RPG na Bienal do Livro: Veja os melhores livros para os fãs de Jogos de Interpretação e Baldur’s Gate 3

RPG na Bienal do Livro

Terminou Baldur’s Gate 3, e agora? Não tem mais nada para jogar? Então, a Bienal tem a resposta. Veja os melhores RPG na Bienal do Livro

Baldur’s Gate 3 foi um jogo que causou um hype no mundo dos games como a muito não se via. Talvez desde The Witcher 3, quando a CD Projekt Red faziam jogos com capricho, atualizações enormes e gratuitas, mas, depois de Cyberpunk 2077, o posto de desenvolvedora queridinha dos gamers foi para a Larian Studios.

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Baldur’s Gate 3

Um jogo feito por uma equipe que entende do que está falando, que ficou anos em early acess, recebendo atualizações que levaram em conta a opinião da comunidade e recebeu diversos prêmios nas edições da premiação Game of the Year em que participou. Baldur’s Gate 2 levou a quinta edição de Dungeons & Dragons para as telas dos gamers, agradando fãs de RPG tático e RPG de mesa da mesma forma.

Agora, já pensou (ou já aconteceu com você) em zerar Baldur’s Gate 3 e sentir aquele vazio de quem terminou uma temporada boa demais, sem saber o que fazer da vida depois? Sim. Baldur’s Gate 3 tem muito conteúdo, diversos finais e ainda mods que adicionam mais horas de gameplay.

Pois é exatamente esse buraco que a Bienal do Livro SP 2026 promete preencher para milhões de jogadores que descobriram Dungeons & Dragons sem nunca ter tocado em um dado de 20 lados na vida real. E, se você ficar com dúvidas ao longo da leitura, é só deixar um comentário.

Baldur’s Gate 3 para quem nunca jogou RPG

Lançado pela Larian Studios e baseado nas regras de Dungeons & Dragons 5ª edição, Baldur’s Gate 3 deixou de ser só mais um lançamento bem avaliado para virar fenômeno cultural.

O jogo varreu o The Game Awards 2023, levando para casa o troféu de Jogo do Ano, além de prêmios como Melhor RPG, Melhor Multijogador e Melhor Suporte à Comunidade, esse último mantido por três anos seguidos, prova de que a Larian não abandonou o público depois do lançamento.

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RPG na Bienal do Livro

Em termos de vendas, o número também impressiona, já que segundo declarações do próprio CEO Swen Vincke, o jogo já ultrapassou a marca de 20 milhões de cópias vendidas em todas as plataformas, um resultado raro para um RPG de turnos, com forte ênfase em texto e escolhas narrativas, num mercado dominado por jogos de ação em tempo real.

O que interessa aqui, porém, não é só o tamanho do sucesso comercial, e sim o efeito colateral que ele causou. Um grande aumento nas buscas pelo Dungeons & Dragons em livro físico, um aumento visível de gente nova batendo à porta dos grupos de mesa depois do lançamento do game, curiosos para entender como funciona isso de rolar iniciativa, testar atributo e criar uma ficha de personagem fora da tela.

Baldur’s Gate 3 fez pela geração atual algo parecido com o que séries de sucesso já vinham fazendo alguns anos antes, transformando uma sigla que soava obscura para quem estava de fora em algo familiar, quase mainstream.

A diferença é que, dessa vez, quem jogou não ficou só curioso de longe. Boa parte desse público quer sentar à mesa de verdade, ou, pelo menos, entender do que se trata antes de topar o convite de um amigo mestre.

Cadê a Wizards of the Coast na Bienal?

Aqui mora o problema que qualquer fã recém-convertido de D&D vai esbarrar ao procurar informação sobre a Bienal. A Wizards of the Coast, dona oficial da marca Dungeons & Dragons e responsável pela publicação em português através da Asmodee, não tem presença confirmada na edição de 2026 do evento, que acontece de 4 a 13 de setembro no Distrito Anhembi, em São Paulo.

Para quem só conhece o hobby pela versão digital de Baldur’s Gate 3, isso pode parecer um beco sem saída logo de cara, mas está longe de ser o fim da linha.

Isso porque o Brasil desenvolveu, ao longo de mais de duas décadas, uma cena própria de RPG de mesa, com produção nacional de altíssimo nível e uma comunidade que não fica atrás de nenhuma referência internacional.

E quem carrega essa bandeira no estande da Bienal 2026 é a Jambô Editora, casa porto-alegrense que se define como a maior editora de RPG do Brasil e reúne justamente os títulos que mais conversam com a experiência de quem se apaixonou por Baldur’s Gate 3.

Ou seja, quem for até o Distrito Anhembi atrás de D&D vai encontrar, no lugar da ausência da Wizards, um catálogo nacional pronto para receber esse público sem que ele perceba muita diferença na hora de sentar à mesa.

Do controle para a mesa

O primeiro nome óbvio dessa ponte é Tormenta20, sistema brasileiro de classes, magia e combate tático que carrega, com toda justiça, o apelido informal de “D&D brasileiro”. A ambientação de alta fantasia do continente de Arton, cheia de reinos em conflito, deuses em disputa e cidades com nomes tão evocativos quanto Valkaria e Nova Malpetrim, entrega o mesmo tipo de sensação de mundo vivo que Faerûn oferece em Baldur’s Gate 3.

Não à toa, Tormenta20 se tornou o maior recorde de financiamento coletivo da história do RPG brasileiro, arrecadando mais de 1,9 milhão de reais em campanha, prova de que existe um público gigante e fiel esperando justamente esse tipo de experiência em português.

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Tormenta

Já quem se apegou mais ao lado sombrio de Baldur’s Gate 3, aquela vibe de culto escondido, ritual proibido e segredo indizível que aparece em passagens como a Casa da Sombra, encontra em Ordem Paranormal um gancho quase perfeito.

O RPG nacional de horror urbano nasceu das mesas transmitidas pelo streamer Cellbit e se transformou, com apoio da Jambô, em um dos maiores fenômenos editoriais do gênero no Brasil, hoje desdobrado também em quadrinhos e HQs próprias.

A proposta de investigar o oculto em cenários brasileiros reconhecíveis, em vez de castelos europeus genéricos, dá a Ordem Paranormal uma identidade única, que ainda assim conversa diretamente com quem gostou da atmosfera de mistério e tensão de Baldur’s Gate 3.

Por fim, para quem se encantou com a mitologia estranha e as criaturas cósmicas que aparecem em determinados trechos do jogo, vale a pena conhecer a Coleção Cthulhu do NerdcastRPG, fruto de uma parceria entre a Jambô e o podcast Jovem Nerd que também quebrou recordes de financiamento coletivo, superando a marca de 5,5 milhões de reais arrecadados com mais de 11 mil apoiadores.

A coleção reúne romances, quadrinhos e livros-jogo ambientados no universo de horror cósmico inspirado nos mitos de Cthulhu, ou seja, dá para mergulhar nessa história sem precisar reunir um grupo inteiro disposto a jogar, o que facilita bastante a vida de quem só quer experimentar o material antes de se comprometer com uma campanha de mesa.

Um ciclo que já existia muito antes de Baldur’s Gate 3

Vale reforçar que esse movimento de ida e volta entre tela e mesa não é nenhuma novidade para quem estuda a história dos jogos eletrônicos, e sim praticamente o motor que fez o gênero RPG existir como conhecemos hoje.

Dungeons & Dragons nasceu em 1974, criado por Gary Gygax e Dave Arneson, e se tornou a base conceitual para praticamente tudo que veio depois. Foi a partir das regras e da lógica de mesa do D&D que surgiram os primeiros CRPGs de computador, como Wizardry e Ultima, ainda nos anos 1980, tentando traduzir para a tela aquilo que só existia até então em volta de uma mesa com dados e fichas de papel.

Décadas mais tarde, em 1998, a BioWare lançou o Baldur’s Gate original, também baseado diretamente nas regras de Dungeons & Dragons, iniciando a franquia que a Larian Studios reviveria com tanto sucesso em 2023.

Ou seja, o círculo se fecha de um jeito quase poético, já que um jogo eletrônico construído sobre as regras de um RPG de mesa acaba, décadas depois, reintroduzindo uma nova geração inteira para o hobby que deu origem a ele. Baldur’s Gate 3 não inventou essa ponte entre controle e mesa, ele só é, até agora, o exemplo mais bem-sucedido dela.

Terminou a campanha? Ela pode recomeçar em volta de uma mesa

Se você chegou até aqui depois de zerar Baldur’s Gate 3 e ainda sente que a história não acabou de verdade, talvez o próximo passo não seja esperar por uma expansão que a própria Larian já confirmou que não vai existir. Ele pode simplesmente recomeçar, só que dessa vez em volta de uma mesa, com amigos, dados físicos na mão e um sistema nacional pronto para receber você de braços abertos.

A Bienal do Livro SP 2026 é a oportunidade perfeita para dar esse primeiro passo, folhear os livros pessoalmente e conversar com quem vive esse universo todos os dias. Conta pra gente nos comentários se você também caiu de cabeça no RPG de mesa depois de jogar Baldur’s Gate 3, e qual desses títulos nacionais mais chamou sua atenção.

Fale conosco nos comentários e diga se curtiu essa novidade e aproveite para ler mais notícias no nosso site.

Autor

  • Paulo Fabris

    Paulo Fabris é um jornalista, escritor, RPGista, gamer, cosplayer, nerd e fã de
    animes desde a época da TV Manchete.
    Trabalhou na redação de portais como o Cosplay Brasil, UmGamer, Married Games, Professor Smart e mais, além de ter trabalhos impressos em revistas especializadas em tecnologia de áudio e vídeo e automóveis.

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