Perfect World: A História de Um dos Mais Populares MMORPG do Brasil nos Anos 2000

Perfect World

Perfect World foi um dos MMORPG mais populares do Brasil e chegou a té milhares de jogadores em seus sevidores, mas hoje não tem mais a mesma força. Acompanhe a trajetória do game

Perfect World foi um dos MMORPGs gratuitos mais populares do Brasil no fim dos anos 2000. Enquanto as lan houses dominavam o cenário com Counter Strike e Runescape, quem tinha um computador em casa e uma banda larga mais poderosa poderia se aventurar em jogos gratuitos mais pesados como o Perfect World.

Quem jogou lembra bem: voar de elfo alado já no nível 1, enfrentar chefes em instâncias, brigar pelo controle de cidades com o clã. O jogo chegou a bater o recorde brasileiro de jogadores simultâneos, passando Grand Chase e Ragnarök.

Mas, hoje, o que sobrou dele? Ainda dá para jogar? E por que o spin-off que a própria desenvolvedora preparou acabou cancelado? Vamos falar sobre a história de Perfect World, da desenvolvedora na China, a Beijing Perfect World, até o servidor da Level Up!, e, se você ficar com dúvidas, é só deixar um comentário.

Beijing Perfect World

A Beijing Perfect World foi fundada em 27 de julho de 2004 por Chi Yufeng, também conhecido como Michael Chi, formado na Universidade Tsinghua. A ideia da empresa era levar a cultura tradicional chinesa para o mercado mundial através de jogos online.

Para isso, o estúdio criou o próprio motor gráfico, o Element, e é considerado um dos primeiros da China continental a desenvolver um motor 3D por conta própria. O jogo chegou ao público chinês em 2005 como um MMORPG de fantasia com mundo contínuo baseado em lendas chinesas e com a estética de Wuxia, ou seja, sem telas de carregamento entre as regiões.

Para a época, isso era bem impressionante, principalmente levando em conta a criação de um motor próprio em vez de usar os tradicionais Unity ou Unreal.

O mundo foi feito duas vezes

Perfect World é inspirado na mitologia chinesa da criação do mundo.

Segundo a história do jogo, o deus Pangu moldou o mundo a partir do ar, da terra, dos rios e dos mares, dando forma a um lugar que ainda precisava ser habitado. Em sua primeira tentativa de povoá-lo, ele criou criaturas a partir da própria sombra, mas elas acabaram se corrompendo e passaram a atacar umas às outras, transformando o mundo em um lugar caótico.

Perfect World
Perfect World

Para salvar aqueles que ainda não haviam sido contaminados, Pangu construiu Heaven’s Tear, uma cidade flutuante que serviria de refúgio, e provocou uma grande inundação para eliminar as criaturas corrompidas e recomeçar a criação.

Na segunda tentativa, Pangu decidiu criar três raças, cada uma representando uma parte de sua própria essência. Os humanos nasceram de seu espírito, os Untamed foram criados a partir de seu corpo e os elfos alados surgiram de seu sangue. Embora fossem diferentes entre si, todos receberam um presente em comum: o livre-arbítrio, que lhes permitia decidir o próprio destino. Entretanto, essa liberdade também trouxe conflitos, e a paz não durou muito.

Quando humanos e elfos alados descobriram a existência de Heaven’s Tear, os dois povos passaram a disputar o controle da cidade, dando início a uma guerra que ameaçava dividir o mundo novamente. Os Untamed, por sua vez, preferiram manter a neutralidade e evitar o envolvimento direto no conflito.

Enquanto as três raças se enfrentavam, uma ameaça ainda maior começou a surgir das sombras: os Wraiths, criaturas corrompidas que sobreviveram à destruição do mundo original e retornaram como seres mortos-vivos, determinados a espalhar a corrupção mais uma vez. Diante desse perigo, humanos, Untamed e elfos alados precisam superar suas diferenças e unir forças para proteger o mundo que Pangu criou.

Raças, classes e como se joga

No lançamento, o jogo tinha três raças, cada uma com duas classes. Os humanos vivem no norte de Pangu, têm Etherblade como cidade principal e podem ser Blademaster, que luta corpo a corpo, ou Wizard, o mago. Os elfos alados moram no sul, em volta da cidade de Plume, e voam desde o primeiro nível (gastando mana, claro), com as classes Archer e Cleric.

Já os Untamed, mistura de humanos com feras, vivem no oeste e se transformam em animais: o Barbarian vira tigre e o Venomancer vira raposa. No nível 30, eles ganham montarias voadoras. A versão internacional ainda recebeu raças novas com o tempo, como os Tideborn, dominadores do oceano com as classes Assassin e Psychic, além dos Earthguard e dos Nightshade.

Perfect World
Perfect World

O jogo segue a receita clássica dos MMORPGs: você evolui com missões, forma grupo para enfrentar instâncias e chefes no mundo aberto, melhora armas e equipamentos e enfrenta outros jogadores. É gratuito, e no Brasil as microtransações dos itens especiais são comprados com uma moeda chamada GOLD.

O grande destaque são as Guerras Territoriais, em que os clãs disputam o controle de áreas do mapa. E, como em todo jogo de clã, a política pesa: quem lidera, quem entra, com quem se alia. Perfect World não é um daqueles jogos políticos de simulação de governo, mas a disputa por território faz o clã inteiro pensar quase como um pequeno país.

Chegada ao Brasil pela Level Up!

O jogo desembarcou por aqui em 19 de maio de 2008, quando a Level Up! abriu os servidores nacionais por volta das nove da manhã, em um período de beta aberto. Quem entrou no beta não perdeu personagem nem itens no lançamento comercial.

A resposta do público foi grande: a publicadora informou que Perfect World passou de 21 mil jogadores simultâneos, marca que pertencia a Grand Chase e Ragnarök, dois jogos da própria Level Up!. Naquele momento, o Brasil tinha quatro servidores: Arcadia, Cygnus, Lynx e Hydra.

Nos anos seguintes, vieram novos servidores e expansões. O Pegasus chegou junto com Mar em Fúria, expansão que trouxe uma nova raça, e o Draco foi o sexto servidor, aberto depois de três anos do jogo no país.

Em 2017, a expansão Jornada ao Oeste foi apresentada como a maior em nove anos, com um mapa novo nas Estepes de Ao Run, o sistema de Runas e a Arena de Guan Yu, para batalhas em equipe de três contra três e de seis contra seis.

Mas, com essa popularidade, por que então o jogo perdeu força?

Nenhuma fonte oficial explica a queda, mas o próprio servidor brasileiro deixa pistas. Depois de cinco anos sem servidor novo, a Level Up! abriu o PvP Taurus, com 50% de bônus de experiência. Mais tarde vieram as fusões. O Ophiuchus nasceu da união de três servidores, e o Cassiopeia juntou Phoenix e Taurus, com o banco do jogo e a pontuação das guerras territoriais zerados e limite de 16 personagens por conta. Servidor que precisa ser fundido é servidor com menos gente, simples assim. Em seu site, explicaram os motivos das fusões.

O que explica isso? Dá para apontar alguns suspeitos: o motor gráfico de 2004 envelheceu, o modelo gratuito costuma empurrar quem quer competir para gastar dinheiro e o celular passou a disputar o tempo de quem antes ficava horas no PC.

É claro, também há os fatores que todo MMORPG enfrenta: Excesso de bots, trapaças, roubos e hacks, além dos problemas que a Level Up! Enfrentava de reclamações de jogadores que diziam que a empresa não fazia nada contra os trapaceiros. Frequentemente a Level Up! Lançava comunicados documentando suas ações contra os trapaceiros, mas nunca parecia ser o suficiente.

Mas isso é nossa opinião, não uma explicação da empresa.

O que dá para dizer é que o jogo não morreu. Em 2023, a Level Up Latam comemorou 15 anos de Perfect World no Brasil com uma festa em São Paulo e a expansão Ascensão Heróica, que mexeu no sistema de clãs e apostou em moda e visual. Naquele momento, o MMO já tinha mais de 20 expansões.

Perfect New World

A tentativa mais ambiciosa de reviver a marca foi Perfect New World, um MMORPG derivado do clássico, feito pela Ironcore Game Studio, subsidiária da Perfect World Beijing. O jogo abriu um beta fechado pela Steam e fez um segundo teste em novembro de 2023, que dividiu opiniões. Os jogadores reclamaram dos requisitos de sistema muito altos, do número pequeno de classes e de problemas técnicos, e acharam a experiência bem diferente da do original.

Depois disso, silêncio. O cancelamento foi confirmado no relatório financeiro preliminar de 2024, que citou baixa expectativa de retorno. A imprensa especializada contou que a empresa cancelou pelo menos quatro jogos naquele ano e reorganizou suas equipes. Títulos como One Punch Man: World e Kai-Ri-Sei Million Arthur: Ring também tiveram cortes por causa do desempenho financeiro.

Perfect World Mobile

Enquanto o spin-off para PC naufragava, a versão para celular seguiu em frente. Perfect World Mobile chegou à China em 2019, com a Tencent Games, e depois foi lançado em mais de 120 países, incluindo o Brasil, para Android e iOS. O jogo traz as três raças clássicas, um continente de mais de 60 mil quilômetros quadrados, montarias terrestres e voadoras e gráficos refeitos, com iluminação realista e estações do ano. Também ganhou mapas novos, como as Terras Áridas e o Prado Ventoso.

Mais tarde, o jogo recebeu tradução para o português e servidor sul-americano. O produtor Bai Xue disse que o Brasil seria uma das primeiras regiões a ganhar o idioma local por causa da paixão dos jogadores. Um aviso para quem for baixar: o aplicativo pede cerca de 2,9 GB de espaço e 2 GB de memória RAM, bastante para um jogo de celular.

E o futuro de Perfect World?

A versão clássica para PC continua rodando no Brasil. O site oficial da Level Up! lista expansões recentes, como Reino Oriental e a extensão Segredos de Tianyu, além de concursos na comunidade e novidades na loja de GOLD, sinal de que ainda existe gente jogando. Já fora do servidor brasileiro, o cenário é menos animado. Até onde encontramos, não há anúncio de um novo Perfect World para PC depois do cancelamento de Perfect New World, e o celular segue como o caminho mais natural para atrair jogadores novos.

E você, chegou a jogar Perfect World? Em qual servidor, e com qual raça? Fale conosco nos comentários e diga se curtiu essa novidade e aproveite para ler mais notícias no nosso site.

Autor

  • Paulo Fabris

    Paulo Fabris é um jornalista, escritor, RPGista, gamer, cosplayer, nerd e fã de
    animes desde a época da TV Manchete.
    Trabalhou na redação de portais como o Cosplay Brasil, UmGamer, Married Games, Professor Smart e mais, além de ter trabalhos impressos em revistas especializadas em tecnologia de áudio e vídeo e automóveis.

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