Lembra desses jogos de celular? Por que eles sumiram? Eram bons? Relembre!
Quem acompanha o universo dos jogos para celular desde o início da década passada sabe que nem todo título de sucesso permanece disponível para sempre. Diferente de um jogo de PlayStation ou de um cartucho antigo, que continuam guardados numa prateleira, muitos jogos de celular dependem inteiramente de licenças, servidores online e acordos comerciais para continuar existindo dentro da Play Store e da App Store.
Quando esses contratos vencem ou quando a manutenção deixa de ser lucrativa para as desenvolvedoras, o resultado costuma ser o mesmo: o game simplesmente desaparece, como se nunca tivesse existido. Essa realidade atingiu diversos títulos que marcaram uma geração de jogadores mobile, especialmente entre 2011 e 2016, período em que estúdios como Gameloft e Ubisoft investiram pesado em produções ambiciosas para smartphones, muitas vezes emulando a experiência de consoles de mesa.
Muitos desses jogos de celular reuniam mundo aberto, gráficos avançados para a época e narrativas robustas, mas foram gradualmente apagados das lojas digitais, restando apenas na memória de quem chegou a instalá-los. Neste artigo, relembramos cinco desses jogos de celular incríveis, contando sua história, seu enredo e os motivos que levaram ao seu desaparecimento e, se você ficar com dúvidas, é só deixar um comentário.
Jogos de Celular Incríveis
Por que tantos jogos de celular somem das lojas
Ao observar esses cinco casos, fica evidente um padrão que se repete constantemente no universo dos jogos para celular. Diferente de jogos vendidos em mídia física ou de títulos totalmente offline, boa parte das produções mobile de grande orçamento depende de licenças de personagens, de acordos comerciais entre estúdios e de servidores ativos para funcionar corretamente. Quando uma licença expira, quando um servidor deixa de ser financeiramente viável ou quando a desenvolvedora decide simplesmente redirecionar seus recursos para outros projetos mais lucrativos, o resultado quase sempre é o mesmo, a remoção silenciosa e definitiva do jogo das principais lojas digitais.
Esse fenômeno levanta uma discussão cada vez mais relevante dentro da indústria, sobre a preservação histórica dos jogos de celular. Enquanto consoles antigos ainda podem ser emulados e cartuchos ainda podem ser encontrados décadas depois, boa parte dessas produções mobile corre o risco real de desaparecer completamente, restando apenas em vídeos, capturas de tela e na memória afetiva de quem teve a sorte de jogar durante o período em que esses títulos ainda estavam disponíveis.
Para quem viveu a era de ouro dos jogos para celular no início da década de 2010, relembrar títulos como Assassin’s Creed Identity, Aralon: Sword and Shadow, Six Guns, The Amazing Spider-Man 2 e The Dark Knight Rises é também revisitar uma fase de experimentação em que estúdios grandes apostavam pesado em experiências ambiciosas dentro do bolso dos jogadores. Que esses jogos sirvam de lembrete de como a indústria mobile evoluiu, e também de alerta sobre a importância de preservar essa parte tão significativa da história dos games.
Assassin’s Creed Identity
Desenvolvido pela Ubisoft Blue Byte utilizando o motor Unity, Assassin’s Creed Identity chegou primeiro para iOS em fevereiro de 2016, com a versão para Android liberada em maio do mesmo ano. O projeto vinha sendo testado desde 2014, quando foi lançado em caráter experimental apenas na Austrália e na Nova Zelândia, um procedimento comum entre grandes publishers para avaliar a recepção do público antes de um lançamento mundial.
A proposta dos jogos de celular era ambiciosa para os padrões mobile da época. Identity foi o primeiro título da franquia em formato de RPG de ação completo dentro do universo Assassin’s Creed voltado exclusivamente para dispositivos móveis, trazendo ambientação em terceira pessoa e exploração em 3D totalmente livre, algo raro em jogos de celular daquele momento. A história se passava durante o Renascimento italiano, no início do século XVI, reaproveitando cenários já conhecidos dos jogos de console, como Roma, Florença e Monteriggioni, cidades que também apareceram em Assassin’s Creed II e Assassin’s Creed Brotherhood.
O enredo giravа em torno do conflito entre a Irmandade dos Assassinos e uma organização misteriosa conhecida como os Corvos, um grupo capaz de imitar com perfeição as técnicas e habilidades dos próprios assassinos, tornando-se uma ameaça extremamente perigosa para a Ordem. O jogador criava seu próprio personagem, escolhendo entre classes como Berserker, Lâmina das Sombras, Trapaceiro e Ladrão, e podia customizar equipamentos, armas e vestimentas conforme avançava pelas missões e desvendava o mistério por trás dos Corvos.
Apesar da proposta inovadora, o suporte da Ubisoft foi perdendo força ao longo dos anos. As atualizações de conteúdo começaram a rarear a partir de 2018, e o jogo também foi retirado das lojas chinesas em 2020, mercado que representava uma fatia relevante das instalações do título. O golpe final veio em outubro de 2021, quando a Ubisoft desligou definitivamente os servidores online que sustentavam o progresso, os contratos e as memórias jogáveis.
Sem conexão, o game ficava travado logo no prólogo, preso diante de um guarda impossível de derrotar. Dois meses depois, em dezembro de 2021, Assassin’s Creed Identity foi removido de forma definitiva de todas as lojas digitais, incluindo a Play Store. A Ubisoft justificou a decisão afirmando que precisava redirecionar os esforços da equipe para outros projetos, entre eles Assassin’s Creed Rebellion, um jogo de estratégia com elementos de gacha que já vinha atraindo um público muito maior.
Aralon Sword and Shadow
Poucos jogos de celular da primeira metade da década de 2010 ousaram tanto quanto Aralon: Sword and Shadow. Desenvolvido originalmente pela pequena Galoobeth Games e publicado pela Crescent Moon Games, o título nasceu de um projeto ambicioso de dois programadores que passaram anos criando um motor de RPG robusto para dispositivos móveis, mas que enfrentavam dificuldades na parte artística.
Foi justamente a Crescent Moon Games que percebeu o potencial do projeto e ofereceu uma reformulação visual completa, dando ao jogo os gráficos refinados que o tornariam um marco entre os jogos para celular daquele período.

Lançado inicialmente para iOS em 2010, Aralon chegou à Amazon Appstore em 2012 e, somente anos depois, desembarcou oficialmente na Google Play, depois de uma longa jornada por diferentes lojas digitais. A inspiração declarada era a série The Elder Scrolls, e o resultado impressionava pela escala: mais de trinta horas de jogatina, ciclo completo de dia e noite, três raças jogáveis (humanos, elfos e trolls), quatro classes distintas de personagem e um sistema robusto de missões principais e secundárias.
A narrativa se passava no reino fictício de Aralon, e a frase que definia o tom sombrio da história ficou marcada entre os fãs: aquilo que foi feito não pode ser desfeito, mas pode ser vingado. O protagonista embarcava em uma jornada para desvendar os mistérios do reino, enfrentando inimigos com táticas de combate variadas, participando de um sistema de facções, colhendo ervas, fabricando poções, pescando, montando criaturas como cavalos e até dragões, além de contar com animais de estimação e mercenários que auxiliavam nas batalhas. Era, essencialmente, uma experiência de RPG de mundo aberto condensada dentro de um smartphone, algo praticamente inédito para os padrões técnicos da época.
Com o passar dos anos, no entanto, Aralon foi ficando tecnicamente ultrapassado, incompatível com versões mais recentes de Android e iOS, e a Crescent Moon Games direcionou sua atenção para outros projetos de jogos para celular, incluindo a sequência Aralon: Forge and Flame.
O jogo original acabou sendo retirado da Play Store, restando disponível apenas por meio de versões preservadas em arquivos e, posteriormente, relistado de forma limitada pela GameClub, serviço de assinatura dedicado a resgatar clássicos mobile, mas sem representar o retorno gratuito e completo que os fãs mais antigos desejavam.
Six Guns
Se existem jogos de celular capazes de resumir a era dourada da Gameloft no mercado mobile, um desses jogos é Six Guns. Desenvolvido pelo estúdio Gameloft Barcelona, o título chegou de graça ao iOS em dezembro de 2011 e à Google Play em março de 2012, além de versões posteriores para Windows Phone e Windows 8.
O jogo colocava o jogador no controle do pistoleiro Buck Crosshaw, um homem considerado fora da lei que finge a própria morte e foge para o Arizona em busca de uma nova vida. O problema é que o passado não demora a alcançá-lo, e Crosshaw se vê obrigado a enfrentar bandidos comuns e também ameaças sobrenaturais, incluindo mortos-vivos conhecidos como nightwalkers, enquanto tenta descobrir a verdade sobre o suposto falecimento de sua esposa. Essa mistura entre faroeste clássico e horror é justamente o que tornava Six Guns tão especial dentro do catálogo de jogos para celular da época, sendo frequentemente comparado a uma versão portátil de Red Dead Redemption.

O mapa do jogo era dividido entre as regiões do Arizona, com seus desertos e mesas rochosas, e do Oregon, repleta de florestas e montanhas. O jogador podia se locomover a pé ou a cavalo, cumprindo mais de quarenta missões espalhadas pelo cenário, comprando roupas, armas e montarias em uma loja interna, além de participar de um modo multiplayer com partidas de deathmatch e captura de bandeira.
Assim como aconteceu com outros grandes lançamentos de jogos para celular da Gameloft, o suporte a Six Guns foi diminuindo drasticamente após 2016, ano em que a Vivendi assumiu o controle acionário da empresa e reorientou prioridades para franquias consideradas mais lucrativas, como Asphalt e Modern Combat. As atualizações praticamente cessaram, problemas com hackers e trapaças passaram a comprometer a experiência online, e o jogo foi silenciosamente retirado da Play Store e da App Store, sem qualquer comunicado oficial detalhado por parte da Gameloft.
Ainda hoje existe uma comunidade nostálgica que mantém fóruns e canais dedicados ao título, na esperança improvável de uma eventual sequência batizada de Six Guns: Doomsday, mencionada informalmente em vídeos de fãs, mas nunca confirmada oficialmente pela desenvolvedora.
The Amazing Spider-Man 2
Poucos jogos de celular geraram tanta nostalgia entre uma geração de jogadores quanto The Amazing Spider-Man 2, desenvolvido pela Gameloft para Android, iOS e Windows Phone, lançado em abril de 2014 como acompanhamento do jogo homônimo de consoles e PC, este último desenvolvido pela Beenox e publicado pela Activision. A versão mobile, embora inspirada no filme estrelado por Andrew Garfield, apresentava uma história própria, elaborada especialmente pela Gameloft, incorporando personagens dos quadrinhos que não apareciam no longa, como Gata Negra e Screwball.
O jogo entregava algo raríssimo para o mercado mobile daquele momento, um mundo aberto ambientado em uma Manhattan completamente livre para exploração, na qual o jogador podia balançar entre os prédios usando teias, escalar paredes e enfrentar ondas de crimes que assolavam a cidade. A trama acompanhava o Homem-Aranha em sua batalha contra vilões icônicos como Eletro e Duende Verde, ao mesmo tempo em que o herói tentava impedir o colapso completo da segurança de Nova York, equilibrando sua vida pessoal com o peso da responsabilidade de proteger civis inocentes.
Tecnicamente, o game impressionava pela ambição gráfica, entregando uma experiência que parecia condensar um jogo de console dentro da tela de um smartphone, algo que consolidou a reputação da Gameloft como uma das produtoras mais competentes de jogos para celular baseados em licenças de Hollywood.
A saída de cena, no entanto, teve motivo claro e documentado. A Activision, publisher responsável pelos direitos de exploração dos jogos de Spider-Man naquele período, perdeu a licença para desenvolver títulos baseados em múltiplos personagens da Marvel pouco depois do lançamento de The Amazing Spider-Man 2, já que a Marvel decidiu concentrar as futuras produções do herói exclusivamente com a Insomniac Games e a Sony, movimento que culminaria, anos depois, no aclamado Marvel’s Spider-Man de 2018. Sem a licença renovada, tanto a versão de consoles quanto a versão mobile foram removidas de todas as plataformas digitais, incluindo Steam, App Store e Google Play, encerrando de forma abrupta o acesso legal a um dos jogos de celular mais queridos daquela geração.
The Dark Knight Rises
Fechando a lista, outro grande nome produzido pela Gameloft: The Dark Knight Rises, lançado simultaneamente para iOS e Android em julho de 2012, no mesmo dia da estreia mundial do filme dirigido por Christopher Nolan que encerrava a trilogia Batman protagonizada por Christian Bale. Meses depois, o jogo também chegou ao Windows Phone.
A narrativa seguia de perto os eventos do longa-metragem. Depois de oito anos afastado da ação, Bruce Wayne precisava voltar a vestir a capa do Batman para enfrentar Bane, um vilão mercenário determinado a destruir Gotham City, ao mesmo tempo em que precisava lidar com a enigmática Selina Kyle, a Mulher-Gato, e contar com o apoio de aliados como o Comissário Gordon e Lucius Fox. O jogo reproduzia essa trama através de uma Gotham City aberta e explorável, na qual o jogador podia usar o Gancho para se deslocar pelos prédios ou nocautear inimigos, arremessar Batarangues em combates e à distância, e ainda pilotar veículos icônicos como a Bat-Pod e o próprio Bat para se locomover rapidamente pela cidade.
O combate corpo a corpo era claramente inspirado na fórmula popularizada pela série Batman Arkham, entregando golpes fluidos e contra-ataques, ainda que a crítica da época já apontasse limitações técnicas, cenários por vezes vazios e uma repetitividade que comprometia a experiência ao longo das horas finais de campanha. Ainda assim, o jogo se tornou um dos títulos mais lembrados entre os fãs de jogos para celular baseados no universo Batman, muito por conta da atmosfera sombria que conseguia captar o clima do filme.
A remoção definitiva das lojas também está ligada a um problema contratual. A licença compartilhada entre a Gameloft e a Warner Bros., detentora dos direitos do personagem Batman, tinha prazo de validade determinado, e assim como aconteceu com diversas outras produções baseadas em filmes de super-heróis daquela época, o acordo não foi renovado após seu vencimento. Com isso, The Dark Knight Rises deixou de estar disponível oficialmente tanto na Play Store quanto na App Store, restando acessível apenas por meio de arquivos de instalação preservados por comunidades de fãs, uma prática comum, embora arriscada, entre quem busca reviver jogos de celular retirados de circulação.
Ainda é possível jogar esses títulos hoje?
De forma oficial, dentro da Play Store e da App Store, nenhum desses cinco jogos de celular está mais disponível para download. A exceção fica por conta de Aralon: Sword and Shadow, que teve uma versão remasterizada relistada pela GameClub, serviço de assinatura pago que resgata clássicos mobile e mantém compatibilidade com dispositivos atuais, sendo hoje o único caminho legal para experimentar o jogo. Os outros quatro títulos seguem sem qualquer forma de reedição oficial, e a Ubisoft já confirmou publicamente que não pretende trazer Assassin’s Creed Identity de volta nem liberar um modo offline para o game.
Na prática, quem ainda quer revisitar esses jogos costuma recorrer ao Internet Archive, biblioteca digital sem fins lucrativos que hospeda uma seção dedicada a softwares e APKs preservados por usuários. Lá é possível encontrar páginas específicas para Aralon: Sword and Shadow, Six Guns, The Amazing Spider-Man 2 e The Dark Knight Rises, todas com o arquivo de instalação original do Android disponível para download, muitas vezes acompanhado dos arquivos de cache necessários para o jogo rodar corretamente.
É importante frisar que, por se tratarem de instaladores fora das lojas de jogos de celular oficiais, a instalação exige habilitar a opção de fontes desconhecidas no aparelho e envolve os riscos de segurança já esperados nesse tipo de prática, além de esbarrar em questões de direitos autorais nos casos em que a licença pertence a terceiros, como Marvel e Warner Bros.
O caso de Assassin’s Creed Identity é o mais complicado dos cinco. Embora o APK do jogo também esteja preservado no Internet Archive, o título dependia inteiramente de conexão com os servidores da Ubisoft para liberar missões, salvar o progresso e avançar na história.
Como esses servidores de jogos para celular foram definitivamente desligados em dezembro de 2021, mesmo quem instala o arquivo hoje fica preso logo no prólogo, sem conseguir avançar, já que não existe uma versão totalmente offline nem um servidor privado mantido pela comunidade capaz de restaurar essas funções, diferente do que aconteceu com outros jogos abandonados que ganharam projetos de servidor emulado feitos por fãs.
Caso você queria tentar, esses links hospedam versões dos app, mas lembre-se: NÃO GARANTIMOS A INTEGRIDADE DO ARQUIVO OU SE NÃO HÁ RISCOS. FAÇA O DOWNLOAD POR CONTA E RISCO.
- Aralon: Sword and Shadow — https://archive.org/details/aralon-sword-and-shadow
- Six Guns — https://archive.org/details/six-guns_202201
- The Amazing Spider-Man 2 — https://archive.org/details/spiderman-2-obb-apk
- The Dark Knight Rises — https://archive.org/details/tdkr-2022
- Assassin’s Creed Identity — https://archive.org/details/ac-identity (funciona só até o prólogo, fica travado por causa do servidor desligado)
FAQ Rápido
Por que jogos de celular somem das lojas do nada?
Geralmente por motivos contratuais e financeiros, não por decisão repentina. O mais comum é o vencimento de uma licença de personagem, o encerramento de servidores que já não dão lucro, ou a desenvolvedora simplesmente redirecionando esforços para outro projeto.
A remoção tem relação com a qualidade dos jogos de celular ou com denúncias de usuários?
Quase nunca. Um jogo pode ter ótimas avaliações e mesmo assim ser removido, já que o motivo costuma ser puramente comercial, como o fim de um acordo de licenciamento, e não uma punição por conteúdo impróprio ou reclamações do público.
Depois que um jogo sai da loja, quem já comprou ainda consegue reinstalar?
Às vezes, através do histórico de compras da conta Google ou Apple, mas isso não é garantido. Há relatos de jogadores que perderam o acesso por completo, mesmo tendo pago pelo jogo, e sem direito a reembolso.
Existe forma legal de jogar um título depois que ele foi removido?
Em poucos casos, sim, através de serviços de assinatura como a GameClub, que relista clássicos remasterizados. Fora isso, a alternativa mais comum é recorrer a arquivos preservados por comunidades de fãs, como o Internet Archive, o que envolve riscos de segurança e questões de direitos autorais.
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