10 Reboots de Jogos Estranhos e Polêmicos

Syndicate

Veja alguns dos mais estranhos e mal sucedidos reboots de jogos que já foram lançados e que podem, ou não, afundado suas franquias.

Sonic Boom: Rise of Lyric com nota 32, 34 para Bomberman: Act Zero, 44 para Golden Axe: Beast Rider? Esses números nos sites agregadores de notas como o Metacritc mostram o que acontece quando um reboot sai do trilho: o jogo que era para trazer a franquia de volta vira o motivo de ela sumir por anos.

Separamos dez casos em que a empresa resolveu mudar tudo, de jogabilidade a visual, e o público respondeu com estranhamento, revolta ou os dois. Vamos falar de cada um, com o jogo de origem, a sinopse e o que deu errado, e, se você ficar com dúvidas ou quiser lembrar de outro reboot polêmico, é só deixar um comentário.

1. Bomberman: Act Zero, o robô sombrio

Bomberman: Act Zero (Hudson Soft, Xbox 360, 2006) foi o primeiro Bomberman de um console Xbox e saiu pela Konami fora do Japão. A história funciona como uma versão dark e pessimista da história original do jogo: robôs mineradores precisam chegar a superfície para se transformarem em humanos.

Bomberman
Bomberman Act Zero

O visual trocou o simpático Bomberman por um ciborgue de armadura, em um cenário sombrio e realista. A crítica não perdoou: Metacritic 34, IGN com nota 3 e reclamações sobre jogo repetitivo, sem save e sem multiplayer local, justo na série famosa por partidas entre amigos sentados no sofá rindo do outro ao preparar uma armadilha bem planejada e encurralar o jogador entre uma bomba e uma parede. Uma sequência chamada Bomberman: The Genesis chegou a ser planejado, mas nunca saiu por razões óbvias.

2. Golden Axe: Beast Rider, o clone de God of War

Golden Axe: Beast Rider (Secret Level, PS3 e Xbox 360, outubro de 2008) é um reboot em 3D da clássica série de beat ‘em up da Sega. Tyris Flare vê sua tribo ser destruída por Death Adder, encontra o anão Gilius Thunderhead e sai atrás das peças do Golden Axe, montando em bestas pelo caminho.

A Sega comprou a Secret Level em 2006 por cerca de 15 milhões de dólares, segundo a Variety, e apostou numa heroína única em um jogo violento para maiores de 17, em plena era de God of War. Sem o co-op que marcava a série, o jogo recebeu 44 e 45 no Metacritic e nota 3,2 da IGN, que o descreveu como um jogo para evitar.

Anos depois, Streets of Rage, outro beat’up veio com uma sequêcnia feita da maneira certa. Enquanto Golden Axe? Chegou em uma série que dividiu a opinião dos fãs.

3. Alone in the Dark (2008), o terror que virou confusão

O jogo original, lançado em 1992 foi um dos primeiros survival horrors em 3D e plantou as bases para games como Resident Evil que vieram anos depois. Você tinha uma mansão 3D, uma coleção de armas com munição limitada e quebra-cabeças que você só resolvia depois de muito tentar e errar, tentar e errar.

Alone in the Dark
Reboots de Jogos
Alone in the Dark

Alone in the Dark (Eden Games, Xbox 360, PS3 e PC, junho de 2008, Atari) reiniciou a série que ajudou a criar o survival horror. O detetive Edward Carnby acorda amnésico em um prédio de Nova York, cercado por ocultistas, e um blecaute abre fissuras que cospem uma substância negra pela cidade, com o Central Park no centro da confusão.

A ideia era ousada: sem barras de vida e munição, com inventário em tempo real no casaco do herói e fogo como arma. Na prática, o jogo foi criticado por bugs, direção ruim e história confusa, com Metacritic de 55 no PC e 58 no Xbox 360. As versões de PS2 e Wii, feitas por outra equipe, eram jogos completamente diferentes, e a do Wii ficou com 39.

4. Prince of Persia (2008), o príncipe que não morre

Prince of Persia nasceu nos anos 80, com um sonho, um irmão mais novo, fitas VHS e muita rotoscopia. Um sucesso que colocava pressão no jogador ao mostrar sempre uma ampulheta cada vez mais vazia que indicava o fim da sua amada e a vitória do feiticeiro vilão.

Prince of Persia
Prince of Persia

Então, anos depois, Sands of Time mostrou uma nova versão do príncipe, muito mais forte do que o antigo príncipe magrinho, acrobático que corria nas paredes e uma adaga capaz de voltar no tempo. A história dessa versão até virou um filme!

Prince of Persia (Ubisoft Montreal, PS3, Xbox 360 e PC, dezembro de 2008) é o segundo reboot da série, com uma continuidade separada da trilogia Sands of Time. Um príncipe sem nome ajuda a princesa Elika a selar de novo o deus Ahriman, curando terras corrompidas.

A polêmica nasceu em duas decisões. Não existe morte: quando você cai, Elika salva o herói, e muita gente achou o jogo fácil demais. Já o final faz o príncipe reviver Elika e libertar Ahriman, o que irritou os jogadores, e o DLC Epilogue, que tentou resolver o impasse, não saiu no PC. As vendas decepcionaram, e a Ubisoft voltou ao príncipe de Sands of Time cerca de um ano depois em um remake cancelado. Eles estão hoje investindo em games 2.5D, como The Lost Crown e Rogue.

5. Castlevania: Lords of Shadow, o Castlevania estilo God of War

Castlevania: Lords of Shadow (MercurySteam, PS3 e Xbox 360, outubro de 2010, Konami) tem Hideo Kojima como produtor e apagou a cronologia da série. Em 1047, o cavaleiro Gabriel Belmont, da Brotherhood of Light, caça os Lords of Shadow, como o lobisomem Cornell e a rainha vampira Carmilla, para reunir a God Mask e ressuscitar a esposa Marie. Em uma cena pós-créditos, ele se revela o futuro Drácula.

O jogo foi bem avaliado, mas dividiu os fãs. O Kotaku apontou que parecia mais Ninja Gaiden ou God of War, com chefes que lembram Shadow of the Colossus e escaladas à la Uncharted. Para muitos, o Castlevania clássico de exploração virou um jogo de ação genérico. Ainda assim, gerou Mirror of Fate e Lords of Shadow 2.

6. Splatterhouse (2010), o remake que não decolou

Splatterhouse (BottleRocket e Namco Bandai, PS3 e Xbox 360, novembro de 2010) reimagina o terror de 1988 da Namco. O universitário Rick Taylor fica à beira da morte quando a namorada Jennifer é sequestrada pelo Dr. West, e uma máscara falante, a Terror Mask, dublada por Jim Cummings, oferece poder em troca de vingança.

O desenvolvimento foi tumultuado: a Namco Bandai tirou o jogo das mãos da BottleRocket por um “problema de desempenho” e contratou parte da equipe para terminá-lo. O resultado foi um beat ‘em up cheio de sangue e palavrões, com Metacritic de 62, que não vendeu bem e nem saiu no Japão. Hoje é item de colecionador.

7. Syndicate (2012), da estratégia para o tiro

Syndicate (Starbreeze, PC, PS3 e Xbox 360, fevereiro de 2012, EA) reiniciou o clássico de 1993 da Bullfrog, de Peter Molyneux, um jogo de estratégia isométrica em que você comandava quatro agentes. Em 2069, o agente Miles Kilo, da EuroCorp, usa o chip DART 6 em uma guerra entre corporações.

Syndicate
Syndicate

O choque foi virar um FPS. Fãs ficaram contrariados, e o jogo trocou a estratégia por hacks, como Backfire, Suicide e Persuasion, que viram os inimigos contra eles mesmos. O co-op para quatro jogadores até trouxe missões do original. A Starbreeze culpou problemas com a varejista GAME pelas vendas fracas, e a série só voltou em espírito em 2015, com Satellite Reign.

8. DmC: Devil May Cry (2013), o Dante Crepúsculo

DmC: Devil May Cry (Ninja Theory, PS3, Xbox 360 e PC, janeiro de 2013, Capcom) reiniciou a série em uma continuidade nova. Dante é um nephilim, filho de anjo e demônio, que descobre ser irmão gêmeo de Vergil e se junta à Order para derrubar o rei demônio Mundus, que controla o mundo por trás de uma empresa de bebidas.

O problema veio do visual. O novo Dante tinha cabelo preto, jeito punk e, para quem cresceu com o original, parecia mais um rebelde de filme adolescente do que um caçador de demônios. A Capcom disse que as vendas ficaram abaixo do esperado, mas a Definitive Edition chegou ao PS4 e Xbox One em 2015, e Devil May Cry 5 voltou à continuidade original.

Engraçado desse reboot é a cena em que uma peruca branca cai sobre a cabeça de Dante ele olha e diz “nem em um milhão de anos”. Mas, dois meses depois, uma DLC com a skin do Dante clássico foi lançada. Parece que um milhão de anos passou bem rápido.

9. Thief (2014), o ladrão que perdeu a alma

Thief (Eidos-Montréal, PS3, PS4, PC, Xbox 360 e Xbox One, fevereiro de 2014, Square Enix) reiniciou a série de stealth anunciada como Thief 4. Garrett acorda de um coma e descobre que a Cidade vive sob uma doença chamada Gloom, com bairros em quarentena e uma revolta se formando.

Thief
Thief

As críticas foram mistas, com Metacritic entre 67 e 70. O stealth foi elogiado, mas a história e os níveis repetitivos foram criticados, e as telas de carregamento entre as áreas pesaram. Garrett também ganhou um novo dublador, o que desagradou parte dos fãs. Até onde encontramos, a série não teve continuação desde então.

10. Sonic Boom, o ouriço de cachecol

Sonic Boom: Rise of Lyric (Big Red Button, Wii U, novembro de 2014, Sega) e Shattered Crystal (Sanzaru, 3DS) ganharam um Sonic mais magro, com cachecol e bandagens, ao lado de um Knuckles bem maior. Em Rise of Lyric, Sonic e os amigos descobrem um túmulo antigo e acabam enfrentando o vilão Lyric, que ataca com seus robôs.

Sonic Boom
Design para Sonic Boom

O jogo nasceu em 2011 como Sonic Origins e Sonic Synergy, usando a CryEngine, que não funcionava no Wii U. Pelo acordo de exclusividade da Sega com a Nintendo, ele foi portado às pressas, e o resultado foram bugs e Metacritic 32, a pior nota da série. Shattered Crystal fez 47, e a Big Red Button quase fechou as portas.

Dez reboots, dez jeitos de mexer demais no que funcionava. E você, qual deles achou mais estranho, ou quais merecem uma segunda chance? E aproveite para ler mais notícias no nosso site.

Autor

  • Paulo Fabris

    Paulo Fabris é um jornalista, escritor, RPGista, gamer, cosplayer, nerd e fã de
    animes desde a época da TV Manchete.
    Trabalhou na redação de portais como o Cosplay Brasil, UmGamer, Married Games, Professor Smart e mais, além de ter trabalhos impressos em revistas especializadas em tecnologia de áudio e vídeo e automóveis.

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