo. O jogador não está só controlando um personagem forte, mas gerenciando um pequeno esquadrão em tempo real. Cada decisão importa, porque usar uma habilidade agora pode significar não tê-la disponível alguns segundos depois, quando a situação apertar.
O sistema de barra de habilidades compartilhada reforça essa lógica. As habilidades não são recursos isolados de cada personagem. Elas vêm de um mesmo reservatório, o que obriga o jogador a pensar em prioridade, momento e sinergia. Esse detalhe simples faz uma diferença enorme na prática, principalmente em lutas mais longas ou contra chefes.
Outro avanço claro está no sistema de stagger. Inimigos não apenas apanham até morrer. Eles têm medidores, pontos de quebra e momentos específicos de vulnerabilidade. Quando esses pontos são explorados corretamente, o combate flui melhor, fica mais estratégico e menos caótico. O jogador entende quando é hora de pressionar e quando é melhor se defender ou reposicionar.
O dodge também foi refinado. Agora é possível realizar dois desvios consecutivos, com uma pequena janela de recuperação. Isso deixa o combate mais responsivo e menos travado. Ainda assim, há situações em que a leitura visual dos ataques inimigos pode ficar confusa, principalmente quando muitos efeitos estão acontecendo ao mesmo tempo. O sistema funciona, mas a clareza visual ainda pode melhorar.
Mesmo com essas ressalvas, o combate transmite peso e impacto. Ataques não parecem flutuar, habilidades especiais realmente mudam o rumo das lutas e as animações ajudam a vender a sensação de força. Jogar com controle, em especial, reforça essa impressão de combate mais físico e bem cadenciado.
Operators, classes e a importância da equipe
Durante esse teste Beta, existem 24 personagens jogáveis e as classes realmente fazem diferença: Guardas, Strikers, Casters, Defenders, Vanguards e Supporters cumprem papéis claros e influenciam diretamente como o time se comporta em combate.
Não basta colocar personagens fortes juntos. O jogo exige composição. Alguns Operators funcionam melhor abrindo espaço, outros quebrando stagger, outros sustentando o time ou controlando inimigos. Quando essa engrenagem funciona, o combate flui de forma muito mais natural.

Os ultimates merecem destaque. Eles não são apenas ataques bonitos. Muitos têm funções táticas claras, como cura em área, controle de campo ou criação de janelas seguras de dano. Em várias situações, usar um ultimate no momento certo é o que define se a luta será vencida ou perdida.
Isso reforça a sensação de que Arknights: Endfield recompensa atenção, leitura de combate e entendimento do próprio time, não apenas números altos ou raridade elevada.
A AIC Factory continua sendo um dos elementos mais particulares de Arknights: Endfield. Ela não é um extra opcional jogado de lado, mas um sistema profundamente integrado ao progresso do jogo. Produção de recursos, rotas, automação, blueprints e expansão territorial fazem parte do mesmo ciclo.
No Beta Test II, esse sistema parece mais acessível do que antes. O uso de layouts prontos, ferramentas de cópia e suporte automatizado reduz a barreira inicial e torna o gerenciamento menos cansativo. Ainda assim, é impossível ignorar que esse tipo de mecânica não agrada todo mundo.
Para quem gosta de automação e organização, a fábrica funciona como um jogo dentro do jogo. Para quem não gosta, ela pode parecer uma obrigação. O ponto positivo é que, pelo que se percebe, Endfield tenta equilibrar essa profundidade com ferramentas que evitam microgerenciamento excessivo.
A fábrica não substitui o combate nem a exploração, mas funciona como um eixo de sustentação do progresso. Ela conecta várias partes do jogo e dá uma sensação de crescimento contínuo, desde que o jogador esteja disposto a lidar com esse tipo de sistema.
Exploração e identidade do mundo
Visualmente, Wuling City se destaca como uma região com identidade própria. A mistura de arquitetura inspirada na China tradicional com elementos industriais e ficção científica cria um cenário que foge do genérico. O mundo não parece apenas bonito, mas coerente com a proposta do jogo.

A exploração é mais guiada do que em muitos RPGs do gênero. Ferramentas como detector de baús, orientação por companheiros e atalhos reduzem o tempo gasto andando sem objetivo. Isso ajuda bastante quem joga em sessões mais curtas e não quer perder tempo procurando algo específico.
Ao mesmo tempo, o mapa é grande e cheio de conteúdo opcional. Há áreas para explorar, colecionáveis e atividades paralelas suficientes para manter o jogador ocupado por muitas horas, mesmo dentro de um beta.
Mas há limites claros
Apesar de todo o refinamento, o combate não é perfeito. Fora o uso de habilidades, o ataque básico é simples. Não há uma variedade grande de combos manuais, nem uma distinção clara entre golpes leves e pesados controlados diretamente pelo jogador. Isso faz com que, entre momentos mais intensos, algumas lutas comuns possam parecer repetitivas.
O jogo brilha quando exige leitura de inimigos, uso inteligente de habilidades, stagger e ultimates. Em encontros menores, onde nada disso é realmente necessário, o ritmo cai um pouco. Não chega a ser um problema grave, mas é algo perceptível ao longo de sessões mais longas.
Por outro lado, os combos entre personagens, ataques encadeados e habilidades de link ajudam a quebrar essa repetição. Quando o jogador começa a montar um time com sinergia real, o combate ganha mais camadas e fica mais interessante, mesmo sem uma grande complexidade nos comandos básicos.
Narrativa e problemas de ritmo
Se o combate é o maior acerto, o ritmo narrativo é o maior problema. O jogo sofre com excesso de diálogos e cutscenes, principalmente nas horas iniciais. Há longos períodos em que o jogador apenas assiste ou lê, com pouca ou nenhuma interação.
Mesmo com um universo interessante e cheio de lore, a forma como a história é apresentada cansa. A sensação é de que o jogo segura demais o controle do jogador, atrasando o momento de realmente jogar. Isso pode afastar quem busca uma experiência mais dinâmica.
Esse problema fica ainda mais evidente quando comparado à qualidade do combate. A vontade de voltar para a ação surge rápido, mas o jogo demora a permitir isso. Existe a expectativa de que parte desse ritmo lento esteja ligada à necessidade de explicar sistemas complexos no início, mas não há garantia de que isso será totalmente resolvido no produto final.
Conclusão sobre o Beta Test II Arknights: Endfield
O Beta Test II de Arknights: Endfield passa a impressão de um jogo ambicioso, já bem estruturado e com identidade própria, especialmente no combate em equipe. Ele não parece apenas seguir tendências do gênero, mas tenta criar seu próprio espaço com sistemas que exigem mais estratégia e gerenciamento coletivo.
Os problemas existem. Ritmo narrativo lento, excesso de efeitos visuais em alguns momentos e certa repetição em combates menores são pontos que ainda precisam de atenção. Mesmo assim, o núcleo do jogo é forte o suficiente para sustentar dezenas de horas de conteúdo.
Endfield não é um jogo para todo mundo, especialmente por causa da fábrica e do foco pesado em sistemas. Mas para quem busca um RPG de ação com combate mais estratégico, times realmente ativos e um mundo com identidade, o Beta Test II mostra que o projeto está no caminho certo.
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