A História do Tomb Raider: Conheça a história dos jogos das 3 eras de Lara Croft

Legacy of Atlantis

Conheça a história do Tomb Raider e a arqueóloga britânica desde a época em que ela tinha seios poligonais até o futuro da franquia

Em outubro de 1996, uma arqueóloga britânica de duas pistolas apareceu no PlayStation, no Sega Saturn e no PC e virou um dos maiores ícones dos videogames. Quase trinta anos depois, Lara Croft segue em ação, com Tomb Raider: Legacy of Atlantis marcado para 12 de fevereiro de 2027 e Catalyst empurrado para 2028. O problema é que a série tem três linhas do tempo diferentes, e muita gente se perde no meio delas.

Os jogos clássicos apresentam uma Lara já experiente, cuja personalidade é marcada pela independência e pela disposição de enfrentar qualquer perigo em busca de descobertas. Posteriormente, a trilogia Legend reorganizou elementos de seu passado, enquanto a trilogia Survivor apresentou uma nova origem para a personagem.

Entender essas diferenças é fundamental para acompanhar a evolução de Lara Croft e os mistérios que ela enfrenta em cada fase da franquia. Vamos organizar tudo, com spoilers, e, se você ficar com dúvidas, é só deixar um comentário.

A origem da franquia e a primeira aventura

Desde sua estreia em 1996, Tomb Raider transformou Lara Croft em uma das personagens mais reconhecidas da história dos videogames e uma das principais protagonistas femininas dos games. Arqueóloga britânica, aventureira e exploradora de ruínas antigas, Lara construiu sua reputação investigando civilizações desaparecidas, enfrentando organizações criminosas e descobrindo artefatos capazes de alterar o destino da humanidade. Ao longo das décadas, a franquia desenvolveu diferentes versões de sua protagonista, com histórias que vão desde aventuras arqueológicas clássicas até narrativas sobre sobrevivência, trauma e responsabilidade.

Tomb Raider (1996)

Desenvolvido pela Core Design e lançado originalmente para Sega Saturn, PlayStation e PC em 1996, Tomb Raider apresenta Lara Croft como uma arqueóloga contratada por Jacqueline Natla, uma empresária que deseja recuperar um artefato conhecido como Scion da Atlântida.

A missão começa no Peru, onde Lara explora as ruínas de Vilcabamba e descobre uma antiga tumba ligada à civilização atlante. Durante a investigação, ela encontra evidências de que o Scion possui uma origem muito mais misteriosa do que aparentava. A busca a conduz por diferentes regiões, incluindo a Grécia e o Egito, enquanto ela reúne as partes do artefato e descobre a existência de uma conspiração.

Natla não é simplesmente uma patrocinadora interessada em arqueologia. Ela é uma antiga governante atlante que foi aprisionada por seus próprios companheiros após tentar utilizar conhecimentos proibidos para alterar a natureza da vida. Seu objetivo é recuperar o poder do Scion e utilizar a tecnologia atlante para criar uma nova geração de criaturas.

Lara descobre que o artefato está relacionado a uma civilização avançada destruída por seus próprios experimentos. Quando Natla ativa o poder do Scion, Lara precisa enfrentar as consequências da ambição da empresária e impedir que suas experiências se espalhem. O confronto final acontece nas ruínas da Atlântida, onde a protagonista destrói o artefato e escapa da estrutura em colapso.

A primeira aventura estabelece elementos centrais da franquia: a exploração de civilizações perdidas, os perigos do conhecimento antigo e o conflito entre a curiosidade arqueológica e a ambição daqueles que desejam controlar o passado.

Tomb Raider II (1997)

Desenvolvido pela Core Design e lançado para PlayStation e PC em 1997, Tomb Raider II coloca Lara em busca da Adaga de Xian, um objeto lendário associado ao antigo imperador da China.

Segundo a lenda, quem crava a adaga no próprio coração adquire o poder de se transformar em um dragão. O artefato foi utilizado por guerreiros antigos, mas acabou escondido após conflitos que levaram à queda de seus guardiões.

A investigação de Lara começa na Grande Muralha da China e se transforma em uma corrida contra Marco Bartoli, líder de uma organização criminosa conhecida como Fiamma Nera. Bartoli pretende utilizar a adaga para alcançar um poder sobre-humano e dar continuidade aos objetivos de seus antecessores.

A perseguição leva Lara a Veneza, onde ela infiltra instalações controladas pelos criminosos, descobre conexões entre a organização e o artefato e segue os inimigos até um navio. A viagem termina em regiões do Tibete, onde antigas estruturas religiosas e passagens secretas revelam o caminho até o local em que a adaga foi escondida.

Bartoli consegue colocar as mãos no artefato e o utiliza, transformando-se em uma criatura semelhante a um dragão. Lara enfrenta o resultado de sua ambição e consegue derrotá-lo. A aventura termina com a protagonista retornando à Inglaterra, mas sua tranquilidade dura pouco: invasores aparecem em sua mansão, preparando o terreno para o conflito apresentado na expansão narrativa de Tomb Raider III.

Tomb Raider III: Adventures of Lara Croft (1998)

Também desenvolvido pela Core Design, Tomb Raider III foi lançado para PlayStation e PC em 1998. A história começa com uma expedição à Antártida, onde pesquisadores descobrem vestígios de uma civilização que utilizou um meteorito para produzir artefatos com propriedades extraordinárias.

A investigação revela que fragmentos do meteorito foram espalhados pelo mundo e transformados em objetos de poder. Lara passa a procurar quatro desses artefatos, viajando por diferentes regiões enquanto enfrenta inimigos que também desejam controlar suas propriedades.

Entre os locais visitados estão a Índia, Londres, uma área desértica nos Estados Unidos e a Antártida. A diversidade geográfica acompanha uma trama que conecta descobertas arqueológicas a experimentos científicos e interesses corporativos.

O principal antagonista é o doutor Mark Willard, um cientista que pretende utilizar os artefatos para acelerar artificialmente a evolução humana. Sua interpretação das propriedades do meteorito transforma a busca arqueológica em uma ameaça global. Em vez de respeitar os limites do conhecimento que encontrou, Willard procura interferir diretamente na natureza.

Lara consegue reunir os artefatos e confrontar o cientista em uma instalação antártica. Willard utiliza o poder do meteorito e sofre uma transformação monstruosa, tornando-se a manifestação dos riscos que sua pesquisa produziu. Lara o derrota e escapa da instalação, encerrando uma aventura em que o desejo de controlar a evolução se mostra tão perigoso quanto a ganância dos criminosos dos jogos anteriores.

Tomb Raider: The Last Revelation (1999)

Lançado em 1999 para PlayStation, Dreamcast e PC, The Last Revelation, desenvolvido pela Core Design, aprofunda a relação de Lara com a mitologia egípcia e apresenta uma consequência decisiva para sua trajetória. Durante uma exploração no Egito, Lara encontra a tumba de Set e remove um amuleto que deveria permanecer escondido. Sua ação acaba libertando o deus egípcio Set, desencadeando acontecimentos que ameaçam o equilíbrio do mundo.

A aventura passa a girar em torno da tentativa de impedir que Set recupere plenamente seu poder. Para isso, Lara precisa compreender os rituais e as profecias associados à antiga divindade, reunir conhecimentos perdidos e encontrar uma maneira de aprisioná-lo novamente.

O arqueólogo Werner Von Croy, antigo mentor de Lara, assume um papel importante na trama. A relação entre os dois se deteriora à medida que Von Croy se envolve na busca pelos artefatos e passa a agir de maneira cada vez mais perigosa. A rivalidade pessoal acrescenta um conflito humano à ameaça sobrenatural.

No desfecho, Lara consegue confrontar Set e impedir que seus planos se concretizem. Entretanto, durante a fuga de uma estrutura egípcia em colapso, ela fica presa sob os escombros. Von Croy aparece no local, mas o jogo termina sem confirmar se consegue resgatá-la.

O final foi um dos momentos mais marcantes da continuidade clássica, pois deixou o destino de Lara em aberto e preparou o terreno para uma narrativa sobre o passado da personagem.

Tomb Raider Chronicles (2000)

Desenvolvido pela Core Design e lançado para PlayStation, Dreamcast e PC em 2000, Chronicles começa após os acontecimentos de The Last Revelation. Lara é considerada desaparecida, e pessoas próximas se reúnem para recordar aventuras que não haviam sido mostradas anteriormente.

A estrutura apresenta diferentes histórias ambientadas em momentos distintos da vida da protagonista. Em Roma, Lara procura a Pedra Filosofal e enfrenta inimigos interessados no artefato. Em uma aventura ligada a um submarino russo, ela investiga um artefato conhecido como a Lança do Destino. Outra história acompanha sua infiltração em uma instalação de alta segurança, enquanto uma narrativa ambientada na Irlanda apresenta uma Lara ainda adolescente diante de acontecimentos sobrenaturais.

As aventuras não formam uma única busca contínua. Seu propósito é revelar episódios adicionais da trajetória de Lara e ampliar a compreensão de suas habilidades, de sua curiosidade e de sua disposição para investigar fenômenos inexplicáveis.

O jogo termina sem solucionar diretamente o desaparecimento da protagonista. A ausência de uma resposta definitiva mantém a ligação narrativa com The Last Revelation e prepara a transição para a tentativa seguinte de reinventar a série.

Tomb Raider: The Angel of Darkness (2003)

Desenvolvido pela Core Design e lançado originalmente para PlayStation 2 e PC em 2003, The Angel of Darkness apresenta uma Lara que retorna após os acontecimentos que a deixaram desaparecida. A história começa em Paris, quando ela visita Werner Von Croy e acaba envolvida em seu assassinato.

Acusada de um crime que não cometeu, Lara precisa descobrir quem matou seu antigo mentor e por que ele estava envolvido em uma investigação sobre uma organização secreta. Sua busca a coloca no caminho de Eckhardt, um indivíduo ligado aos Cavaleiros de Luxor e a experimentos ocultistas.

A trama se desenvolve em torno dos Nephilim, uma raça ancestral que Eckhardt pretende trazer de volta por meio de conhecimentos proibidos e de um conjunto de pinturas associadas a uma antiga conspiração. Lara cruza caminhos com Kurtis Trent, um personagem que também procura impedir os planos do antagonista e possui uma ligação pessoal com os acontecimentos.

A investigação revela que o assassinato de Von Croy faz parte de uma operação muito maior. Ao seguir as pistas, Lara descobre que os experimentos de Eckhardt ameaçam libertar uma força capaz de transformar o mundo.

O confronto final acontece em um laboratório subterrâneo, onde Lara e Kurtis tentam impedir a conclusão do projeto. Eckhardt é derrotado, mas o destino de Kurtis permanece incerto. O jogo termina com Lara seguindo pistas que podem levá-la até ele.

The Angel of Darkness tentou introduzir uma abordagem mais sombria e uma trama centrada em conspirações, mas não teve uma continuação direta. Posteriormente, a franquia reorganizou sua história em outra continuidade.

A continuidade Legend: um novo passado para Lara Croft

Tomb Raider: Legend (2006)

Desenvolvido pela Crystal Dynamics e lançado para PlayStation 2, Xbox, Xbox 360, PC e outras plataformas, Legend inaugura uma nova continuidade para a história de Lara.

A aventura acompanha a protagonista em uma busca pela espada Excalibur, artefato ligado às lendas do rei Arthur. A investigação começa quando Lara encontra pistas que relacionam a espada ao desaparecimento de sua mãe, ocorrido durante sua infância.

A busca a leva a diferentes países, onde ela encontra fragmentos da espada e descobre que o artefato está associado a uma antiga estrutura capaz de conectar lugares separados por uma espécie de passagem dimensional. Amanda Evert, antiga amiga de Lara, reaparece e se transforma em uma adversária central.

As lembranças de um acidente ocorrido anos antes revelam que Lara acreditava ter perdido Amanda durante uma expedição. A sobrevivência da antiga companheira e seu envolvimento com os mesmos mistérios provocam um conflito pessoal que ultrapassa a disputa pelo artefato.

Lara descobre que a espada pode abrir uma passagem para um lugar relacionado ao desaparecimento de sua mãe. No desfecho, ela confronta Amanda e consegue compreender melhor as circunstâncias daquela perda, mas não recupera a mãe como esperava.

Tomb Raider: Anniversary (2007)

Desenvolvido pela Crystal Dynamics para PlayStation 2, PSP, Wii e PC, com versões para outras plataformas, Anniversary é uma reimaginação da aventura de 1996 dentro da continuidade de Legend.

A narrativa acompanha Lara em busca do Scion da Atlântida, contratado inicialmente por Natla. A protagonista percorre ruínas no Peru, na Grécia e no Egito, reunindo as partes do artefato e descobrindo a verdadeira identidade de sua contratante.

Natla revela seu envolvimento com a antiga civilização atlante e seus planos de utilizar o Scion para recuperar o poder perdido. A busca também expõe a história de uma sociedade que avançou além de seus limites e acabou destruída por sua própria ambição.

Embora preserve a estrutura central da história original, Anniversary apresenta os acontecimentos com maior atenção às relações entre os personagens e ao passado de Lara. O desfecho reafirma o confronto entre a protagonista e Natla e consolida a importância do Scion para a mitologia dessa continuidade.

Tomb Raider: Underworld (2008)

Desenvolvido pela Crystal Dynamics e lançado para PlayStation 3, Xbox 360, PlayStation 2, Wii e PC, Underworld continua a história iniciada em Legend e aprofunda a busca de Lara por respostas sobre sua mãe.

A aventura começa com a destruição da mansão Croft e leva Lara a investigar locais associados à mitologia nórdica. Ela procura o martelo de Thor, Mjölnir, e outros artefatos que podem abrir caminhos para o submundo e revelar segredos relacionados à antiga civilização atlante.

Amanda continua envolvida nos acontecimentos, mas a principal ameaça passa a ser Natla, cuja sobrevivência e influência conectam os mistérios dos jogos anteriores. A busca revela que os artefatos nórdicos fazem parte de um sistema de poder muito maior, capaz de provocar uma catástrofe.

Lara descobre que Natla pretende utilizar o conhecimento antigo para desencadear o fim do mundo conhecido e restaurar sua própria posição de poder. A protagonista precisa impedir a conclusão do plano e enfrentar as consequências de anos dedicados à busca pela mãe.

No final, Lara consegue frustrar os objetivos de Natla, mas as respostas que encontra não desfazem a perda que marcou sua vida. Underworld encerra a principal trama dessa continuidade, reunindo os elementos mitológicos e pessoais desenvolvidos desde Legend.

A trilogia Survivor: a origem de uma nova Lara Croft

Tomb Raider (2013)

Desenvolvido pela Square Enix e Crystal Dynamics e lançado para PlayStation 3, Xbox 360 e PC em 2013, com versões posteriores para outras plataformas, Tomb Raider reinicia a história de Lara Croft.

Ainda jovem e em sua primeira grande expedição, Lara viaja a bordo do navio Endurance para investigar a localização de Yamatai, um reino antigo associado à rainha Himiko. Uma tempestade destrói a embarcação e separa os sobreviventes, que acabam presos em uma ilha chamada pelos habitantes locais de lugar da morte.

Lara precisa encontrar seus companheiros e compreender por que a ilha impede que qualquer pessoa escape. A região é dominada por membros da Irmandade Solarii, um grupo violento liderado por Mathias. Seus integrantes acreditam que Himiko possui o poder de transferir sua alma para outro corpo e procuram utilizar esse poder para manter a rainha viva.

Ao longo da aventura, Lara encontra documentos e vestígios que explicam a história de Yamatai. A aparente imortalidade de Himiko está ligada a um ritual que depende de uma sucessora e de condições específicas. Mathias acredita que Sam, amiga de Lara e integrante da expedição, pode servir como receptáculo para a rainha.

Lara deixa de ser apenas uma pesquisadora tentando sobreviver e passa a tomar decisões que determinam o destino dos demais sobreviventes. Ela enfrenta os Solarii, descobre a verdadeira natureza dos rituais e compreende que a sobrevivência exige impedir que Sam seja sacrificada.

No confronto final, Lara interrompe o ritual de transferência e derrota Mathias. A ilha deixa de representar uma ameaça imediata, e os sobreviventes conseguem escapar. A aventura não transforma Lara em líder de uma tribo nem lhe concede poderes sobrenaturais. O que muda é sua compreensão do perigo, de suas próprias capacidades e do preço de continuar explorando lugares esquecidos.

Rise of the Tomb Raider (2015)

Desenvolvido pela Crystal Dynamics e lançado inicialmente para Xbox 360 e Xbox One em 2015, com versões posteriores para PC e PlayStation 4, Rise acompanha Lara após os acontecimentos de Yamatai.

Determinada a provar que os mitos investigados por seu pai tinham fundamento, ela viaja à Sibéria em busca da cidade perdida de Kitej e da Fonte Divina, um artefato associado à promessa de imortalidade. Sua pesquisa chama a atenção da Trindade, uma organização secreta que procura controlar conhecimentos antigos para ampliar seu poder.

Lara encontra registros que sugerem que a Fonte Divina foi utilizada por figuras históricas e que sua capacidade de prolongar a vida não é uma simples lenda. Entretanto, a busca também revela que o artefato tem um custo devastador: seus efeitos estão ligados a uma força capaz de destruir aqueles que tentam utilizá-lo, especialmente quando o poder é arrancado de seu contexto original.

Jacob, um homem que lidera uma comunidade escondida na região, torna-se uma figura central. Ele protege os habitantes dos ataques da Trindade e tenta impedir que a organização se apodere do artefato. Lara descobre que Jacob guarda uma identidade extraordinária, relacionada à longevidade de seu povo e à própria Fonte Divina.

O antagonista Konstantin acredita que o artefato pode garantir poder absoluto à organização e ajudá-lo a cumprir uma missão religiosa distorcida. A perseguição leva a confrontos em instalações militares, tumbas e ruínas que revelam a história de Kitej.

Quando Lara finalmente alcança a Fonte Divina, compreende que sua utilização não representa uma solução simples para a mortalidade. O poder do artefato está associado à preservação de Jacob, mas também à ameaça de que a Trindade transforme esse conhecimento em instrumento de dominação. Lara decide destruir a Fonte, encerrando a possibilidade de que seja utilizada novamente. A decisão representa uma mudança importante: encontrar um artefato extraordinário não significa que ele deva ser preservado ou explorado a qualquer custo.

Shadow of the Tomb Raider (2018)

Desenvolvido pela Eidos-Montréal, com participação da Crystal Dynamics, e lançado para PlayStation 4, Xbox One e PC em 2018, Shadow encerra a trilogia Survivor e coloca Lara diante das consequências de suas próprias decisões.

A história começa no México, onde Lara investiga pistas relacionadas à Trindade e encontra a Adaga de Chak Chel. Ao remover o artefato de seu local de origem, ela desencadeia acontecimentos ligados a uma antiga profecia maia. A catástrofe que se segue provoca destruição e dá início a uma corrida para compreender como impedir a chamada Purificação.

Lara viaja para a região de Paititi, uma cidade escondida que preserva tradições e conhecimentos antigos. Ali, descobre que a profecia não pode ser compreendida isoladamente e que os artefatos envolvidos fazem parte de um sistema ritual muito mais complexo. A Adaga de Chak Chel e a Caixa de Prata de Ix Chel possuem funções distintas dentro desse processo, e reuni-las é fundamental para entender o que está em jogo.

O principal antagonista é Pedro Domínguez, identidade pública de Amaru, líder da Trindade e membro de uma linhagem ligada à história de Paititi. Ele acredita que pode controlar a Purificação e utilizar os poderes dos artefatos para remodelar o mundo segundo sua própria visão. Sua motivação está ligada à perda de pessoas importantes e à convicção de que a destruição pode ser justificada como caminho para uma ordem melhor.

A investigação obriga Lara a reconhecer que sua busca por descobertas também pode provocar sofrimento. Ao longo da aventura, ela estabelece relações com os habitantes de Paititi e compreende que impedir a Trindade exige mais do que derrotar seus soldados: é necessário compreender os rituais e impedir que Amaru conclua seu plano.

No confronto final, Lara enfrenta Amaru durante o ritual associado à Purificação. A disputa culmina na interrupção dos planos do antagonista e na resolução da ameaça imediata. Lara sobrevive, mas a conclusão não apaga as consequências de suas escolhas. Ela passa a compreender que a arqueologia envolve responsabilidade perante as comunidades e as histórias que investiga, encerrando a trilogia com uma protagonista mais consciente dos limites de sua ambição.

Os spin-offs e outras aventuras de Lara Croft

Lara Croft and the Guardian of Light (2010)

Desenvolvido pela Crystal Dynamics e lançado para Xbox 360, PlayStation 3 e PC, Guardian of Light apresenta uma aventura independente da continuidade principal. Lara procura um artefato conhecido como Espelho da Fumaça, mas sua retirada liberta Xolotl, uma entidade associada à morte e às trevas.

Para impedir que Xolotl mergulhe o mundo no caos, Lara precisa cooperar com Totec, um guerreiro que viveu séculos antes e possui conhecimento sobre a entidade. A parceria entre a arqueóloga moderna e o guardião antigo conduz a uma série de confrontos em ruínas e templos. O objetivo é recuperar o controle do artefato e impedir que o poder de Xolotl se espalhe.

Lara Croft and the Temple of Osiris (2014)

Desenvolvido pela Crystal Dynamics e lançado para PlayStation 4, Xbox One e PC, Temple of Osiris amplia a proposta de Guardian of Light. Lara e o arqueólogo Carter Bell entram em uma tumba egípcia e acabam envolvidos em um conflito entre divindades.

A exploração desperta Set, que amaldiçoa os protagonistas e os coloca em uma corrida para restaurar Osíris e impedir que o deus destrua o equilíbrio do mundo. Lara e Carter precisam colaborar com Ísis e Hórus, reunindo partes do corpo de Osíris e enfrentando criaturas sobrenaturais. A aventura se apoia na mitologia egípcia e apresenta uma história independente das continuidades principais.

Lara Croft GO (2015)

Desenvolvido pela Square Enix Montréal e lançado para dispositivos móveis em 2015, com versões posteriores para outras plataformas, Lara Croft GO apresenta uma narrativa inspirada em antigas lendas sobre a Rainha do Veneno.

Lara explora ruínas, templos e passagens subterrâneas enquanto procura desvendar o mistério associado à figura da rainha. A história é contada de maneira visual, por meio de símbolos, inscrições e acontecimentos ambientais, acompanhando a protagonista em uma descida cada vez mais profunda por estruturas antigas. O resultado é uma aventura compacta que preserva os temas de exploração e descoberta da franquia.

Lara Croft: Relic Run (2015)

Desenvolvido pela Simutronics e lançado para dispositivos móveis em 2015, Relic Run apresenta uma aventura independente em que Lara investiga o desaparecimento de um colega arqueólogo e a presença de uma força misteriosa ligada a ruínas antigas.

A investigação leva a protagonista por diferentes regiões, nas quais ela encontra vestígios de uma ameaça sobrenatural e procura compreender o significado dos artefatos que aparecem durante a expedição. A narrativa é mais simples do que a dos jogos principais, mas mantém a ideia de Lara como uma exploradora que precisa seguir pistas e enfrentar perigos para revelar um segredo antigo.

O legado de Tomb Raider

A trajetória de Tomb Raider mostra como uma franquia pode preservar sua identidade enquanto modifica a história e a personalidade de sua protagonista. Nos jogos clássicos, Lara Croft é apresentada como uma aventureira experiente, envolvida em conspirações arqueológicas e conflitos com indivíduos que desejam controlar artefatos antigos. A continuidade Legend acrescenta uma dimensão pessoal à busca, conectando a mitologia à história de sua família. Já a trilogia Survivor transforma a personagem em alguém que precisa aprender a sobreviver, enfrentar suas próprias limitações e assumir responsabilidade pelas consequências de suas descobertas.

Legacy of Atlantis
história do Tomb Raider
Legacy of Atlantis

Apesar das diferenças, os jogos compartilham uma mesma estrutura temática. Civilizações antigas guardam conhecimentos que não foram completamente compreendidos, artefatos poderosos despertam a ambição de quem os encontra e a curiosidade de Lara a coloca diante de escolhas que ultrapassam a simples descoberta arqueológica.

Essa combinação de aventura, mitologia e conflito pessoal sustenta a longevidade da série. Mais do que procurar tesouros, Lara Croft investiga histórias esquecidas e enfrenta as consequências de trazê-las de volta ao presente. É essa relação entre passado, descoberta e responsabilidade que mantém Tomb Raider relevante ao longo de diferentes gerações de jogadores.

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Autor

  • Paulo Fabris

    Paulo Fabris é um jornalista, escritor, RPGista, gamer, cosplayer, nerd e fã de
    animes desde a época da TV Manchete.
    Trabalhou na redação de portais como o Cosplay Brasil, UmGamer, Married Games, Professor Smart e mais, além de ter trabalhos impressos em revistas especializadas em tecnologia de áudio e vídeo e automóveis.

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